Doação de órgãos | Arquidiocese de Fortaleza
Atualidades

Doação de órgãos

Dizem que aproximadamente 60% das famílias recusa doação de órgãos”. No dia 25 de setembro, do ano 2011, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma longa nota esclarecendo a posição da Igreja Católica a respeito da doação de órgãos de pessoas com morte encefálica comprovada. A questão tem sua relevância, dado o grande número de pessoas que estão à espera de algum tipo de órgão.

Os bispos, guiados pela luz do evangelho, vêem na doação voluntária de órgãos um gesto de amor fraterno em favor da vida e da saúde do próximo. A doação é considerada uma prova de solidariedade, grandeza de espírito e nobreza humana. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “a doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória” (N. 2301).

A carta encíclica “Evangelium Vitae” do papa São João Paulo II ensina: “merece particular apreço a doação de órgãos feita segundo normas eticamente aceitáveis para oferecer possibilidades de saúde e de vida a doentes, por vezes já sem esperança” (n. 86). A nota dos Bispos manifestou sua solidariedade para com milhares de pessoas que estão em lista de espera, na expectativa de receber algum órgão para sua sobrevivência, recuperação e saúde.

Os Bispos estão encorajando as pessoas e especialmente as famílias a que – livre, conscientemente e com a devida proteção legal – para doar órgãos como gesto de amor solidário em consonância com o evangelho da vida. A nota recorda que a moral católica considera lícita não apenas a doação voluntária de órgãos, bem como os transplantes, doações de sangue e de medula óssea, todas tão necessárias. Os Bispos também fazem uma alerta. Destacaram que a doação de órgãos exige rigorosa observância dos princípios éticos que proíbem a provocação da morte dos doadores, a comercialização e o tráfico de órgãos. Os Bispos citam a Lei Federal No. 10.211 de 23 de março de 2001, que determina que a família tenha o direito de decidir a doação de órgãos da pessoa em estado de morte encefálica; assim, aqueles que se dispõem à doação, devem manifestar previamente aos familiares a sua intenção.

Porém, muita gente quer saber quando é que podemos dizer com certeza absoluta que uma pessoa é realmente morta. Quando deixou de respirar ou de bater o coração? No caso de morte cerebral bem antes disso. Atualmente “qualquer diagnóstico de morte cerebral, para efeito de transplante, é feito legalmente através da arteriografia cerebral que consiste na introdução de contraste nas duas artérias carótidas e que vai evidenciar a falta de oxigênio no cérebro, tornando assim inquestionável o diagnóstico de morte cerebral”.

O mundialmente conhecido moralista Prof. Dr. Pe. Marciano Vidal afirma: “Os transplantes homoplásticos de morte para vivo são em si mesmos, inteiramente lícitos…A prática desses tipos de transplantes nós a julgamos moralmente lícita contando que o doador esteja realmente morto dadas as convenientes garantias médico-juristas, uma vez que o único princípio substancial moralmente aplicável aqui é a proibição do homicídio, com toda a sua consequência exposta sobre a distanásia e a obrigação de usar meios ordinários ou extraordinários para conservar a vida” (cf. Vidal em Moral de Atitudes, p 243).

A Igreja Católica e as igrejas cristãs são a favor da doação, depois da morte, de órgãos como: rins, coração, pulmão, córnea, fígado etc. Doar órgãos é um ato de amor e fraternidade. A doação de órgãos é um gesto de amor humano e cristão e algo agradável a Deus. E do ponto visto moral são atos lícitos, aceitáveis e legalizados.

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald,
Redentorista e Assessor da CNBB, Regional NE1

Seja o primeiro a comentar »

Seja o primeiro a comentar »


Deixe seu Comentário

Nome (necessário)

E-mail (não será publicado) (necessário)

Website

Atualidades

O Papa: a hospitalidade é uma virtude ecumênica que exige disposição para ouvir os outros

Papa acolhe renúncia de dom Carmelo Scampa e nomeia novo bispo para São Luís de Montes Belos (GO)

Papa acolhe renúncia de dom Edney Gouvea, bispo de Nova Friburgo (RJ)

padre brendan

Santo Antão, Abade

Cursos da ESPAC para o Ano de 2020