Você conhece a história da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos? - Arquidiocese de Fortaleza
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Você conhece a história da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos?

Já o papa Leão XIII tinha pensado em fazer uma novena pela unidade, aproveitando a semana que vai do dia de Ascensão à festa de Pentecostes. Mais tarde a idéia foi muito divulgada por Lewis Thomas Wattson, um anglicano que se tornou católico romano. A proposta de data feita por Wattson  era outra: de 18 de janeiro (festa da cátedra de S. Pedro em Roma) a 25 de janeiro (festa de S. Paulo); estariam assim representados nos dois apóstolos estilos diferentes de vivência cristã.  Mas, de acordo com a mentalidade católica da época, pensava-se em unidade como retorno de todos os cristãos à Igreja com sede em Roma. Como era de se esperar, tal proposta não foi bem aceita por ortodoxos e evangélicos. Em 1926, o movimento Fé e Constituição, que mais tarde vai estar na origem da formação do Conselho Mundial de Igrejas, lançou um apelo para a realização de uma Semana de Oração pela Unidade, a ser feita nos dias que antecedem a festa de Pentecostes.

Um grande impulso veio também do sacerdote católico francês Paul Couturier a partir de 1935. Mas dessa vez, a proposta mostrava uma abertura da parte católica: não se tratava de um retorno ao catolicismo, mas da reunião fraterna de Igrejas, cada uma com a sua identidade. Pe. Couturier dizia: “Que chegue a unidade do Reino de Deus, tal como Cristo a quer e pelos meios que ele quiser!”  Essa atitude ficou mais fácil para os católicos depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), que reconheceu valores nos então chamados “irmãos separados” e em suas Igrejas, afirmando que a fé comum em Cristo é princípio de comunhão e assumindo a proposta ecumênica que respeita a identidade religiosa do outro.

Para explicar o tipo de ecumenismo que queremos, hoje usamos muito a imagem dos raios de uma roda cujo centro é Jesus. As Igrejas, cada uma no seu raio, ao se aproximarem do centro, ficarão inevitavelmente mais próximas umas das outras. Não se pede conversão de uma Igreja para outra. O que se quer é o respeito e acolhida aos diferentes caminhos que conduzem à prática da unidade por amor e fidelidade a Jesus.

A partir de 1968, a Semana é preparada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, representado por sua comissão de Fé e Constituição. A data pode variar: na Europa em geral a Semana se faz de 18 a 25 de janeiro. No Brasil, preferimos o período que fica entre Ascensão e Pentecostes.

A cada ano, um país prepara a Semana de Oração pela Unidade, escolhendo o tema e elaborando indicações gerais de textos, orações, reflexões. Aqui no Brasil, o texto é recebido pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e adaptado ao nosso jeito de celebrar.

Para orientar os que vão viver a Semana, O CONIC prepara todos os anos, um livrinho com textos para as celebrações, reflexões, orações e estudos bíblicos dentro do tema. Há um cartaz para divulgar a Semana e um folheto para ser distribuído para as pessoas que participam da SOUC. Nesse material, são explicadas linhas fundamentais do ecumenismo que queremos.  O CONIC tem cinco Igrejas como membros plenos:  Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. Outras Igrejas têm-se mostrado favoráveis ao diálogo e à proposta ecumênica. Elas são parceiras tanto na oração como na ação a favor da paz e do respeito entre igrejas e religiões. Existem experiências interessante de Igrejas que não assumiram oficialmente a proposta ecumênica, mas que participam da Semana de Oração pela unidade Cristã.  Essa disposição é sempre acolhida com alegria.

A Semana de Oração pela Unidade Cristã exige cuidado, delicadeza, respeito e abertura para conhecer e reconhecer o outro como irmão e irmã. Quando várias Igrejas oram juntas é preciso conversar antes, ver se o que vai ser feito não causa problemas à sensibilidade religiosa dos participantes. Todos devem se sentir à vontade. Se algum canto, gesto ou oração causa problema para alguma das Igrejas envolvidas, o mais sensato e caridoso é substituir por algo que seja de aceitação comum. O mesmo se dirá a respeito do local de reunião. Isso não é calar a própria identidade: é dar tempo ao tempo, deixar a confiança mútua crescer aos poucos e não pressupor que podemos consertar em uma semana o que levamos séculos estragando.

Existem também situações especiais. Imaginemos que, numa cidade muito pequena, não haja duas Igrejas que já queiram rezar juntas; é possível uma Igreja viver a Semana com seus próprios fiéis, educando-os para o amor e o respeito às diferentes tradições de fé.

O ecumenismo orienta para uma espiritualidade de acolhida, escuta, aproximação e respeito entre diferentes formas de viver a fé em Jesus Cristo. Isso é muito importante também para o convívio dentro da própria Igreja, na família e no trabalho. Todos e todas nós conhecemos e convivemos com pessoas com diferentes pertenças religiosas.

Pentecostes é uma festa que tem tudo a ver com ecumenismo: as pessoas, nesse dia, não passaram a falar, todas, a mesma língua, mas entenderam a pregação de Pedro cada uma do seu jeito. Elas se sentiram unidas por um Evangelho comum. Bom mesmo será se o espírito da Semana de Oração pela Unidade Cristã perdurar e dela nascerem outras iniciativas: grupos conjuntos de reflexão bíblica, festivais de música entre as Igrejas, ações de promoção social realizadas ecumenicamente… e o que mais o Espírito Santo inspirar.

Fonte: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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