Serva de Deus Irmã Rosita Paiva, IJ

Rosita Paiva, filha do casal Alexandre Muzzio Paiva e Virgínia Menezes Paiva, nasceu em 13 de março de 1909, em Canutama (AM). Recebeu o Batismo no dia 20 de dezembro de 1909, na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, Prelazia de Lábrea, Rio Purus (AM). Realizou a Crisma em 3 de junho de 1915, na Capela Episcopal da Catedral de Fortaleza (CE), e fez a Primeira Eucaristia em 29 de outubro de 1918, no Colégio das Irmãs da Caridade.

Aos três anos de idade, por ocasião da morte de seu pai, sua mãe mudou-se para Fortaleza (CE), juntamente com as duas filhas, para reunir-se aos parentes. Rosita foi internada no Orfanato para Crianças Pobres do Colégio da Imaculada Conceição, na Avenida Santos Dumont, nº 55, onde passou toda a sua infância.

A EDUCADORA

Em 1918, deixou o orfanato e ingressou na Escola Normal Pedro II, hoje Instituto de Educação, localizada na Rua Graciliano Ramos, 52, bairro Fátima, em Fortaleza (CE). Concluiu seus estudos e recebeu o diploma de professora do Estado na capital cearense.

No ano de 1927, iniciou sua missão como mestra e educadora, destacando-se pela competência e sólida formação moral e cristã, atendendo às exigências educacionais da época. Foi nomeada para o Grupo Escolar Santos Dumont, atualmente Escola de 1º Grau Clóvis Beviláqua, situada na Avenida Dom Manuel, 511, em Fortaleza.

Ali, preocupava-se não apenas com a instrução cristã, mas com a formação integral de seus alunos, buscando formar cidadãos autênticos que se tornassem honra para a Pátria e para a Igreja. Atuou como educadora, catequista e missionária no Ceará e em outros estados do Nordeste.

Paralelamente ao serviço público, lecionou em colégios particulares, ensinou Sociologia às normalistas do Colégio das Doroteias, hoje Faculdade Maurício de Nassau, na Avenida Aguanambi, 251, em Fortaleza, e fundou o Instituto Monsenhor Luís Rocha, dedicando-se intensamente à formação cristã da infância e da juventude, cultivando valores para Deus, para a família e para a Pátria.

Seu ideal de educadora comprometida com a fé e com a vida inspirou a missão educativa do Instituto Josefino, que atualmente mantém sete escolas nos estados do Ceará, Paraíba e Maranhão.

APÓSTOLA E RELIGIOSA CONSAGRADA

Rosita Paiva foi pioneira do Movimento Laical em Fortaleza e a primeira presidente da Ação Católica. Participou ativamente da Liga Eleitoral Católica (LEC) e colaborou por muitos anos com o Jornal Católico Nordeste.

Apóstola incansável do Mestre, a quem amou sem medida, buscou imitá-lo fielmente desde a juventude. Mulher simples, humilde, caridosa e acolhedora, atraía muitas almas para o Reino de Deus. Em sua relação com as pessoas, unia humildade e firmeza, autoridade e serviço, fortaleza e docilidade, contemplação e ação.

A fé iluminava seus caminhos e traduzia-se numa vida profundamente orante. Amiga dos pobres, tinha grande sensibilidade para com suas necessidades e jamais deixava de atendê-los. A caridade foi sua virtude predileta. Amava verdadeiramente os pobres, os doentes e os marginalizados, edificando a todos com bondade, serenidade, equilíbrio, pureza de coração e amor ao Pai.

Em 4 de janeiro de 1933, Monsenhor Luís de Carvalho Rocha, então pároco da Catedral de Fortaleza e seu orientador espiritual, sentiu-se inspirado a fundar uma congregação de jovens dedicadas ao serviço da Igreja. Rosita foi a primeira a conhecer esse projeto. Questionada se estava preparada e convidada a manter sigilo, respondeu prontamente com um generoso “sim”, acolhendo o ideal que também se tornava seu.

Embora tivesse sonhado com a vida religiosa aos 16 anos, somente aos 44 fez sua primeira profissão religiosa. Disponível à Palavra de Deus, aprendeu a discernir e acolher os desígnios divinos ao longo de sua vida. Como Abraão, percorreu uma longa caminhada na confiança de trilhar os caminhos apontados por Deus.

O acolhimento, a doação de si, a partilha, a alegria, o zelo pelos sacerdotes, o amor à Santa Missa e à confissão marcaram sua trajetória. Sua vida foi um autêntico testemunho da presença de Deus.

MISSIONÁRIA

Rosita foi missionária não por ter ido a terras distantes inicialmente, mas pelo zelo ardente pela difusão do Evangelho. Conheceu a pobreza, o sofrimento, a angústia e a solidão, mas encontrou em Deus a força para permanecer fiel à missão recebida.

Servir era sua característica essencial. Servia a todos sem distinção. Aprendeu com Maria, por quem tinha profunda devoção, a colocar-se como serva do Senhor.

Como Superiora Geral do Instituto Josefino, enviou as primeiras missionárias ao Maranhão e, posteriormente, ao Acre, para o trabalho junto ao povo de Deus, incluindo indígenas, ribeirinhos e hansenianos.

Atualmente, a missão josefina está presente nos estados do Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Bahia e Amazonas, além da França e do Haiti.

LÍDER E MÃE

O exercício da liderança em Rosita possuía características singulares. Suas orientações eram marcadas por escuta, firmeza, segurança e docilidade. Mantinha coerência entre palavras e atitudes, conquistando a admiração e o afeto das coirmãs e de todos que dela se aproximavam.

As Josefinas afirmavam que, por meio de seu testemunho, descobriam o sentido de sua consagração e a alegria de pertencer ao Instituto. Rosita era, ao mesmo tempo, líder determinada e mãe amorosa, unindo força e ternura.

ESPIRITUALIDADE

Sua espiritualidade era profundamente centrada na Eucaristia. A participação na Santa Missa, a comunhão, os momentos de adoração e os louvores ao longo do dia manifestavam seu amor a Jesus Sacramentado.

Mulher de fé inabalável, vivia na presença de Deus. Sua vida era contínua ação de graças. Confiava plenamente na Divina Providência e ensinava as Josefinas a viverem com simplicidade e esperança.

Transformava trabalho, sofrimento e fadiga em oferenda. Exemplo de pobreza, desprendimento, obediência e fidelidade ao Evangelho, mantinha os olhos voltados para o mundo e o coração voltado para Deus.

Rosita foi a primeira Superiora Geral do Instituto Josefino, nomeada por Dom Antônio de Almeida Lustosa e reeleita em cinco capítulos consecutivos. Foi também a primeira Mestra de Noviças, nomeada em 19 de março de 1953.

Permaneceu como Superiora Geral de 29 de dezembro de 1949 a 22 de janeiro de 1988. Durante 38 anos de governo, fundou 84 casas em Fortaleza e nos estados do Ceará, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí e na Diocese do Acre.

Faleceu em 19 de agosto de 1991, em Campo Maior (PI). Foi velada na Catedral de Fortaleza, berço do Instituto Josefino, e sepultada no Cemitério São João Batista. Seus restos mortais encontram-se na Casa Mãe das Josefinas, na Rua J. da Penha, 46, em Fortaleza (CE).

Rosita Paiva viveu profundamente a experiência da gratidão. Repetia constantemente que tudo é graça do Bom Deus.

ORAÇÃO PELA BEATIFICAÇÃO DA SERVA DE DEUS ROSITA PAIVA

Pai de misericórdia, só Vós sois Santo, só Vós sois o Altíssimo. Nós Vos louvamos e bendizemos pelas virtudes com que agraciastes a Vossa Serva Rosita Paiva: orante, materna, despojada, compassiva e misericordiosa.

Humildemente Vos pedimos que Vos digneis elevá-la à honra dos altares, essa Vossa serva que consagrou toda a sua vida ao serviço de Deus e do próximo, cheia de caridade para com os pobres e de zelo pelos sacerdotes.

Concedei-nos, ó Pai, por sua intercessão, a graça (…) que por Vossa bondade Vos pedimos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

Nihil Obstat, 22 de dezembro de 2020, pela Congregação das Causas dos Santos,
Roma – Itália.

Imprima-se,
Fortaleza, 11 de fevereiro de 2021.

Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza (CE)

Fonte: Instituto Josefino.

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