
Evento reuniu religiosos, religiosas, sacerdotes, seminaristas e leigos para refletir sobre memória, profecia e esperança na missão da Vida Consagrada
A Faculdade Católica de Fortaleza realizou, de 8 a 10 de setembro, a XXIV Semana Teológica, com o tema “A Vida Consagrada à luz do Vaticano II: memória, profecia, esperança”. O encontro integrou as comemorações pelos 70 anos da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) – Regional Ceará e reuniu diferentes segmentos da Igreja para momentos de formação, diálogo e partilha.
Na Arquidiocese de Fortaleza, mais de 800 religiosos e religiosas atuam nas mais diferentes frentes de missão, contribuindo para a evangelização e o serviço às comunidades. Essa presença se concretiza em áreas como educação, saúde, ação social, formação, paróquias, pastorais e acompanhamento das diferentes realidades.
A programação contou com três conferências e um painel, desenvolvendo o tema central a partir de diferentes perspectivas. A primeira conferência, “Memória e Profecia da Vida Consagrada: de antes para depois do Concílio Vaticano II”, foi conduzida por Frei Luiz Carlos Susin, OFMCap (PUC-RS). Em seguida, Ir. Regina da Costa Pedro, PIME (POM), abordou “A Vida Consagrada nas fronteiras: um olhar feminino-missionário”. Os dois participaram, juntamente com Pe. Geraldo Luiz De Mori, SJ (FAJE-MG), do painel “Desafios e perspectivas para a Vida Consagrada”. O encerramento contou com a conferência “Vida Consagrada, há esperança para o teu futuro?”, com Pe. Geraldo De Mori.

Para Frei Tailer Ferreira, OSA, coordenador da CRB – Regional Ceará, o Concílio Vaticano II foi fundamental para uma nova compreensão da identidade e da missão da Vida Consagrada.
“O Vaticano II, ao se debruçar sobre o ser da Igreja e da sua presença no mundo, levou a Vida Consagrada a se compreender no próprio mistério da Igreja, em seu dinamismo de Povo de Deus.”
Segundo Frei Tailer, essa nova compreensão ajudou a superar a ideia da Vida Consagrada como um “estado de perfeição” ou como uma categoria hierárquica diferenciada dentro da Igreja. O Concílio também provocou as famílias religiosas a iniciarem processos concretos de renovação.
“Deixando para trás a ideia de um estado de perfeição ou ainda de uma certa categoria hierárquica entre os leigos e os ministros ordenados, a Vida Consagrada foi ainda provocada a dar passos concretos para a sua renovação, que se pode observar nos esforços das diversas famílias religiosas nos anos que seguiram ao Concílio.”
Para o presidente da CRB Ceará, as intuições do Vaticano II continuam atuais e desafiam a Vida Consagrada a discernir permanentemente sua identidade e missão.
“Ainda hoje se fazem atuais as intuições do Vaticano II para que a Vida Consagrada tome cada vez mais consciência da sua identidade e missão, na Igreja e no mundo.”

A Irmã Maria Bernadete de Paula, do Instituto Josefino, destacou a importância do encontro para a formação e o intercâmbio entre leigos, religiosos, religiosas, padres e seminaristas. Para ela, as reflexões e experiências missionárias apresentadas deram visibilidade à dedicação de homens e mulheres que doam suas vidas ao serviço do Reino de Deus.
A dimensão missionária também foi ressaltada pela Irmã Josineide do Amaral, superiora geral das Irmãs Josefinas. Para ela, as reflexões fortaleceram o compromisso de levar a presença da Igreja às periferias e às diferentes realidades do povo.
Já o seminarista Matheus de Morais avaliou que a Semana Teológica propôs um itinerário marcado por três palavras: memória, profecia e esperança. Segundo ele, o evento ajudou a refletir sobre a história da Vida Consagrada, seu anúncio e as perspectivas para o futuro.
Ao longo dos três dias, a Semana Teológica despertou a importância da Vida Consagrada na missão da Igreja e a necessidade de renovar sua presença diante dos desafios do mundo atual, tendo no Concílio Vaticano II uma referência para compreender sua história, fortalecer sua missão e olhar com esperança para o futuro.