Papa Leão XIV: na Igreja há e deve haver lugar para todos

Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira – Foto: Vatican Media

O Papa continuou a reflexão sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, refletindo sobre o tema da Igreja, povo de Deus. “Mesmo aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão, de algum modo, orientados para o Povo de Deus, e a Igreja, cooperando na missão de Cristo, é chamada a difundir o Evangelho por toda a parte e a todos, para que todos possam entrar em contato com Cristo”, disse o Pontífice.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (11/03), o Papa Leão XIV continuou a reflexão sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, focando no segundo capítulo, dedicado ao Povo de Deus.

Leão XIV disse que Deus “realiza a sua obra de salvação na história escolhendo um povo específico e habitando entre ele”. “Com os filhos de Abraão, depois de os libertar da escravidão, Deus faz uma aliança, acompanha-os, cuida deles e reúne-os sempre que se desviam”, frisou. De acordo com o Papa, “a identidade deste povo é dada pela ação de Deus e pela fé n’Ele. São chamados a tornar-se luz para as outras nações, como um farol que atrairá todos os povos, toda a humanidade”.

O Concílio afirma que «todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida e da revelação mais completa que seria transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne». É, de fato, Cristo que, no dom do seu Corpo e Sangue, reúne definitivamente este povo em si. Agora, é composto por pessoas de todas as nações; é unificado pela fé n’Ele, pela adesão a Ele, por viver a sua própria vida animada pelo Espírito do Ressuscitado.

“Esta é a Igreja: o povo de Deus que extrai a sua existência do corpo de Cristo e que é ele próprio o corpo de Cristo; não um povo como os outros, mas o povo de Deus, chamado por Ele e composto por mulheres e homens de todos os povos da terra. O seu princípio unificador não é uma língua, uma cultura, uma etnia, mas a fé em Cristo”, sublinhou.

É um povo messiânico, precisamente porque o seu guia é Cristo, o Messias. Os seus membros não ostentam méritos nem títulos, mas apenas o dom de serem, em Cristo e por meio d’Ele, filhos e filhas de Deus. Antes de qualquer tarefa ou função, portanto, o que realmente importa na Igreja é ser enxertado em Cristo, ser filho de Deus pela graça. Este é também o único título honorífico que deveríamos procurar como cristãos.

Segundo o Papa, “estamos na Igreja para receber continuamente a vida do Pai e viver como seus filhos e irmãos uns dos outros. Consequentemente, a lei que anima as relações na Igreja é o amor, tal como o recebemos e o experimentamos em Jesus; e o seu objetivo é o Reino de Deus, para o qual ela caminha juntamente com toda a humanidade”.

“Unificada em Cristo, Senhor e Salvador de todo o homem e mulher, a Igreja nunca poderá fechar-se sobre si mesma, mas estará aberta a todos e para todos”, disse ainda Leão XIV. “Mesmo aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão, de algum modo, orientados para o Povo de Deus, e a Igreja, cooperando na missão de Cristo, é chamada a difundir o Evangelho por toda a parte e a todos, para que todos possam entrar em contato com Cristo”, sublinhou. “Isto significa que na Igreja há e deve haver lugar para todos, e que todo o cristão é chamado a anunciar o Evangelho e a dar testemunho em todos os ambientes em que vive e trabalha. Assim demonstra a catolicidade deste povo, acolhendo as riquezas e os recursos das diferentes culturas e, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes a novidade do Evangelho para as purificar e elevar”, disse ainda o Santo Padre, acrescentando:

É um grande sinal de esperança – sobretudo nos nossos dias, marcados por tantos conflitos e guerras – saber que a Igreja é um povo no qual, em virtude da fé, coexistem mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas: é um sinal colocado no próprio coração da humanidade, uma recordação e profecia daquela unidade e paz para as quais Deus Pai chama todos os seus filhos.

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