Compaixão, companheira diária | Arquidiocese de Fortaleza
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Compaixão, companheira diária

Padre Geovane Saraiva*

Compaixão, virtude que deve acompanhar os seres humanos, é um sentimento solidário que nos causa dor e sofrimento, sofrendo com os que sofrem, irmanados no mesmo espírito. Mas certos de que a mesma é um remédio pedagógico que cura aquele amor compulsivo e insaciável de possuir, do qual não conseguimos nos separar com nossas próprias forças. Compaixão é um desejo de justiça, imprescindível para a vida de fé, social e comunitária, e é vista, neste tempo de pandemia, como sementes de esperança, como bem afirmou Dom Helder: “Quais sementes desejo espalhar pela terra? Sementes de paz, de amor, de compreensão e de esperança. Há tanto desespero, desengano, decepção, frustração e desesperança! Sementes de esperança, sem dúvida, chegariam em boa hora”.

Compaixão não deve ser apenas mais uma combinação de esforços na maneira de ser, liberando seu ego aprisionado, mas no sentido de enxergar seus semelhantes, com o sentimento de ir ao encontro dos fracos. Vivemos numa sociedade, em que cada vez mais só se reconhece os fortes ou os vencedores, mas, dentro da lógica humana, esquece-se de que o cristianismo tem por base a preocupação com o verdadeiro humanismo, mesmo sendo uma virtude das lágrimas, porque sofrer com o outro é reconhecer a criatura humana como sendo a imagem de Deus.

Nós todos, diante da companheira “compaixão”, somos convidados a ajudar, a partir da pandemia, a Auristela em seu gesto concreto: “A pandemia está aumentando ainda mais a desigualdade social; além do medo da doença e da morte, o auxílio emergencial não chegou para muitas famílias, aumentando as dificuldades de alimentação. Estamos nos mobilizando para atender algumas das famílias de nossa comunidade, e você pode ajudar! Colabore com a campanha ‘É tempo de cuidar’. Doe alimentos e materiais de higiene pessoal. Que Santo Afonso interceda por nós!”.

Desmanchar a montanha da falta de esperança, do orgulho e do egoísmo, que está dentro de nós, só mesmo amparados pela tão visível simbologia do manto da paz, da justiça e da compaixão. Dom Helder Câmara nos ensina o sentido da verdadeira e autêntica compaixão. Quando resolvemos buscar a referida e tão sonhada esperança, na fé a nós ensinada de que Deus é Pai de todos, vivemos a vida de irmãos sem nos afastarmos da promessa divina: a de a terra se transformar em céu e de o céu se transformar em terra. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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