Dezembro, 2017 | Arquidiocese de Fortaleza

Publicado em 30/12/2017 por João Augusto

O Ano Novo

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald

Estamos iniciando o ano 2018. Como será este ano novo? Deixamos de lado a futurologia e a astrologia. Deixamos de lado também o fatalismo do simples “como Deus quiser”. Nós cristãos procuremos, à luz dos mandamentos e dos planos do criador, que, sem em nada diminuir a fé em Deus e o abandono em sua santa vontade e imperscrutáveis desígnios, o futuro deve ser por nós construídos.  Não há dúvida que o futuro não se adivinhe, mas se edifica. O amanhã depende do acerto das nossas opções de hoje. O ano 2018 será aquilo que nós faremos. Acreditamos em Deus e na sua soberania, mas não nos deixamos ficar num passivo providencialismo ou num fatalismo acomodado. Se tudo depende de Deus, tudo depende também de nós.

O primeiro de janeiro é a Festa da Solenidade da Santa Mãe de Deus,  Maria.   O primeiro dia de janeiro também é o Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal. No início de cada ano a Igreja Católica procura trazer à consciência de cada pessoa cristã a importância da paz e da misericórdia e o dever de preservá-las. A melhor maneira de assegurar a paz é trabalhar pela justiça. Sem ela perdem substância todas as conquistas do homem em seus mais variáveis setores. Hoje há uma enorme falta de paz no mundo e em nosso Brasil. Basta ver o crescimento vertiginoso de violência em nosso país: assassinatos, estupros, sequestros, prostituição infantil, drogas, abortos, pedofilia e efebofilia, furtos e divórcios etc. Ligados à paz estão os direitos humanos. Manter a paz à custa dos direitos humanos é uma contradição em termos. Onde hoje há a insana repressão dos direitos humanos, amanhã haverá toda forma de violência e, finalmente, a convulsão social. Obviamente não podemos contar com todos para preservar a paz, mas com as pessoas de boa vontade que realmente formam a maior parte das comunidades. Pessoas firmemente dispostas a preservá-la, constituem uma grande defesa e estímulo para a paz.

A tranquilidade no lar, a harmonia entre as gerações e a concórdia dos povos entre si, serão alcançadas pelos esforços dos homens, mas necessitam do Espírito vivificador de Deus. No Sermão da Montanha Cristo disse: “Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt, 5, 9). A existência de milhões de empobrecidos em nosso país nos envergonha no início de mais um ano. A Igreja Católica no Brasil olha o conjunto do país a partir das massas sobrantes da modernização, e aponta a solidariedade, a união e a organização do povo como o caminho para uma sociedade mais democrática e não excludente em 2018. Que este ano novo então seja um ano para lutar diariamente pela paz, ser solidário, incentivar o respeito à vida, às pessoas e ao planeta (cf. “Laudato Si sobre o cuidado da casa comum” do Papa Francisco).

Que as realizações alcançadas no ano 2017 sejam apenas sementes plantadas, que serão colhidas com maior sucesso em 2018. Que o nosso ano novo começa sendo abençoado por Deus e que os nossos passos e decisões sejam guiados e protegidos por Ele. Que Deus distribua muitas bênçãos por todos neste ano novo que está começando. Digo isso dedicando lhes as palavras de uma antiga benção irlandesa, minha terra natal: “Que o caminho seja brando a teus pés; que o vento sopre leve em teus ombros; que o sol brilhe cálido sobre tua face; que as chuvas caiam serenas nos campos; e até que, de novo, eu te veja, que Deus te guarde na palma de sua mão”. Que o Ano Novo de 2018 seja para todos os leitores do site da Arquidiocese de Fortaleza, um ano cheio de sucesso, de compreensão, de justiça, de unidade e, sobretudo, de amor e paz.

Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redenorista

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Publicado em 27/12/2017 por João Augusto

Encontro de formação dos presbíteros 2018

“Novo Presbítero Católico sob a mística do cuidado” este será o tema do Encontro de Formação do Clero de Fortaleza que acontecerá no período de 2 a 5 de janeiro de 2018, no Seminário de Teologia São José, localizado na Av. Alberto Craveiro, 2300 – Castelão. A escolha do tema tem por objetivo ‘Auxiliar os presbíteros na revisão dos cuidados prestados ao povo de Deus e fomentar discussões para atualização no trabalho comunitário’.

A Assessoria será do Padre Jésus Benedito dos Santos que possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1997), graduação em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1989) e mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2004) e doutorado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009). Atualmente é professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre; pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; presidente da Fundação Educacional Dom José D’Ângelo Neto; pároco da paróquia São José, em Congonhal – MG; Tem experiência na área de filosofia, teologia, psicologia, com ênfase em Filosofia Social e Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: sociologia, psicologia social, religião, metodologia de pesquisa, psicologia e espiritualidade, modernidade e pós-modernidade, presbítero católico, Igreja Católica.

O investimento é de R$ 390,00 – incluso hospedagem, alimentação e o livro cujo título é o tema do encontro.

Inscrições e informações na Sala do Clero com Maria de Jesus ou através do telefone (85) 4005-7860.

Veja carta CONFRATERNIZAÇÃO E ENCONTRO ANUAL DO CLERO (1)

Publicado em 27/12/2017 por João Augusto

Réveillon da Paz acontecerá pela primeira vez no CEU

Evento priorizar segurança aos participantes, nesta edição.

Palco de grandes eventos como o Festival Halleluya e Festa da Misericórdia, o Condomínio Espiritual Uirapuru, conhecido como CEU, será o novo local do Réveillon da Paz, evento de virada do ano promovido pela Comunidade Católica Shalom. A programação é gratuita e começa a partir das 19h com missa presidida pelo padre Antonio Furtado.

O Réveillon da Paz acontecerá no coração do CEU, próximo à Igreja, logo na entrada do espaço que abrange uma área total de 110 mil metros quadrados. Com segurança garantida e amplo estacionamento os participantes do Réveillon da Paz contarão com uma movimentada agenda de shows com o forrozeiro Naldo José, as cantoras Ana Gabriela e Suely Façanha e o Ministério Missionário Shalom. O momento mais aguardado e emocionante é a adoração ao Santíssimo Sacramento que acontece durante o alvorecer do novo ano.

Serviço
Réveillon da Paz
Data: 31 de dezembro 2017
Local: Condomínio Espiritual Uirapuru (Avenida Alberto Craveiro, 2222, Dias Macedo.
Horário: a partir das 19h

Para quem desejar adquirir mesa:
O valor da mesa para quatro pessoas é de R$ 320, 00 (R$ 80,00 por pessoa) e pode ser adquirido até o dia 31 de dezembro (enquanto houver mesas disponíveis).

Mais informações: 3295-4583.

Vanderlúcio Souza
Assessor de Imprensa (interino)
Jornalista – MTB 3484/CE
Comunidade Católica Shalom
(85) 9.8894.3283
www.comshalom.org

Publicado em 27/12/2017 por João Augusto

Papa na Missa do Galo: “Transformar a força do medo em força da caridade”

A caridade que não se habitua à injustiça como se fosse algo natural, mas tem a coragem, no meio de tensões e conflitos, de se fazer «casa do pão», terra de hospitalidade”, disse Francisco na homilia.

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano

A Basílica Vaticana ficou pequena na noite deste domingo (24/12) para acolher os fiéis na missa da vigília de Natal presidida pelo Papa Francisco.

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Publicado em 26/12/2017 por João Augusto

Fotos da Ordenação Sacerdotal

Publicado em 26/12/2017 por João Augusto

Amor, humildade e ternura

Padre Geovane Saraiva*

O Menino Jesus, Maria e José são figuras que estão no centro da manjedoura, sendo que a verdadeira luz que ilumina todo homem é Cristo. A celebração solene e comovedora do nascimento do Filho de Deus quer ser a afirmação da nossa fé no mistério de Jesus, que desceu do céu e se encarnou na história da humanidade. A Mãe Igreja quer ressaltar-nos, e não deixar dúvida, de que a verdadeira luz que ilumina todo homem é Cristo, sem esquecer-se de que a própria Igreja destaca um profundo sentimento pelo presépio do Menino Jesus, que carrega consigo uma bela marca cultural da tradição medieval, impressa na memória dos cristãos.

Na fragilidade de uma criança, que exulte feliz a humanidade, no clima alegre e esperançoso do Natal do Senhor, favorecendo-lhe um bom e grande mergulho no projeto de Deus. Para que essa esperança não seja passageira, somos convidados a contemplar o contexto misterioso da manjedoura, mas numa atitude de louvor e súplica. Contemplar, repito, o mistério do amor de Deus pela pessoa humana, visivelmente expresso na estribaria de Belém, com toda sua força simbólica, é claro, quer falar-nos de mudança e disposição interior.

Que Deus nos dê a graça de perceber o paradoxo do Natal, grande, inaudito, único e maior razão da nossa existência, mistério de esperança. Quando José e Maria encontram as portas fechadas na hospedaria da cidade, têm que se deslocar da localidade, indo à periferia, onde Jesus nasceu na manjedoura. Confiança generalizada para todos, como alhures já afirmamos: “Incessante e indissolúvel, que tem sua origem na vontade misteriosa da sua vinda ao mundo: da terra se confundir com o céu e o céu se confundir com a terra”.

É urgente contemplar o Menino Jesus como a grande boa-nova da esperança, colocando-o no íntimo do coração, na certeza de que nele e com ele iremos construir a Igreja sob o signo da alegria, da confiança e da esperança. Associados ao Papa Francisco, rezemos confiantes pela paz no mundo, no silêncio, diante do presépio, quando ele afirma: “Jesus aproxima-se de nós com amor, humildade e ternura” (24/12/2017). Que a fragilidade de um recém-nascido, por Maria, portadora da verdadeira paz, indique-nos o caminho da verdadeira vida, herança maior inaugurada pelo Menino Jesus. Amém!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – geovanesaraiva@gmail.com

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Publicado em 26/12/2017 por João Augusto

São João Apóstolo e Evangelista

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald

No dia 27 de dezembro de 2017 a Igreja Católica celebra a festa de São João Apóstolo e Evangelista. As informações sobre ele procedem diretamente do evangelho. São Marcos nos diz que foi filho de Zebedeu, pescador de Betsaida  (cf. Mc 1, 20) e de Salomé, uma das mulheres a serviço de Jesus (cf. Mc, 15, 40 e Mt 27, 56). Ele escreveu o Evangelho segundo João, também as três epístolas de João, e provavelmente foi o autor do Apocalipse, embora há uma controvérsia sobre o autor deste livro.  João foi o mais novo dos apóstolos sendo vinte quatro anos de idade quando Jesus o chamou.  Ele foi um discípulo predileto por Jesus: “Aquele a quem Jesus amava” e “O que reclinou sua cabeça no peito de Jesus” (Jo 13, 23).

São João testemunhou os seguintes fatos: a) A ressurreição do filho de um dos chefes da sinagoga chamado Jairo (cf. Mc 5, 37); b) A Transfiguração junto com Pedro e Tiago (cf. Mc 9,2); c) Agonia de Jesus na propriedade chamada Getsêmani, mais um a vez com Pedro e Tiago ( Mc 14, 33); A crucifixão de Jesus no Calvário, onde Jesus disse a ele indicando Maria “Eis a tua mãe” (cf. Jo 19, 26). A bíblia diz que a partir daquela hora, o discípulo João a recebeu em sua casa.  João foi o único apóstolo que assistiu Jesus ao pé da Cruz (cf. Jo 19, 27). Porém, alguns autores afirmam que João tinha ciúme da liderança de Pedro no grupo dos doze, e um dia ele e Tiago fizeram um pedido estranha a Jesus; “Mestre, concede-nos que nos assentemos na tua glória, um a tua direito e outra a teu esquerdo”. Jesus não atendeu esse pedido dizendo “não cabe a mim concedê-lo, porque é para aqueles a quem está preparado”.

Depois de Pentecoste, a presença e a ação de João foram de grande importância para a consolidação da comunidade primitiva na Judéia, como testemunham as numerosas citações do seu nome nos Atos dos Apóstolos. Depois da dispersão dos apóstolos, São João dedicou-se a fundar e firmar as Igrejas na Ásia Menor (cf. O Santo do Dia, Dom Conti, p. 579).  João transmite-nos a mensagem fundamental de Cristo, “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado”. Este apóstolo, de temperamento ciumento, impulsivo e vingativo ( foi chamado uma vez por Jesus de “Filho do Trovão” – Boanergesd), tornou-se apóstolo do amor sempre enfatizando que “Deus é amor”, e que o amor nossa leva a Deus e nos prende ao próximo. Celebramos sempre sua festa no dia 27 de dezembro.

Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista

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Publicado em 24/12/2017 por João Augusto

Shalom realiza missa para moradores de rua atendidos pela instituição

Celebração será presidida pelo Bispo Auxiliar Dom Rosalvo Cordeiro

A Missa de Natal para moradores de rua atendidos pela Casa São Francisco (Albergue Shalom ) será celebrada  neste domingo, dia 24, às 17h, presidida pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza, Dom Rosalvo Cordeiro Lima, na nova sede da instituição, situada à rua Floriano Peixoto, 1717, Centro. A celebração será aberta para voluntários, benfeitores e fiéis em geral.

O albergue faz parte do Projeto Jesus Meu Abrigo da Promoção Humana Shalom, cuja missão é acolher moradores de rua e pessoas em situação de abandono, promovendo a experiência com o Amor de Cristo e o resgate da dignidade humana, em busca de sua reintegração na família e na sociedade.

Serviço
Missa de Natal no Albergue
Quando: 24 de dezembro às 17h
Onde: Casa São Francisco – Albergue Shalom (Rua Conselheiro Tristão, 138 – Centro).

Para doações:
Banco do Brasil
Agencia 1369-2
Conta corrente 7399-7
CNPJ 03.038.431/0001-35
Associação Shalom de Promoção Humana

Vanderlúcio Souza 
Assessor de Imprensa (interino)
Jornalista – MTB 3484/CE
Comunidade Católica Shalom
(85) 9.8894.3283
Publicado em 23/12/2017 por João Augusto

10 Anos sem dom Aloísio

Fim de tarde. Da janela, via o fusquinha estacionar perto da pitombeira. Enquanto caminhava até o estúdio, ele ia abençoando a todos. Sempre sorridente, atencioso, parava quando alguém queria uma bênção, uma palavra de conforto. Era a hora do Ângelus, momento de oração para os cristãos católicos, como eu. Dava um tempo no que estava fazendo para rezar com nosso pastor, o cardeal Aloísio Lorscheider. Acostumei com essa rotina durante anos. Era um momento de graças para os ouvintes da Rádio AM do POVO, onde comecei minha vida profissional e o maior contato com o então arcebispo de Fortaleza. Quando não podia participar ao vivo, devido aos inúmeros compromissos que tinha, dom Aloísio deixava gravada sua participação. Por isso, todos os dias da semana, às 18h, os católicos ouvintes rezavam com o arcebispo pela emissora.

Ele era assim: um pastor sempre atento às suas ovelhas. Admirava essa disponibilidade de atender a todos assim como a disposição de ajudar aos que o procuravam. O cardeal tinha a habilidade de resolver conflitos. Greve dos professores, chamavam-no para intermediar; ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), lá estava ele como mediador nas negociações com autoridades governamentais. Sempre o via sereno, com voz mansa e argumentando de forma a chegarem a um acordo. E, na maioria das vezes, conseguia.

Era respeitado e querido por todos. Em sua agenda, tinha compromissos que fazia de tudo para não faltar como as celebrações com os índios e a visita aos presidiários. E foi numa dessas idas ao então Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), em Aquiraz, no ano de 1994, que ocorreu o sequestro do nosso pastor junto com religiosos, defensores dos Direitos Humanos e repórteres que cobriam a visita. Os detentos se rebelaram e ameaçavam de morte principalmente o Cardeal Lorscheider.

Os presos comandados por “Carioca” (a foto de Antônio Carlos de Souza Barbosa rendendo o arcebispo, correu o mundo) saíram do presídio levando os reféns. Foram dias de angústia para todos nós. Mais uma vez, dom Aloísio me surpreendeu pela mansidão e certeza de que tudo iria terminar bem. Isso ele nos disse no dia da entrevista coletiva após o resgate pela polícia. Ele até procurava motivos para não incriminar os presos fugitivos. Imaginem!

Para minha maior admiração, o santo pastor não quis desmarcar a missa que relembra a Ceia do Senhor, na quinta-feira quando é realizada a cerimônia do lava-pés, anualmente celebrada no presídio. Na época, pedi para acompanhar por O POVO, a visita do cardeal. Olhava pra ele e a serenidade demonstrava que não tinha receio de que algo ruim acontecesse novamente.

Após a celebração (quando lavou e beijou os pés de 12 detentos), ele pediu para visitar aquele que o ameaçara de morte. “Carioca” estava em cela solitária e dom Aloísio quis saber se estava com saúde, se o estavam tratando bem. Antônio Carlos pediu perdão pelo que tinha feito e ele respondeu que já tinha perdoado. Nem lembrava mais. Brincou com ele e se despediu como se aquele não tivesse sido o articulador do seu sequestro. Vi ali a grandeza espiritual do nosso arcebispo.

Para a tristeza de todos, dom Aloísio pediu – e foi atendido pela Santa Sé -, transferência para outra diocese porque a saúde estava debilitada e não aguentava comandar uma arquidiocese grande como a de Fortaleza. Foi enviado à Aparecida (SP). Comoção geral entre os fiéis católicos por aqui. Estávamos muito acostumados com nosso pastor que por aqui ficara 22 anos.

Em Aparecida, sua missão pastoral continuou entre os excluídos, os injustiçados, os mais necessitados. Visitava as comunidades, os presidiários, os doentes. Porém o corpo, principalmente o coração debilitado, deu sinais de que já não poderia se exceder no trabalho pastoral. Quando completou 75 anos (lei expressa no Direito Canônico) pediu afastamento e, em poucos anos, uniu-se aos irmãos franciscanos gaúchos. Dom Aloísio, que nasceu Leo Arlindo (nome de certidão e batismo) em Estrela (RS), foi morar em Porto Alegre. E lá começou suas idas e vindas ao hospital. Recebi a missão, como repórter, de ligar todas as tardes para saber notícias do cardeal.

E quando o quadro clínico se complicou, avisei logo que não teria estrutura emocional para cobrir o sepultamento de dom Aloísio. Não aceitava sua partida (perdão por esse momento, meu Deus!). Achava que a tristeza não me permitiria escrever um texto sobre a morte do meu amado pastor. Não tive querer. Minha editora Fátima Sudário “ordenou” que seria a escolhida. Viajei de coração partido para Porto Alegre acompanhada da jovem repórter fotográfica Talita Rocha, que nada sabia da vida do cardeal. Além da juventude, Talita é evangélica e não conhecia a história do arcebispo. Fui conversando com ela e contanto as maravilhas que o franciscano fizera em sua passagem por aqui. Nos dias que passamos acompanhando os funerais (ele morreu no dia 23, mas só foi sepultado no dia 26), a menina Talita se encantava com os depoimentos dos que conviveram com ele. Terminou escrevendo um belo depoimento que foi publicado no O POVO.

O Natal de 2007 ficou marcado para sempre na minha vida. Foi o primeiro que passei longe da família, mas ao lado do corpo daquele por quem tinha um amor fraternal. Uni minha emoção à dos familiares e franciscanos, seus irmãos de fé e missão. Fui conhecer o quarto onde dom Aloísio passara os últimos anos de vida e comprovei, mais uma vez, que cumprira os votos de pobreza e simplicidade. No pequeno espaço, poucos móveis, poucos objetos, mínimas peças do vestuário litúrgico. Não tenho dúvidas de que nosso inesquecível pastor agora contempla a face de Cristo e assumiu a missão de interceder pelos excluídos, injustiçados e carentes. Também tenho a certeza de que um dia vamos invocá-lo como mais um santo dos pobres.

Rita Célia Faheina,
jornalista

Publicado em 23/12/2017 por João Augusto

Presépio e Árvore de Natal na Praça São Pedro

Presépio e Árvore de Natal na Praça São PedroPapa Francisco acolheu os doadores que participaram da construção do presépio e da árvore de Natal que estão expostos na Praça de São Pedro no Vaticano. Essas pessoas foram recebidas na Sala Paulo VI e o Papa dirigiu a elas uma reflexão sobre esses símbolos.

Leia o discurso do papa Francisco.


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