Catequese de Iniciação Cristã: Adolescentes | Arquidiocese de Fortaleza
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Catequese de Iniciação Cristã: Adolescentes

Pe. Abimael F. do Nascimento, msc

Uma catequese segundo as idades

A proposta desse texto é abordar a Iniciação à Vida Cristã (IVC) dentro do itinerário proposto pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB). É a partir da compreensão de itinerário que a catequese se enriquece no seu desenvolvimento com a ajuda da Psicopedagogia, que é o saber que trata dos processos de aprendizagem, dando ao itinerário uma catequese segundo as idades. Dentro desse universo se insere a catequese com adolescentes, que é grupo especialmente atendido no processo catequético de Confirmação (Crisma). A adolescência requer uma atenção que procure reconhecer os elementos próprios dessa etapa da vida e como podem ajudar na relação entre catequista e catequizando.

Para início passemos ao levantamento de algumas propriedades da adolescência. Uma observação necessária é considerar que a adolescência não é somente etapa de rápida passagem, que teria pouco a contribuir com a formação da personalidade, pelo contrário, como fase de desenvolvimento humano possui propriedades.

A adolescência é o período de saída da infância. A criança começa a sofrer alterações no corpo, o que normalmente chamamos de puberdade (pois aparecem os pelos); para o menino há o desenvolvimento da ejaculação, para a menina o redimensionamento dos seios e o ciclo menstrual. Essas alterações aparecem nas meninas por volta dos onze anos e nos meninos por volta dos treze anos de idade. Para além da mudança no campo físico, acontecem também mudanças no campo cognoscitivo, ou seja, na maneira como os adolescentes passam a entender o mundo.

Por volta dos doze anos de idade a pessoa sai da relação de conhecimento operacional concreto e começa a dar os seus primeiros passos no conhecimento abstrato; isso quer dizer que agora se pode conhecer sem precisar uma experiência sensível imediata. Para saber o que é fogo não precisa tocar ou ver. A isso chama-se de conhecimento formal. Até por volta de onze anos a pessoa conhece muito associado ao concreto, mas agora as condições cognoscitivas estão ampliadas e o conhecimento pode ser menos concreto.

A relação com os pais, com o mundo em geral, na adolescência, é uma relação de descoberta e da construção de uma primeira autonomia. Os grupos por idade são muito significativos nessa época. Devido à alteração genital é muito comum radicalizar-se o masculino e o feminino. O que até agora era algo que os pais ou outros instruíam, será a conclusão da própria pessoa. A criança terá a percepção própria de ser menino ou menina.

A facilidade para a vida em pequenos grupos e o conhecimento abstrato irá ajudar bastante a relação entre adolescentes e a catequese. Algumas possibilidades se apresentam devido à fase de desenvolvimento. A catequese tem que levar em conta essa inclinação para o grupo e poderia desenvolver pequenas gincanas, pequenos jogos baseados em pesquisas bíblicas ou doutrinais. É também atraente as artes, como pequenas cenas bíblicas ou da vida dos santos. Essas atividades ajudariam a tornar a relação com a fé mais atraente. No entanto, nos dias atuais, é muito forte a presença das redes sociais, daí a importância de aproveitar esse campo para propor partilha de conteúdos da fé, programação paroquial, leituras bíblicas e inclusive jogos.

A catequese ordinária poderá ajudar os adolescentes a desenvolverem a autoconfiança, sobretudo propondo uma oração integradora; aquela oração que faz a pessoa se colocar plenamente diante de Deus, não como um conjunto de fragmentos, onde caridade e sexualidade não estão vinculadas; a oração é onde a pessoa toda se coloca diante de Deus, assim, o adolescente aprende que os pecados ou as virtudes não estão presas à genitalidade. A catequese o ajuda a uma compreensão integral da vida cristã: buscar crer e viver o que crê.

Há situações em grupo nas quais o adolescente desenvolve baixo autoestima. Devido ser um tempo de pequenos grupos e de procura da identidade é muito importante que a catequese seja um espaço para ajudar na autoconfiança, na configuração de projetos futuros, daí a importância de falar de vocações, talentos, expectativas; ajudar o adolescente a viver intensamente as emoções, mas sem entender que sejam as últimas, como são tendentes a ver.

Na adolescência a pessoa está muito sujeita às influências para além das paredes de casa; isso acontece porque é tempo da formação da autonomia da personalidade. Até parece contraditória, autonomia e influência, mas é assim, o adolescente está deixando de ser criança e quer encontrar um modelo de jovem ou adulto, por isso é influenciado. Devido ao mundo cultural, essa busca muitas vezes está associada ao poder e à vaidade, daí a importância da catequese e os pais andarem juntos, falarem a mesma linguagem, para proporem aos adolescentes uma outra forma de felicidade, um outro modo de realização da vida, por isso a catequese deve insistir em inserir esses adolescentes na comunidade, promover atividades caritativas, visitas a experiências que requerem a caridade, como a visita a idosos que vivem sozinhos, fazer a limpeza da casa, preparar um aniversário. Fazer com os adolescentes visitas missionárias, como contato frutuoso com a comunidade. Apresentar aos adolescentes outros valores.

O adolescente que chega à catequese já vem normalmente de uma caminhada na comunidade e, mesmo que não a tenha feito, ele chega já com algumas ideias aceitas ou recusadas sobre a fé, a Igreja, a comunidade local, daí a relevância de nos primeiros encontros parar para escutar o que cada um trouxe, o que os levou à catequese. Isso é importante porque o adolescente pode fazer uma valiosa transição, isto é, tomar consciência de que ele quer viver a fé, não é mais obrigado pelo pai ou pela mãe, a fé tornou-se algo seu, faz parte de sua identidade. Nesse horizonte é um recurso valioso as conversas pessoais com cada adolescente, um bate-papo que inspire confiança e alegria.

Portanto, a adolescência é uma fase que vai dos cerca de onze anos até por volta dos dezoito anos. Fase densamente sensível, com o estrondoso grito por autonomia, mas é também uma fase aberta a acolher Deus, a continuar a vida de fé iniciada na infância, sendo que agora a relação com a fé pode ser mais abstrata, possui maior senso crítico e pode viver mais intensamente a comunidade.

Pe. Abimael F. do Nascimento, msc
Mestre em Teologia
Especialista em Psicopedagogia.
[email protected]

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