Alegoria e fábula, sim! | Arquidiocese de Fortaleza
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Alegoria e fábula, sim!

Pe. Geovane Saraiva*

No encontro de Jesus com a samaritana na beira do poço, no capítulo quarto do Evangelho de São João, o evangelista dos símbolos narra em torno de duas coisas: dupla sede e água. Vemos que se inicia na sede e clamor por água, mas que, no decorrer do diálogo, quem pede é quem dá água. A alegoria maior cai em quem tem as condições de tirar água do fundo do cacimbão e acaba manifestando sua sede maior, sede das sedes, indicando que ninguém é só água e muito menos só sede.

Todos nós somos constituídos, numa simbiose interativa, além de sede e água, de ar e chuva, de fauna e flora, inseparáveis. Inclusive eu disse alhures:

“No mistério do Universo, que os seguidores de Jesus de Nazaré, a partir de seu olhar terno e afável, jamais duvidem de Deus encarnado e revelado no Filho, que quer nosso compromisso, ao dizer não à poluição e à destruição ambiental, protegendo e conservando a vida, no que existe de mais belo e precioso”[1].

Nesse sentido, o encontro da água com a sede, no exemplo acima, torna-se possível no processo evangelizador, um verdadeiro milagre. O desafio maior é a bravura destemida de revelar a própria sede. Temos um belo exemplo de Jesus em duas ocasiões: diante da mulher, na sua busca por água, e lá no lenho da cruz: “Tenho sede”.

A riqueza dos gêneros literários encontrados na Bíblia só corrobora o conhecimento do tesouro da nossa fé, qual seja o texto sagrado indispensável pela sua importância, acrescentando, aos eficazes meios, o estudo das Sagradas Letras, na esperança messiânica e apocalíptica, na alegoria do cedro majestoso e magnífico, num Deus que diz e faz, promessa que se realiza em Jesus de Nazaré.

No mundo amplo e vasto da literatura sagrada, em seus gêneros literários, nem tudo é possível ver ou perceber, mesmo sendo permeado pelas relações socialmente humanas, as quais estão presentes de muitas maneiras na vida das pessoas, lá onde elas se encontram, com suas atividades, chegando até o ponto da exaustão, notando-se sempre deficiências, fragilidades e limitações, no que diz respeito à simbologia ou ao gênero alegórico, e mesmo ao enredo das fábulas, naquele envolvimento mais abrangente e universal a respeito do Livro Sagrado.   

Na maior de todas as obras literárias, a meu ver, o Livro Sagrado tem diversos estilos de gêneros literários, seja pelo lado poético, pelo lado profético, pelo lado apocalíptico, pelo lado sapiencial, dentre outros. Os Evangelhos são considerados um gênero literário, não prescindindo do contexto biográfico histórico da vida de Jesus de Nazaré, tão evidente no final do Evangelho de São João: “Muitas outras coisas fez Jesus, as quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever” (cf. Jo 21, 25).

Aventura maior e fabulosa aparece na narrativa dos feitos de um herói nacional, como, por exemplo, Abraão, Gedeão e Davi. No gênero épico aparecem as narrativas de pessoas com façanhas militares. Lembramos a vida dos israelitas no deserto e a conquista de Canaã. Estão também a tragédia e a história da decadência de um indivíduo, da fama e honradez, desastre e miséria (Sansão, Saul e Salomão); também estão no romance, ao descrever a vida amorosa entre um homem e uma mulher, tão cristalino no gênero literário dos livros de Rute e Cântico dos Cânticos.

Os Evangelhos contêm todo um aparato biográfico sobre Cristo, que as comunidades transmitiam oralmente e depois os evangelistas escreveram. Na verdade, na boa-nova de Jesus, encontramos sua pregação e a atividade da comunidade primitiva: parábolas, narrativas de milagres, cânticos, provérbios, sentenças do Antigo Testamento encaixadas no texto, genealogias, histórias da infância de Jesus. Se pudesse afirmar, falaria de fábulas.

Para concluir, mais que factível, temos em Esopo uma constituição de histórias, nas quais os animais eram os personagens. Por meio de diálogos entre os bichos e das circunstâncias que os envolviam, eles procuravam transmitir sabedoria, mas atingiam a índole e o espírito moral da criatura humana. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano, pelos personagens, entre outros: a tartaruga e a lebre; o lobo e o cordeiro; o asno e a carga de sal; o lobo e as ovelhas; o cervo e o leão; o cão e a sombra; o lobo e o cão.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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