Scalabrinianas celebram aniversário de fundação - Arquidiocese de Fortaleza
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Scalabrinianas celebram aniversário de fundação

Foi num contexto de intenso fluxo migratório que a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabriniana, foi fundada pelo bem-aventurado João Batista Scalabrini, no dia 25 de outubro de 1895, em Piacenza, Itália, com a colaboração dos servos de Deus padre José Marchetti e Madre Assunta Marchetti.

No dia 25 de outubro próximo, a Congregação celebra 116 anos de sua fundação e segue itinerante em sua essência, sendo “migrante com os migrantes”, buscando ser testemunha da acolhida, da hospitalidade, da compaixão e da comunhão na diversidade, nos 27 países, onde realiza sua missão.

Movido pela compaixão para com os imigrantes que partiam da Itália para as Américas do Norte e do Sul, já antes de fundar a Congregação, o beato Scalabrini escreveu sobre a desafiadora realidade migratória de sua época: “Vi a vasta sala, os pórticos laterais e a praça vizinha, tomados por 300 a 400 pessoas, mal vestidas, divididas em diversos grupos. Em suas faces, sulcadas por rugas precoces, transparecia o tumulto dos afetos que agitavam seus corações. Eram anciãos curvados pela idade e pelas fadigas, homens na flor da idade, senhoras que arrastavam os filhinhos atrás de si ou os carregavam ao colo… Parti comovido. Uma onda de sentimentos tristes me invadia o coração”.

O fenômeno da mobilidade humana continua nos desafiando. Nele vemos sinais de vida e esperança, mas também de violação dos direitos humanos. A Congregação segue fiel às suas origens e procura estar atenta aos clamores de Deus que se manifesta nos sinais dos tempos, na realidade dos seres humanos em processo de mobilidade.

Sensível à voz de Deus, há mais de 16 anos as Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabriniana, estão presentes na arquidiocese de Fortaleza, CE – Brasil, e atuam na coordenação da Pastoral do Migrante que tem como objetivo acolher, apoiar, acompanhar as pessoas migrantes no enfrentamento de situações de vulnerabilidade socioeconômica, trabalhando em rede com as pastorais do setor mobilidade humana, pastorais sociais, instituições afins, contribuindo na humanização dos processos, na qualidade de vida e na formação do público-alvo e de seus agentes; tendo em vista a inclusão na sociedade de acolhida, assegurando-lhes os direitos que lhes são inerentes.

Uma das principais atividades da Pastoral do Migrante da arquidiocese de Fortaleza, CE, é o acompanhamento às presas estrangeiras no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPF), em Itaitinga, CE. São cerca de 50 (cinquenta) mulheres migrantes cumprindo pena em regime fechado e em regime aberto, aguardando a expulsão aos seus países de origem.

Semanalmente, são feitos encaminhamentos, visitas às que estão no Instituto Penal Feminino e às que estão fora da unidade penitenciária, extramuros, além de contatos institucionais. Quando o caso exige, há o repasse de auxílios emergenciais para suprir necessidades de alimentação, remédio e eventualmente hospedagem.

As presas estrangeiras, usadas como “mulas” no tráfico de drogas, são provenientes de países do continente europeu: Holanda, Hungria, Bulgária, Itália, Portugal, Suíça, Espanha, Alemanha, Romênia, Polônia; do continente africano: Nigéria, Serra Leoa, Guiné Bissau, Cabo Verde, África do Sul e Moçambique; do continente americano: Brasil, Chile, Peru, Argentina, Bolívia, Guiana Inglesa e Guiana Francesa; e do continente asiático: Filipinas.

Distantes de suas famílias, essas mulheres jovens e mães, em sua maioria, convivem com o medo, a insegurança e o desconhecido. Com base nessa realidade, cumprimos a missão de visitá-las, acolhê-las, ouvi-las, acompanhando seus processos judiciais junto aos órgãos públicos competentes, enfrentando suas longas demoras. Procuramos ser apoio e prestar auxílios emergenciais, principalmente, quando saem do presídio e aguardam a expulsão aos países de onde procederam.

Nossa missão é realizada numa perspectiva de fé, esperança e amor. Caminhamos ao encontro dessas mulheres encarceradas com a convicção de que o próprio Cristo está presente nelas e quer ser acolhido, visitado e amado, pois Ele mesmo diz no evangelho escrito por Mateus, no capítulo vinte e cinco: Eu era migrante e você me acolheu, Eu estava preso e você me visitou.

Ir. Eléia Scariot, mscs
Coord. da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Fortaleza, CE – Brasil
Telefone: (85) 99567747 ou (85) 82077959
E-mail: [email protected]

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