Os padres da Arquidiocese de Fortaleza participaram, de 6 a 10 de julho, do Retiro Anual do Clero, realizado no Mosteiro dos Jesuítas, em Baturité. O encontro reuniu o arcebispo metropolitano de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, o arcebispo emérito, Dom José Antônio, além dos presbíteros arquidiocesanos, em dias marcados pela oração, pelo silêncio, pela fraternidade sacerdotal e pela renovação da vocação ministerial.

O pregador do retiro foi Dom Andherson Franklin, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória (ES), que conduziu as meditações propondo uma profunda reflexão sobre a identidade e a missão do sacerdote. Ao longo dos cinco dias, os participantes foram convidados a revisitar o chamado de Deus em suas vidas e a fortalecer a comunhão com Cristo, Bom Pastor.
Em uma das reflexões conclusivas, Dom Andherson destacou que o retiro não deve ser compreendido como uma experiência isolada, mas como um impulso para a vivência cotidiana da vocação. “Voltar-se para o Senhor não pode ser apenas uma experiência vivida durante um retiro. Deve tornar-se uma atitude cotidiana, capaz de nos fazer recordar de onde viemos, quem nos chamou e qual esperança Deus coloca diante de nós”, afirmou.

O bispo também recordou que a perseverança no ministério nasce da íntima união com Cristo. “Somente unidos ao Senhor poderemos produzir frutos. Assim como a terra necessita da chuva para florescer, também o nosso coração necessita da graça de Deus para produzir frutos de santidade”, ressaltou.
Durante as meditações, Dom Andherson conduziu os sacerdotes por um itinerário espiritual marcado pelo reencontro com a fonte da vocação. A primeira provocação apresentada foi direta: “Onde está ancorado o nosso coração?” A partir dessa pergunta, desenvolveu reflexões sobre a misericórdia de Deus, descrita como um amor cheio de compaixão, paciente e fiel, que nunca abandona aqueles que chama.
Outro tema central foi o significado do deserto na vida espiritual. O pregador apresentou esse tempo como uma travessia existencial e uma verdadeira escola da fé, na qual Deus educa o coração dos seus ministros. Inspirando-se na parábola do Filho Pródigo, recordou que o sacerdote é continuamente chamado a “cair em si”, reconhecendo o rosto misericordioso do Pai. “Quando pecamos, perdemos a capacidade do diálogo, mas não perdemos a imagem de Deus”, enfatizou.
As reflexões também destacaram que o chamado de Deus percorre toda a história de cada vocação e que a força do Espírito Santo permanece como promessa de vida nova, capaz de transformar até mesmo os “ossos secos”, renovando a esperança e o ardor missionário.

Ao longo do retiro, os sacerdotes foram convidados a contemplar o Coração de Jesus, o Bom Pastor, renovando o desejo de buscar o verdadeiro tesouro, fortalecer-se para os desafios do ministério e permanecer fiéis ao chamado recebido. A experiência proporcionou um tempo privilegiado de escuta da Palavra, oração e direção espiritual, favorecendo a renovação interior do presbitério arquidiocesano.
Ao término do retiro, os participantes regressaram às suas paróquias fortalecidos na fé e na missão, levando consigo o desejo de servir ao povo de Deus com um coração renovado, alimentado pela esperança e sustentado pela graça de Cristo.