
A Solenidade de Corpus Christi tem o objetivo de exaltar a presença real de Jesus na Eucaristia. A origem desta festa remete ao século XIII, quando uma religiosa chamada Juliana Cornillon, no ano de 1246, em Liège, na França (hoje Bélgica), teve a feliz inspiração de fazer uma festa pública para Jesus na Eucaristia, visto que, na Quinta-Feira Santa dia da instituição da Eucaristia, era Semana Santa, tempo de penitência, silêncio e oração, quando não se podia fazer uma festa mais solene para a Eucaristia. Foi nessa época que ela pediu ao bispo de Liège para celebrar a festa com toda a solenidade. Passados 18 anos, em 1264, o Papa Urbano IV estendeu a celebração para toda a Igreja. Essa festa nasceu no contexto do surgimento de muitas heresias que entendiam negar a presença real de Cristo na Eucaristia. Lembremo-nos de que alguém pode, ainda hoje, negar essa presença, mas a Igreja, nos 21 séculos do Cristianismo, nunca a negou. É preciso colocar na mente, no coração e na alma de cada um esse mistério salutar que transcende toda a inteligência.
A Eucaristia é, pois, muito mais que uma celebração. É uma dimensão fundamental da vida cristã, que deve manifestar-se na qualidade de nossas relações interpessoais. Onde a vida e o pão são partilhados, Cristo está presente. Sua presença na Eucaristia é transubstancial, ou seja, real. Pela consagração, o pão e o vinho são, substancialmente, transformados no Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo, que significam “vida para todo mundo” (João 6,51). Cristo está sacramentalmente presente sob as espécies de pão e vinho consagrados, significando seu corpo sacrificado e seu sangue derramado na cruz para a salvação da humanidade. Ele continua presente na Comunidade Eclesial, pois esta é também o corpo vivo e vivificante de Cristo. Ele está presente em todos aqueles que estão em estado de graça, ou seja, sem nenhum pecado mortal, e que estão em comunhão com a Igreja, povo de Deus e corpo místico de Cristo. O teólogo Henri de Lubac já dizia: “A Eucaristia faz a Igreja, e a Igreja faz a Eucaristia”.
A Eucaristia, para nós, católicos, é o céu que desce sobre a terra para nos santificar. É o Sacramento da nova e eterna aliança. É comparada a uma fogueira acesa na noite fria para nos aquecer. É comparada, ainda, a uma brisa suave diante do sol escaldante do dia.
Nesta festa da Eucaristia, Jesus, pão do céu e médico celeste, que cura e liberta todos aqueles que o buscam, preenche nossos vazios existenciais e plenifica a nossa vida. Que Jesus vivo e ressuscitado, permanentemente presente na Eucaristia, nos dê o dom da fé, para que possamos vê-lo e senti-lo como coração da Igreja, ostensório vivo e divino pelicano.
Portanto, não esqueçamos que Corpus Christi é um dia santo da Igreja. É semelhante ao domingo: não podemos perder a missa (cf. Código de Direito Canônico cânones 944 e 395); devemos participar, obrigatoriamente, da procissão com o Santíssimo Sacramento exceto idosos, doentes, pessoas com necessidades especiais, impossibilitadas de sair de casa ou com alguma limitação física. Sair na procissão com o Santíssimo é passear com Jesus no coração e na alma, porque somos os ostensórios vivos da Igreja.
Louvado seja o Santíssimo Sacramento!
Pe. Raimundo Neto
Vigário da Paróquia de São Vicente de Paulo