O Papa Leão XIV, conforme decreto promulgado na manhã desta quinta-feira, reconhece as Virtudes heroicas do Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde

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Foto: Instituto Padre Júlio Maria

Na manhã desta quinta-feira, dia 18 de junho de 2026, o Santo Padre, o Papa Leão XIV, recebeu em audiência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos e autorizou a promulgação do Decreto que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde, religioso-sacerdote, nascido em 7 de janeiro de 1878, em Beveren-Leie (Waregem), Bélgica, e falecido em 24 de dezembro de 1944, em Alto Jequitibá [Distrito Pe. Júlio Maria], Minas Gerais, Brasil.

O Venerável Servo de Deus, Pe. Júlio Maria De Lombaerde, é fundador das Congregações: Filhas do Coração Imaculado de Maria [Irmãs Cordimarianas], Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.

Com a decisão, ele recebe oficialmente o título de Venerável, uma das etapas do processo de reconhecimento de santidade na Igreja Católica. O próximo passo é o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, o que pode levar à beatificação, quando ele passa a ser chamado de Beato. Depois, um novo milagre pode levar à canonização, quando a Igreja o reconhece como Santo.

Na prática, o decreto reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus, ou seja, é um atestado oficial do Vaticano de que essa pessoa não apenas foi boa, mas que viveu as virtudes como fé, esperança, caridade, justiça, prudência, temperança, fortaleza, bem como os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade, de forma heroica, à custa do Amor e Sacrifício, lema, do Venerável, legado às suas congregações.

Quem foi o Venerável Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde?

            Seu nome de batismo e civil é: Júlio Emílio Alberto De Lombaerde. No Brasil passou a chamar-se: Pe. Júlio Maria De Lombaerde, MSF. Por causa de sua grande devoção terna e filial à Nossa Senhora, acrescentou “Maria” ao seu nome e suprimiu “Emílio Alberto”.

            Seus pais foram José De Lombaerde e Sidônia Rosália Steelandt De Lombaerde, gente de “fé camponesa”. Pareciam ter a Lei do Senhor gravada no coração. A família De Lombaerde, era, realmente, uma verdadeira Igreja doméstica, pois tudo repousava sobre os valores da vida cristã. Souberam incutir nos filhos as virtudes morais e cristãs.

            O casal teve nove filhos varões. Sobreviveram apenas os dois: Júlio Emílio e Aquiles João, que se tornaram padres missionários. Os outros tiveram vida meteórica.

            Beveren-Leie, região de Waregem – Bélgica, foi a terra natal de Júlio Emílio, onde nasceu aos 07 de janeiro de 1878, foi batizado e registrado no cartório civil, no dia 08 de janeiro de 1878. Aos oito anos, a família mudou-se para Tenheede, bairro de Waregem, onde Júlio Emílio viveu até quase à idade de 17 anos. Em 1889, na igreja paroquial de Waregem, fez a 1ª comunhão e recebeu o Sacramento da Crisma.

            Júlio Emílio viveu em uma época e meio, em que era grande o entusiasmo pelas missões estrangeiras. Não tinha ainda 17 anos completos, quando o desejo de ser missionário lhe irrompeu dentro do coração, conquanto não muito delineado. Inicialmente, não pensava em abraçar o Sacerdócio. Aspirava apenas a consagrar a vida à salvação das almas dos infiéis.

            Estudava ele no Colégio São José, de Torhout, quando ouviu o tocante sermão de um velho Bispo da África. O Prelado falou sobre a situação de extrema pobreza e ignorância religiosa dos africanos da África, dignos de comiseração, e que vinha pedir uma esmola para minorar os seus sofrimentos e para o trabalho de evangelização deles. Sua pregação foi tão comovente que sensibilizou a todos.

            Júlio Emílio, tocado ainda mais pela graça de Deus, não resistiu mais. Viu que a melhor esmola, que poderia dar, seria sua própria vida. Desde aquele dia, o seu ideal missionário se definiu em seu espírito.

            Terminado o ano escolar (1894), voltou para junto da família, com a firme resolução de entregar-se inteiramente a Deus, se tornando missionário em terras africanas. E em dezembro daquele ano, seguiu para a Casa de Missões “São Carlos”, dos Padres Brancos (Missionários de Nossa Senhora da África), em Boxtel – Holanda, a fim de um melhor discernimento vocacional e preparar-se para o Noviciado.

            Em outubro de 1895, partiu para Maison Carrée, Argel, Capital da Algéria, onde estava a Casa Central de Formação dos Padres Brancos. Entrando para o Noviciado, como Irmão leigo missionário, recebeu o nome de Ir. Optato Maria. Concluído o Noviciado, foi enviado para várias frentes missionárias da Congregação. Trabalhou com muito entusiasmo, como missionário, seis anos no Continente africano.

            Porém, acometido de repetidas febres malignas e não obtendo cura, foi-lhe nascendo no coração um outro projeto vocacional. Foi sentindo que, como padre poderia fazer muito mais pelo povo. Mas, antes de qualquer decisão, pensou em fazer um voto à Nossa Senhora. Se ela o curasse, seria esta a vontade explícita de Deus. Uma vez curado miraculosamente, com permissão de seus Superiores, entrou em contato com o Pe. João Batista Berthier, MS que tinha fundado uma congregação para as “vocações tardias” na Holanda. Em fevereiro de 1902, ingressou nessa nova Congregação.

            Ordenou-se padre, aos 13 de junho de 1908. Em 1910, foi nomeado para a fundação de um Seminário da Congregação em Wakken, Bélgica. Lá, dedicava-se também à pregação de missões.

            Em setembro de 1912, foi nomeado para as missões no Brasil. Aportou em Recife-PE, em 15 de outubro daquele ano. Passou algum tempo em Natal-RN, mas o seu destino era Macapá-AP, aonde chegou em 27 de fevereiro de 1913.

            Em Macapá, entregou-se, de corpo e alma, às tarefas missionárias, sem jamais secundarizar a vida espiritual, por isso, em pouco tempo, transformou aquela paróquia. Foi percebendo que a missão precisava de operários para a messe. Veio-lhe então a ideia de fundar uma congregação de Irmãs. Com a aprovação do Bispo de Santarém-PA, lançou as bases da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria – conhecidas por “Irmãs Cordimarianas” –, no dia 21 de novembro de 1916.

            Em 1923, transferiu a Casa de Governo das Irmãs e o Noviciado para Icoaraci, subúrbio de Belém-PA. Uma vez liberado das atividades paroquiais, foi-lhe nascendo no coração a ideia de fundar também o ramo masculino das Irmãs Cordimarianas.

            Devido a uma série de dificuldades e sem a aprovação do Arcebispo de Belém, apesar de ser até liberado pelo seu Superior Geral para dedicar-se à obra sacerdotal, o seu projeto não pôde ser realizado.

            Foi nessa ocasião que Dom Carloto Fernandes da Silva Távora, Bispo de Caratinga-MG, ficou sabendo de seu projeto. Comunicou-lhe que lhe daria toda ajuda necessária se ele viesse fazer a fundação em sua Diocese.

            Em 1926, foi transferido para a paróquia de São Pedro Apóstolo, do Alecrim, bairro de Natal-RN, com o pedido de ali trabalhar até que a Congregação pudesse mandar mais um padre para lá. Só em 1928 é que vai ser liberado para vir para o Sudeste. Chegou a Manhumirim-MG, a 24 de março de 1928.

            Em Manhumirim deu início a fundação da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, ou seja, dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, que foi erigida canonicamente, no dia 25 de março de 1929 e, no mesmo ano, no dia 24 de dezembro, a fundação das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.

            Ademais, fundou o Jornal ‘O Lutador’, Colégios, Hospitais, Patronatos, Albergues para idosos…

            Depois de 16 anos de uma dedicação admirável ao ministério paroquial, à estabilização das duas Congregações, por ele fundadas, e à formação de padres, religiosos e religiosas, veio a falecer em um acidente de carro na tarde de 24 de dezembro de 1944, em Vargem Grande, hoje Distrito Pe. Júlio Maria, em Alto Jequitibá-MG.

            Todos que conheceram o Pe. Júlio Maria e com ele conviveram, o têm como santo, e acham que ele deveria ser canonizado, pois era um homem inteiramente de Deus, de muita oração, de um amor acendrado à Eucaristia, à Nossa Senhora e à Igreja, uma alma contemplativa, de um admirável zelo apostólico. Tinha uma veneração especial pelo Papa e grande respeito pelos Bispos, sobretudo pelo seu Bispo, a quem tratava com muita reverência. Foi um defensor acérrimo da Igreja, principalmente através da pena. Escreveu mais de 80 livros de espiritualidade, em defesa da Igreja e de divulgação, em linguagem popular, da teologia da Igreja.

            Através dele, já foram alcançadas dezenas de graças e, acreditamos, mesmo alguns milagres.

Oração pela Beatificação do

Venerável Servo de Deus

Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Ó Trindade Santa, vós que sois a fonte de toda santidade, nós vos louvamos por vosso servo Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que, assemelhando-se ao Cristo Eucarístico, cuidou do vosso rebanho com amor, zelo e doação.

E, deixando-se guiar pelo Espírito Santo, assim como a Virgem Maria, testemunhou a ternura missionária da Igreja. Concedei-me, ó Trindade Santa, pela intercessão do Venerável Júlio Maria, a graça que vos suplico [pedir a graça]. E, se for de Vossa santa vontade, dai que o Venerável Júlio Maria alcance a honra dos altares, para a Vossa glória e para o bem de tantas almas. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

[Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.]

Com aprovação Eclesiástica

+ Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo Emérito da Diocese de Caratinga-MG

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento,

Rogai por nós que recorremos a Vós!

Venerável Júlio Maria De Lombaerde,

Intercedei por nós!

Em conformidade com decretos do Papa Urbano VIII, declaramos que nada se pretende prevenir o juízo da Autoridade Eclesiástica, e que esta oração não tem qualquer finalidade de culto público.

CONTATOS:

Instituto Padre Júlio Maria De Lombaerde

www.padrejuliomaria.com.br

[email protected]

Pe. Heleno Raimundo da Silva, SDN

Administrador da Causa de Beatificação

[33] 9 9150-0012

Texto: Instituto Padre Júlio Maria.

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