Conselho dos Leigos | Arquidiocese de Fortaleza
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Conselho dos Leigos

Convite especial

Convidamos a todas e todos da nossa Arquidiocese, para celebrar conosco o Dia Nacional do Leigo, na Santa Missa às 8 horas da manhã, do dia 22, no Canal 5- TVC. Será presidida por Dom Júlio César Sousa de Jesus, bispo auxiliar de Fortaleza e animada pelo coral da Paróquia Santuário São Benedito.

Reze conosco e abra o coração à generosidade, doando para a COLETA DO BEM. Cuidar do outro é nossa marca.

Somos convocados a “ver, sentir compaixão e cuidar”. 

Deus os abençoe!

Irmãos e irmãs, feliz Dia do Leigo!

Tendo conhecido o material elaborado para as celebrações da Semana  do Leigo e do dia comemorativo, lembramos que os encontros preparativos, estão disponíveis no Canal do Youtube, realizados com muito gosto, conforme as indicações dos subsídios.

Você pode rever e celebrar com sua comunidade, seu grupo, sua paróquia, diocese ou  Regional, até depois do dia 22, na semana seguinte, uma oportunidade de refletir sobre a missão do leigo e da leiga e sua corresponsabilidade na Ação Evangelizadora da Igreja. A preparação seguirá com uma programação especial sobre a “consciência negra”. Participe!

Há 29 anos a Igreja no Brasil celebra o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas no último domingo do ciclo litúrgico anual, unindo uma antiga tradição da Ação Católica, onde neste domingo se recordava o batismo como fonte da missão, com a celebração de Cristo Rei, que nos coloca frente à realidade do Reino que Jesus veio inaugurar, um contraponto aos poderes e poderosos de hoje.

Da união destas duas realidades, temos o convite que se repete incansavelmente: iluminados pelo batismo, somos chamados ao serviço dos irmãos e irmãs e de toda a criação, como o próprio Jesus o fez: lavei os pés de todos, e sou o seu Senhor, quem tem autoridade, se faça servidor” (Canto de comunhão da CF 1996).

Diante da profunda crise política, econômica e social na qual o país está mergulhado, que se manifesta na retirada de Direitos e no desmonte do Estado de bem-estar social, ferindo invariante os pobres, o lema de 2020 Cristãos Leigos e Leigas: testemunho e profecia a serviço da vida é justamente este chamado a continuar a obra de Jesus, Eu vos chamei a serviço da justiça (Is 42,6).

Já é avançada a hora de levantarmos a voz e fortalecer o coro dos lúcidos na proteção irrevogável da vida, na defesa dos direitos humanos, no amparo dos excluídos e excluídas, na manutenção dos direitos sociais que garantem a vida digna dos trabalhadores e trabalhadoras, na salvaguarda de toda a criação, dando a contribuição que nos cabe e buscando alternativas solidárias e sustentáveis no campo político e econômico.

Para uma fé tranquila a resposta é clara: somos testemunhas de Jesus de Nazaré que é o Cristo, o Filho unigênito e eterno de Deus, enviado como homem para nos libertar de nossos pecados; n’Ele se cumpriu toda a profecia feita aos nossos pais.

Temos clareza do profundo testemunho que o laicato brasileiro tem dado, o amor que nos impele a estarmos na linha de frente no chão onde atuamos e pisamos, testemunhando com convicção que o mundo como ele se encontra hoje configurado não responde ao projeto sonhado por Deus.

Por isso somos e acreditamos num laicato que não se cala diante desses fatos, fazemos ecoar os muitos gritos dos que são conscientes, dos que estão nas periferias, nas ruas, que são solidários…

Assim, para bem celebrarmos a grande festa do laicato católico brasileiro, disponibilizamos o presente material. Não é apenas mais um roteiro, mas uma reflexão profunda sobre alguns temas que julgamos capitais para bem entender o momento que vivenciamos tão desafiador para nós, cristãos leigos e leigas, convocados e responsáveis a ser sal da terra, luz no mundo e fermento na massa.

Na primeira parte, abordamos as raízes históricas da Celebração do Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas e sua atualidade, refletindo a dimensão do serviço aos pobres, exigência para o seguimento de Jesus.

O texto segue com três temas críticos, que precisamos pautar em nossas rodas: Direitos Humanos, Economia de Francisco e Clara e Dia Mundial do Pobre.

Outros subsídios compõem o anexo como serviço à Igreja no Brasil: um roteiro de Celebração Doméstica, tão apropriado para os dias de pandemia, algumas sugestões para dinamizar a Celebração Eucarística da comunidade e um roteiro para grupo de jovens.

Na esperança de que o laicato católico brasileiro, por força do compromisso que nasce junto à fonte batismal, ajude a superar os sinais de morte tão presentes em nossos dias, pedimos a intercessão da Senhora Aparecida para o Brasil e cada um e cada uma de nós.

Sônia Gomes de Oliveira
Presidente

Veja o subsidio para o Dia do Leigo

Prezados irmãos e irmãs do Laicato da Arquidiocese de Fortaleza, paz e luz com as bênçãos do Senhor e de N. Sra. da Assunção.

Estamos iniciando o processo de preparação, para celebrar o dia Nacional do Laicato, na Festa do Cristo Rei que será no fim de semana 21 e 22 de novembro de 2020 (material aqui). Com este objetivo, agradecemos um espaço aberto na página da Arquidiocese, no qual vamos comunicar e transmitir as informações necessárias para que o mês de novembro seja de muita animação e incentivo ao fortalecimento da missão que aos leigos e leigas é confiada.

O espaço citado será identificado por Conselho de Leigos, bem amplo a fim de podermos transmitir notícias, formação, palestras e outras reflexões das diversas instâncias (nacional, regional, arquidiocesana) enriquecendo a vida, o testemunho e o entusiasmo de todos que agem como corresponsáveis pela ação evangelizadora da Igreja e como batizados pelo anuncio do Plano do Reino, de vida plena par todos.

Neste primeiro momento, desejamos apresentar através de uma LIVE o Lançamento Oficial do Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas realizado pelos Organismos do Povo de Deus/CNBB, incluindo reflexão do Presidente da CNBB, Dom Valmor de Oliveira e outras participações. Há também cartaz e vários subsídios, para serem utilizados como de costume, nos encontros preparatórios e na celebração do dia, todos disponíveis no endereço eletrônico enviado.

Neste ano tão difícil, mas que nos convida a alimentar a esperança de um mundo melhor para todos, somos provocados/as a fortalecer a coragem de sermos verdadeiros testemunhos de Cristo e como disse a presidente do CNLB /Nacional “ é preciso ousadia para que a vida prevaleça”.

 Neste espírito de fé, ousadia e esperança, vamos conhecendo esta fonte que vai alimentar nossa alegria de celebrar a missão do laicato e nosso entusiasmo na vivência dos valores cristãos. CONHEÇA, LEIA E VIVA!!!

 Coordenação Arquidiocesana do Laicato

“Ouvi o clamor de meu povo”.

É urgente defendermos o meio ambiente e os direitos humanos e sociais no Brasil

pandemia da Covid-19 nos trouxe mais próxima a certeza de que algo nos antecede e nos une profundamente. A solidariedade e a fraternidade seriam o caminho a ser descoberto pelo mundo na crise. Porém, temos visto a desigualdade aumentar: enquanto os muito pobres caminham para a fome e a miséria, os muito ricos ficaram muito mais abastados à custa da vida dos demais”, manifestaram-se a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, em nota, sobre o atual momento do país.

Eis a nota.

Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, preocupados com o momento atual do país, expressam sua indignação e convocam à ação coletiva, pacífica e organizada, em defesa da vida das pessoas e dos biomas, visto que vivemos um processo de forte ampliação das injustiças e desigualdades sociais, que nos faz lembrar os sábios ensinamentos: “aquele que oprime o pobre censura o seu Criador, mas aquele que O honra tem misericórdia dos necessitados” (Provérbios 14,31).

pandemia da Covid-19 nos trouxe mais próxima a certeza de que algo nos antecede e nos une profundamente. A solidariedade e a fraternidade seriam o caminho a ser descoberto pelo mundo na crise. Porém, temos visto a desigualdade aumentar: enquanto os muito pobres caminham para a fome e a miséria, os muito ricos ficaram muito mais abastados à custa da vida dos demais. Nos EUA, 643 pessoas aumentaram suas fortunas em R$ 4 trilhões e 723 bilhões entre março e setembro. No Brasil não foi diferente: a fortuna dos mais bilionários aumentou R$ 177 bilhões entre março e julho.

Nos últimos quatro anos está havendo um processo de regressão da economia brasileira. Somente no último ano, milhares de pequenas empresas, as que mais empregam, fecharam suas portas. A justificativa para o pacote de ajuda de R$ 1,2 trilhão aos bancos foi a necessidade de aumentar o volume de dinheiro disponível dessas instituições financeiras, de modo que elas pudessem ampliar as linhas de crédito para empresas e reduzir os juros.

No entanto, o que se verificou na prática foi o contrário: os empréstimos para as empresas se tornaram ainda mais difíceis e os juros quase dobraram. Sem recursos, milhares de empresas, principalmente as pequenas e médias, demitiram seus empregados e até faliram. Nossa indústria vem diminuindo e sendo substituída por importados. Empresas estratégicas para o desenvolvimento e a soberania nacionais estão sendo vendidas. O país deixou de ser referência internacional em áreas de tecnologias estratégicas e caminha rapidamente para voltar a ser uma economia dependente, cada vez mais de agrário-exportadora de matérias primas.

PNAD Contínua do IBGE [1] mostrou, por meio das informações obtidas até julho de 2020, que no primeiro semestre foram fechados 11,5 milhões de postos de trabalho. Em agosto, pesquisa do IBGE registrou aumento de 27,6% no desemprego a partir de março e apontou a existência de 40,1 milhões de desempregados no Brasil – soma de 12,9 milhões que estavam procurando emprego e 27,2 milhões que gostariam de trabalhar, mas não tinham procurado emprego naquela semana. Nunca o país esteve nessa situação. Pela primeira vez na história, mais da metade da população trabalhadora está desempregada ou submetida a relações de trabalho próximas da escravidão, sem direitos e sem futuro. Por isso, apesar de deter grandes riquezas, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. A fome retorna ao país que está entre os que mais exportam grãos!

“Para a humanidade, a fome não é só uma tragédia, mas também uma vergonha” anunciou o Papa Francisco no Dia Mundial da Alimentação. No Brasil, as filas dos que suplicam por um prato de comida crescem nas grandes cidades. Em vez de buscar a equidade e a garantia de direitos que levem à segurança alimentar, os governantes preferem o oposto, embrenhando-se no caminho da monocultura e dos agrotóxicos. Em vez de apoiar a agricultura familiar e os métodos da agroecologia, governos transferem recursos para quem destrói o meio ambiente, queima florestas e reduz a vida.

Revivendo a cultura de opressão que se expandiu na Europa um século atrás, com o aparecimento de ideologias fascistas, na sociedade brasileira cresce o apoio ao aprisionamento da criatividade, da diversidade e da liberdade das crianças e jovens em modelos educacionais que primam pela obediência obtida pela disciplina e pelo culto de caráter fundamentalista, imposto pelas escolas cívico-militares, que se implantam às centenas no Brasil. Na Europa, esse caminho levou ao holocausto, ao extermínio e à destruição. A contaminação de setores sociais por ideologias totalitárias, autoritárias e cultuadoras de ilusórias prosperidades centradas no dinheiro é prática difundida por instituições do Estado e por igrejas. Nesse terreno não crescerá planta sã.

A solidão, os medos e a insegurança de tantas pessoas que se sentem abandonadas pelo sistema, fazem com que se crie um terreno fértil para o crime organizado. Com efeito, ele se impõe, apresentando-se como «protetor» dos esquecidos, muitas vezes por meio de vários tipos de ajuda, enquanto persegue os seus interesses criminosos. Há uma pedagogia tipicamente mafiosa que, com um falso espíritocomunitário, cria laços de dependência e subordinação, dos quais é muito difícil libertar-se. (Papa FranciscoFratelli Tutti, 28)

Cresce o crime organizado, o feminicídio atingiu níveis insuportáveis e o assassinato de jovens negros e pobres é absurdo. Pesquisadores da UFF e da USP divulgaram recentemente estudos que comprovam que “as milícias cariocas já controlam 25,5% dos bairros do Rio de Janeiro, em um total de 57,5% do território da cidade. E três facções do tráfico de drogas possuem juntas o domínio de outros 34,2% dos bairros e 15,4% do território” (El País, 19/10/20).

A violência crescente alimenta o racismo presente na sociedade brutalmente desigual. A taxa de homicídios de negros saltou de 34 para 37,8 por 100 mil entre 2008 e 2018, um aumento de 11,5%. Já os assassinatos de não-negros registrou uma queda de 12,9%. O Atlas da Violência do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 75,7% das vítimas de homicídios são pessoas negras, sendo a maioria dessas mortes provocadas por policiais. Extermínio causado pelo Estado.

Muitas vezes constata-se que, de fato, os direitos humanos não são iguais para todos. O respeito destes direitos “é condição preliminar para o próprio progresso econômico e social de um país. Quando a dignidade do homem é respeitada e os seus direitos são reconhecidos e garantidos, florescem também a criatividade e a audácia, podendo a pessoa humana explanar suas inúmeras iniciativas a favor do bem comum”. (Papa FranciscoFratelli Tutti, 22)

Essa mesma violência que se espraia nas cidades ocorre nas “fronteiras agrícolas” da Amazônia Legal, do Pantanal e dos cerrados. O que vemos crescerem hoje são os incêndios e a destruição de grandes áreas de matas e cerrados, provocados por fazendeiros e grileiros, bem como os assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, garimpos e extração de madeira em vastas áreas indígenas e de proteção ambiental. O mundo assiste horrorizado à destruição de florestas e biomas essenciais ao planeta. O governo federal não atua de forma consequente para conter esse processo; ao contrário, seus pronunciamentos e omissões funcionam como incentivo aos malfeitores.

Enquanto outros países levantam a proposta de quebra temporária das patentes de todas as tecnologias de saúde necessárias ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, incluindo as vacinas, o Brasil está alheio a essa discussão e caminha em sentido oposto ao resto do mundo. Mais preocupado em afastar qualquer investigação sobre a corrupção, o governo federal prefere defender a não obrigatoriedade da vacina ou desarticular a sua compra em conjunto com os governos estaduais.

Em vez de procurar a promoção da vida como horizonte, o governo federal procura o sinal da morte, da guerra e da destruição. A nova política externa, de alinhamento incondicional aos EUA, rompe com a tradição secular pacifista do Brasil ao mobilizar as Forças Armadas em exercícios de guerra para ameaçar vizinhos de fronteira. Em vez de liberar recursos para a saúde do povo, o governo gasta milhões de reais em improdutivos exercícios de guerra.

Papa Francisco nos ensina que:

Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos nos constituirmos como um “nós” que habita a casa comum. Tal cuidado não interessa aos poderes econômicos que necessitam dum ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares. (Fratelli Tutti, 17)

Precisamos retornar ao caminho indicado pela Constituição de 1988, produzindo meios para a superação das desigualdades sociais e regionais, de maneira a por fim à miséria e à fome e, assim, resgatar a dignidade dos povos originários e do povo em situação de pobreza e de desigualdade. Há que se recriar a esperança no futuro para os que estão desempregados e explorados no trabalho degradante. Dessa forma, estaremos glorificando nosso mestre Jesus: “O ladrão vem somente para roubar, matar, e para destruir; Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância” (João 10, 10).

É hora de conclamarmos as pessoas de boa vontade, as organizações da sociedade civil, todos que cultuam a vida, a justiça e a paz a uma jornada única em defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e sociais ameaçados no Brasil. Vamos nos inspirar e reforçar a voz profética dos 152 bispos signatários da “Carta ao Povo de Deus” e da CNBB, com o manifesto coletivo “Pacto pela Vida e pelo Brasil”. É urgente agir e mobilizar o povo em favor da democracia, da liberdade e do respeito à vida.

Brasília (DF), 26 de outubro de 2020.

Daniel Seidel
Secretário Executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz

Sônia de Oliveira
Presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil