Dom Lustosa, coração de bom pastor | Arquidiocese de Fortaleza
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Dom Lustosa, coração de bom pastor

Com muita alegria a Família Salesiana e a Arquidiocese de Fortaleza receberam a notícia que, no dia 27 de abril de 2021, foi entregue, na Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, a Positio (documento oficial acerca da vida e virtudes evangélicas) do Servo de Deus, Dom Antônio de Almeida Lustosa. Feito esse passo, uma equipe de Teólogos da Santa Sé fará agora a análise do prosseguimento do processo em vista da beatificação e canonização do Salesiano mineiro, que foi Bispo de Uberaba (MG), Corumbá (MT) e Arcebispo de Belém (PA) e finalmente Fortaleza (CE).

Neste breve artigo, trago o testemunho de uma fiel cearense que testemunhou perante as autoridades da Igreja sobre santidade de Dom Lustosa. Zilda do Nascimento Furtado declara que conheceu o servo de Deus no ano de 1943.

“Eu me encontrava com dificuldade para prosseguir com meus estudos por falta de recursos financeiros. Minhas duas irmãs já estudavam em colégios públicos e o diretor da escola não permitiu que uma terceira fosse matriculada. Fui à procura do servo de Deus sem contar com nenhum apadrinhamento e sem nenhum protocolo para chegar à sua presença. Sem nenhuma dificuldade, marquei a audiência no Palácio para falar com ele e fui atendida com a maior presteza. Contei ao servo de Deus a minha situação, relatando-lhe o estado de extrema pobreza de minha família, por sinal, bastante numerosa e atendida somente por meu pai. O servo de Deus me escutou silenciosamente e me atendeu prontamente. Deu-me o emprego de professora na escola que ele criara para crianças pobres. Com o dinheiro, que recebia, consegui pagar meus estudos e ajudar minha família.

Trabalhei sob a orientação do servo de Deus durante o período de dois anos — 1944 a 1946 -, afastando-me por alguns meses para tratar de minha mãe que contraiu câncer. Mesmo afastada do trabalho, o servo de Deus me garantiu o salário e ainda permitiu que uma de minhas irmãs me substituísse, pagando-lhe também o salário.

Por todo o período da doença de minha mãe, de 19 de março a 30 de setembro de 1946, o servo de Deus a visitou por três vezes. Nossa casa não era muito distante do Palácio. Ele vinha a pé, apoiado no seu guarda-chuva, magrinho, andar vagaroso. Vinha sozinho para visitar minha mãe. Esse gesto confortava sobremodo a nossa família e causava profunda admiração em toda a vizinhança por ver um bispo, sozinho e a pé, deslocar-se do Palácio para trazer apoio e solidariedade moral e espiritual aos seus fiéis, principalmente porque eram pobres e sem prestígio.

Após o falecimento de minha mãe, em setembro de 1946, o servo de Deus permitiu que eu tivesse um período de descanso, pois fora muito intenso o sofrimento e os cuidados que tivera com minha mãe. Continuou pagando-me o salário. Depois me chamou para um novo trabalho na escola do bairro do Meireles, à noite. Era uma escola para adultos. Todas essas escolas foram fundadas por ele. Ensinei de 1947 a 1950, quando me casei. Esse trabalho, segundo o servo de Deus, era um auxílio para as moças pobres até casarem. Minha outra irmã continuou também a trabalhar até casar.

Recordo-me de outro fato vivenciado por mim e que revela o carinho e o amor do servo de Deus pelas pessoas, particularmente as mais pobres. Eu também trabalhei com o servo de Deus no ensino do catecismo para as crianças. Entre elas, havia uma que repetia as orações por diversas vezes, mas não conseguia gravar nenhuma na memória. Certo dia, um senhor se aproximou desta criança e lhe perguntou: “Você não aprende o catecismo porque é ‘burro’ ou porque não quer mesmo aprender?” A criança respondeu-lhe: “Senhor, eu não sou burro. Se abrissem a minha cabeça e colocassem tudo aqui dentro (fez um gesto, colocando a mão na cabeça), aí eu aprendia”. O senhor disse, então, ao menino: “Vá falar com aquele homem (referia-se ao servo de Deus) e diga para ele o que você quer ser”. A criança dirigiu-se ao servo de Deus e disse o que o afligia. O servo de Deus, muito tranqüilo, lhe respondeu: “Não precisa abrir sua cabeça”. E, colocando a mão sobre a cabeça da criança, disse: “Você é inteligente. De hoje em diante você vai aprender todas as orações”. E aconteceu que a criança feliz com o gesto do servo de Deus, realmente aprendeu as lições do catecismo. Isso mostra como a bondade e o afeto do servo de Deus expressos por suas palavras e por seu gesto resgataram a alta estima daquela criança”.

O testemunho de Zilda do Nascimento vem corroborar os relatos de incontáveis pessoas que, ao longo dos quase cinquenta anos de ministério episcopal, Dom Antônio Lustosa cativou, acolheu e amou, com as suas virtudes de Bom Pastor, aprendidas de São João Bosco, Pai e Mestre dos jovens e do povo simples.
Zilda conclui seu testemunho, dizendo: “O vínculo de amor que me prende ao servo de Deus, a lembrança de sua humildade e da sua simplicidade, ainda perduram no meu coração. Essa chama de amor jamais se apagará. Por isso, sinto-me honrada e feliz por poder contribuir, ainda que modestamente, com a causa de canonização do servo de Deus. A experiência de vida que tive com o servo de Deus me dá a certeza de ter convivido com um santo”.

Que São José, a quem o Servo de Deus era tão devoto e propagador, neste ano santo a ele dedicado pelo Papa Francisco, interceda para que prontamente possamos cantar a ação de graças de ver Dom Antônio Lustosa Santo, reconhecido por toda a Santa Igreja Católica.

Por Padre Sérgio Lúcio Alho da Costa, sdb
Reitor e Pároco do Santuário Salesiano de N. Sra. de FátimaPorto Velho-RO (artigo enviado pela Comissão Arquidiocesana de Apoio à Causa de Beatificação e Canonização do Servo de Deus Dom Antônio de Almeida Lustosa)

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