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O nome “cristão”

Padre Geovane Saraiva

O cristão é um ungido, aquele que carrega consigo as marcas da graça de Deus e que é seguidor de Jesus de Nazaré. A palavra “cristão” não foi inventada pelos judeus — eles não reconheciam Jesus como o Cristo —, mas pelos próprios cristãos, que chamavam a si mesmos de discípulos, ou fiéis seguidores de Cristo. O cristianismo começou a ser reconhecido, interna e externamente, como uma religião separada do judaísmo rabínico (cf. At 11, 26), e o nome “cristão” surgiu em Antioquia, por volta do ano 43. Aqui não há motivo para se duvidar da historicidade dessa informação. A palavra encontra-se em At 26, 28 e em 1 Pr 4, 16. O que importa mesmo, no dizer do Papa Francisco, é: “Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é a relação viva com ele, com o Senhor Ressuscitado”. Fica aqui nossa reverência às comunidades de fé, que no início buscaram sua própria organização, tendo como fundamento a experiência fraterna — entre seus membros — do Cristo Ressuscitado, na fração do pão, na oração, lembrando também da fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos, animados e inspirados pela força soberana da Palavra de Deus.

A vocação da Igreja, na sua missão redentora, tem sua origem na cruz. Por isso não é possível imaginar e mesmo conceber a Igreja sem a cruz de Cristo; nem idealizá-la sem solidariedade, sem ternura e sem compaixão. Ela conta com o coração, e a partir dele o entrelaçamento do humano com o divino. O humano e o divino, sim, não numa circunstância ou estado de ânimo passageiro, mas supondo-se uma eficácia sábia e criteriosa. Sua participação deve se dar de corpo e alma, mesmo que a mais completa harmonia do mundo seja um sonho, nas suas alegrias e esperanças, angústias e dores, na vivência dos contrastes e distinções do coração, também no intercâmbio mútuo e recíproco, dentro das atitudes de coragem e risco. Não pode perder de vista aquilo que é indestrutível e duradouro, com a consciência de que a virtude da ternura consiste em arriscar a própria vida.

Determinar a origem ou o momento do cristianismo é uma questão de opção. Para quem aceita, pela fé, a vinda de Jesus Cristo, vê que a humanidade entrou numa nova relação com Deus, na origem do cristianismo, a qual coincide com a sua atividade. Admitir esse contexto significa colocar a origem do cristianismo alicerçado na fé da comunidade primitiva, e não num julgamento puramente objetivo, tendo que se afastar de pressuposições incompatíveis à fé, que deve ser autêntica e verdadeira. A historicidade da pessoa e da atividade de Jesus Cristo pôde ser provada por seus contemporâneos, que naturalmente não precisavam dessa prova; teve-se de exigir a fé. Assim também a presença do cristianismo na história atual pode ser constatada cientificamente, mas a sua verdadeira essência só pode ser conhecida pela fé, a partir da intimidade com o Senhor Ressuscitado.

A expansão desmedida, descomunal e açodada do cristianismo nos tempos primitivos foi favorecida por um conjunto de fatores ou condições, a saber: a posição favorável da Palestina em relação aos três continentes; a helenização da cultura; o florescimento das religiões como “mistério” — salvação da humanidade (soteriologia), ao criar um clima propício para uma religião universalista; sem esquecer a expansão do Império Romano com suas redes de estradas, estrutura de comunicação e uniformidade na língua. Sabe-se da contribuição, sine qua non, dos estudiosos que divulgam o desembaraço do cristianismo no início da era cristã, contando com os próprios cristãos, dentre eles escravos, comerciantes e soldados, sobretudo os que abraçavam a fé diante dos tribunais, nas prisões e no martírio, como na expressão de Tertuliano: “Sangue dos mártires é semente dos cristãos”.

Neste tempo de pandemia, com a Covid-19, que já levou do planeta mais de três milhões de seres humanos, com tantas pessoas amigas e conhecidas, somos forçados a ter um olhar ou uma reflexão mais forte, destacada e marcante. Na direção do mistério da fé, fica o desejo de se compreender melhor, na qualidade de seguidores de Jesus de Nazaré, o mundo contemporâneo. A Igreja Católica, sendo sinal do novo céu e da nova terra, carrega consigo a proposta de destruir o suplício ou castigo eterno, no anúncio de São João, ao afirmar: “Vi um novo céu e uma nova terra; porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existe mais”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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