41ª Semana do Migrante aborda tema da moradia, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026

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Entre os dias 14 e 21 de junho de 2026, comunidades de todo o país realizarão a 41ª Semana do Migrante. Promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a edição deste ano traz como tema “Migração e Moradia” e o lema impactante “Eu não tenho onde morar!”.

A mobilização está em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda a “Fraternidade e Moradia”. O objetivo é convidar a Igreja e a sociedade civil a refletirem sobre a habitação não apenas como uma necessidade, mas como um direito fundamental e uma expressão concreta de acolhida. A iniciativa reforça o convite para que a sociedade brasileira veja a moradia não como mercadoria, mas como um direito humano frequentemente negado por estruturas de exclusão.

O SPM chama a atenção para a vulnerabilidade de migrantes, refugiados, apátridas e deslocados que, ao buscarem recomeçar a vida em novas cidades, encontram barreiras no acesso a condições dignas de habitação. O texto-base deste ano destaca um contraste crítico: o país enfrenta um déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias, conforme levantamento da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades e o IBGE. A campanha estabelece um paralelo entre essa realidade e as Escrituras, recordando que o clamor “Eu não tenho onde morar!” ecoa desde o povo escravizado no Egito e os exilados na Babilônia até a figura de Jesus, que “não tinha onde reclinar a cabeça”.

De acordo com a análise de Ozania da Silva, da coordenação colegiada do SPM, a precariedade habitacional não é um problema isolado, mas o eixo central de um ciclo de exclusão que afeta a sobrevivência e a dignidade humana.

“A incerteza habitacional gera estresse, o que pode agravar problemas de saúde mental e emocional, violência baseada em gênero e a separação de núcleos familiares. Os refugiados frequentemente vivem em coabitação extrema ou moradias inadequadas, compartilhando o mesmo espaço com muitas pessoas, o que compromete a dignidade humana”, afirmou Ozania.

A pastoral aponta que o cenário de déficit habitacional é agravado pelo ônus excessivo com o aluguel, que atinge sobretudo as famílias empobrecidas. Isso força a maioria dos migrantes e refugiados a comprometer a maior parte de sua renda apenas para não viver nas ruas. Como consequência, essa população é empurrada para as periferias ou ocupações precárias, perpetuando uma lógica de mercado que prioriza o lucro sobre a vida.

Mobilização e materiais de apoio

A 41ª Semana do Migrante propõe uma programação diversa, que abrange desde celebrações litúrgicas até ações de incidência política. O SPM incentiva a realização de rodas de conversa baseadas no método “ver, discernir e agir”, momentos culturais e audiências públicas para ampliar o debate sobre direitos humanos e o combate à xenofobia e ao racismo.

Para apoiar a mobilização, o SPM disponibiliza materiais de formação, incluindo o texto-base, roteiros para rodas de conversa e um roteiro litúrgico para o Dia Nacional do Migrante, celebrado este ano em 21 de junho. O material conta com sugestões de preces, homilias e espaço para depoimentos de pessoas migrantes. Todos os recursos estão disponíveis em formato digital para download.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR OS MATERIAIS DA 41ª SEMANA DO MIGRANTE

Papa Leão ressalta dignidade de migrantes

Durante sua viagem a Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, o Papa Leão XIV destacou e inclinou-se diante da dignidade dos migrantes atendidos pelas organizações da região. Para o pontífice, eles não são números nem processos administrativos, mas “pessoas com uma família e uma casa deixada para trás; com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”.

Leão também destacou a proteção das vidas dos migrantes: “cada vida humana é uma bênção de Deus. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la, porque em cada pessoa resplandece a imagem e semelhança do Criador (cf. Gn 1, 27)”.

Em seu discurso, ele também alertou que o drama dos migrantes, especialmente os que se arriscam no mar em embarcações precárias, deve se tornar um exame de consciência:

“[…] para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para as nações de passagem, chamadas a proteger e a não deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional, chamada a uma cooperação eficaz e perseverante.

Também a Igreja é interpelada, uma vez que o acolhimento não pode ser algo secundário ou delegado a alguns voluntários. Segundo o Papa, a adoração a Cristo na Eucaristia, “de quem recebemos a força e a motivação para viver a caridade”, não pode se tornar indiferença às canoas e as pequenas embarcações.

Além das ações em favor dos migrantes que buscam uma vida melhor em outros lugares, o Papa salientou que a dignidade humana também exige “políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na própria terra”.

Fonte: CNBB nacional / Cláudia Pereira/CEPAST.

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