
Durante a Quaresma, ressoou intensamente o apelo à penitência e à conversão, para que os cristãos participassem mais profundamente da Páscoa de Cristo. Um binômio dialético perpassou toda a nossa espiritualidade quaresmal, convidando-nos a unir-nos a Cristo na morte e na ressurreição, eventos culminantes de Sua obra redentora.
A Quaresma nos preparou espiritualmente para celebrar solenemente esta Páscoa de Jesus, para a glória da ressurreição, e fazer dela também a nossa Páscoa. Páscoa – festa das festas: a maior de todas, marcadamente presente no calendário litúrgico da Igreja Católica. Dessa forma, a celebração que vivemos implica morrer para a vida velha e permitir o desabrochar das sementes que germinam na direção da construção de uma vida nova.
Posto isso, a celebração da Páscoa é o eixo de todo o ano litúrgico e de todas as celebrações de nossa Igreja. Nesta Páscoa, meditamos que a morte não possui a última e definitiva palavra sobre a existência humana. Assim como a última palavra não foi a guerra, mas a paz; não foi o ódio, mas o amor. A morte não foi a última palavra dada ao mundo, mas a vida plena, concedida por Cristo em Sua ressurreição.
A ressurreição significa, para os cristãos, o sinal de que as grandes aspirações da vida humana não são sonhos inúteis. Ela é um dom que carregamos como em vasos de argila, mas que pode ser perdido pela vaidade intelectual. Foi de um túmulo frio e escuro, no seio da terra, que a semente esmagada e pisada brotou vigorosa e triunfante. Com esse triunfo, foram frustrados os planos dos poderosos, sobretudo das autoridades de Jerusalém que O rejeitaram.
A partir do túmulo vazio, tudo se revelou: Deus não abandonou Jesus de Nazaré. Pelo contrário, estava ao lado daquele que foi considerado maldito pela lei. Deus não permitiu que a sepultura de Jesus fosse esquecida, mas fez com que todos os grilhões se rompessem, e Ele emergisse para uma vida não mais ameaçada pela morte, mas selada pela eternidade.
Os Evangelhos narram passagens nas quais Jesus ressuscitou algumas pessoas: o jovem de Naim, a filha de Jairo e o amigo Lázaro. Todos, porém, voltaram a morrer. Há, contudo, uma diferença fundamental entre essas pessoas e Cristo: elas retornaram da morte à vida e morreram novamente. Cristo, porém, não voltou à vida antiga, mas entrou em uma vida nova, atravessando a morte.
Ele já não tem mais a morte diante de Si. Ele venceu a morte e está vivo e vitorioso dentro de nós!
Feliz Páscoa!
Pe. Raimundo Neto
Vigário da Paróquia de São Vicente de Paulo – Fortaleza