
O mundo continua precisando de padres. Mesmo quem não tem fé há de concordar com isso. Falo isso por através de um pequeno relato…
É um dia de domingo e fazia alguns dias que uma jovem precisava de um atendimento para o pai dela: um problema familiar que não convém expor. Não era algo diretamente relacionado a vida de fé – não era algo sobre os sacramentos ou a moral cristã de forma direta. Mas é claro que, na vida de um bom cristão, sempre envolve tantas dessas questões. Enfim, consigo ir e conversar com esse senhor.
Tenho respostas? Tenho a “solução dos problemas”? Não… Simplesmente não. A fé nos dá os princípios, a direção do caminho, mas a caminhada… Ela tem tantas nuances que seria muita arrogância achar que conseguiria resolver um problemas vital em uma conversa, em uma tarde. Mas tem algo que é insubstituível: a capacidade de escutar e de sofrer juntos. Na vida cristã, isso se chama “compadecer-se”, ou seja, “padecer com”. Próximo da compaixão: “sofrer com”. E isso tem um poder curativo grandioso. Saber que alguém se importa, que nesse mundo não estamos só. Acredito que isso é fundamental ontem, e hoje também.
Claro que do ponto de vista da vocação existe um mistério escondido, uma graça. Não adiantaria, para mim pelo menos, só estar lá. O mundo não precisa de mim – ele ja viveu tantos milênio sem minha presença e provavelmente vai continuar existindo quando eu voltar ao pó. Existe um mistério de levar a presença de Deus – que também não é mérito meu, mas me foi dado pela graça do Sacramento da Ordem. Eu mesmo estou lá, mas não por mim – quem sabe se no dia eu queria estar lá. Estou como missão, pela fé. Conquanto que a presença humana já fosse muito, ela seria insuficiente.
Mas voltemos a esse aspecto humano: em qual outro lugar se encontraria um amor desinteressado, disponível para escutar – mesmo sem conseguir resolver? Em qual situação o apoio e a responsabilidade recai sobre alguém que não tem nenhum vínculo humano, ou afetivo, ou familiar e mesmo sem saber o que vai encontrar, coloca-se a disposição para amar?
Esse amor Integral dentro e fora da Igreja, são características da vida do sacerdote, do padre – que é pai espiritual. Talvez que seja isso que Futon Sheen quis dizer quando falou de sacerdotes-hóstia, ou seja, homens que se sacrificam… Como oferta… Na gratuidade, sem esperar nada em troca.
Pe. Francisco Deusimar Andrade Albuquerque
Uma resposta
Padre Deusimar sempre tem palavras sábias para nos alegrar e refletirmos. Gratidão!🙏