No centro das tensões globais, o único padre da Groenlândia acompanha um povo que pede respeito

A Groenlândia, a maior ilha do mundo, voltou ao centro do noticiário internacional nas últimas semanas por causa de sua crescente importância geopolítica e ambiental. O território, que integra o Reino da Dinamarca, passou a ser citado em debates globais envolvendo rotas estratégicas no Ártico, mudanças climáticas e declarações políticas de lideranças internacionais, reacendendo discussões sobre soberania e controle da região.
Em meio a esse cenário, uma pequena comunidade católica vive sua fé de forma discreta, reunida em torno do único sacerdote da ilha. O padre Tomaž Majcen, franciscano conventual esloveno, atua na Groenlândia desde 2023. Radicado em Nuuk, a capital, ele celebra diariamente na Igreja de Cristo Rei, a única paróquia católica do território, e percorre longas distâncias para atender fiéis espalhados por outras localidades.
Segundo o sacerdote, a comunidade católica local reúne cerca de 800 pessoas, em sua maioria imigrantes de diferentes países, além de alguns groenlandeses. A vida pastoral acontece em um contexto marcado por temperaturas extremas, isolamento geográfico e, mais recentemente, por uma inquietação silenciosa diante da atenção internacional repentina.
Majcen relata que muitos moradores se sentem desconfortáveis com a forma como a Groenlândia é mencionada em discursos políticos distantes, como se fosse apenas um espaço estratégico ou um conjunto de recursos naturais. Para ele, esse tipo de narrativa ignora que a ilha é o lar de famílias, tradições e histórias concretas. O sacerdote observa que, embora a população seja reservada, há um sentimento real de apreensão e tristeza diante de falas que sugerem controle externo ou anexação.
Além das tensões políticas, a Groenlândia enfrenta desafios sociais importantes, como altos índices de alcoolismo e suicídio, o que torna ainda mais sensível o impacto de discursos que geram insegurança. Nesse contexto, o padre afirma que a missão da Igreja é oferecer escuta, estabilidade e esperança, lembrando a dignidade de cada pessoa.
A ilha também ocupa papel central no debate climático, já que o aquecimento global acelera o derretimento da calota polar. Recentemente, o governo autônomo groenlandês decidiu proibir novas explorações de petróleo e gás, priorizando a preservação ambiental e investimentos em pesca, turismo e energia sustentável. Para Majcen, o cuidado com esse território frágil é também uma expressão de fé.
Mesmo sendo minoria em um país majoritariamente luterano, a comunidade católica tem vivido gestos de proximidade ecumênica. Líderes cristãos locais têm incentivado a oração pela paz e pela estabilidade, como resposta às tensões recentes. Para o único padre da Groenlândia, essa unidade é um sinal concreto de esperança em tempos de incerteza.
Fontes:
ACI Prensa
EWTN News English