No terceiro dia de sua viagem a Camarões, Leão XIV celebrou a Missa no Japoma Stadium, em Douala, e destacou a partilha como caminho de justiça e esperança. “A multiplicação dos pães acontece na partilha: eis o milagre!”, afirmou.
Thulio Fonseca – Vatican News
Na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, terceiro dia da viagem apostólica a Camarões, o Papa Leão XIV deixou Yaoundé em direção a Douala. No Japoma Stadium, construído no alto de uma colina, presidiu à Santa Missa diante de numerosos fiéis que o acolheram com entusiasmo, saudando-o com alegria à sua chegada a bordo do papamóvel.
O milagre que nasce da partilha
Na homilia, proferida em francês e inglês, o Santo Padre partiu do Evangelho da multiplicação dos pães para refletir sobre a realidade humana marcada pela necessidade e pela responsabilidade comum. Recordando a multidão faminta, afirmou que a pergunta de Jesus continua atual e dirigida a todos: “Olhai quanta gente faminta, oprimida pelo cansaço. O que fazeis?” O Papa sublinhou que essa interrogação envolve cada pessoa, independentemente de sua condição, pois todos experimentam a mesma fome e fragilidade. Diante disso, destacou que a resposta de Cristo não é teórica, mas concreta: a partilha.
“A multiplicação dos pães e dos peixes acontece na partilha: eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa. Observemos bem o gesto de Jesus: quando o Filho de Deus toma o pão e os peixes, antes de mais nada dá graças. Agradece ao Pai por um bem que se torna dom e bênção para todo o povo.”

Um pão que alimenta corpo e alma
Leão XIV recordou ainda que, além do alimento material, a humanidade necessita de um alimento mais profundo: “Ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma.” Esse alimento, afirmou, é o próprio Cristo, presente na Eucaristia, que fortalece e sustenta o caminho dos fiéis. A celebração eucarística torna-se, assim, fonte de esperança e sinal concreto da caridade de Deus, capaz de transformar a história.
Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Papa fez um forte convite à responsabilidade e ao protagonismo: “Sede vós, em primeiro lugar, os rostos e as mãos que levam ao próximo o pão da vida.” Exortou-os a não cederem ao desânimo nem às ilusões de ganhos fáceis, mas a valorizarem os dons do seu povo, a fé, a família, a hospitalidade e o trabalho, tornando-se construtores do futuro:
“Mesmo no vosso país tão fértil, Camarões, muitos experimentam a pobreza, tanto a material como a espiritual. Não cedais à desconfiança e ao desânimo; rejeitai toda a forma de abuso e de violência, que iludem prometendo ganhos fáceis, mas endurecem o coração e tornam-no insensível.”

Testemunhas de esperança
O Santo Padre concluiu encorajando todos a viverem o Evangelho com coragem, mesmo em meio às dificuldades, recordando que anunciar Cristo significa transformar a realidade com sinais concretos de justiça, paz e fé, e concluiu:
“Anunciar Jesus Ressuscitado significa traçar sinais de justiça numa terra sofredora e oprimida, sinais de paz entre rivalidades e corrupções, sinais de fé que nos libertam da superstição e da indiferença.”
Ao término da celebração, o arcebispo de Douala, dom Samuel Kledal, dirigiu palavras de agradecimento ao Pontífice. Em seguida, o Papa seguiu para uma visita privada ao Hospital Católico Saint Paul de Douala. Posteriormente, retornou a Yaoundé, onde prossegue sua agenda. Ainda nesta sexta-feira, está previsto um encontro com jovens universitários no final da tarde.