Editorial –julho 2020: “E neste tempo extraordinário de Pandemia será possível realizar uma Caminhada com Maria?” | Arquidiocese de Fortaleza
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Editorial –julho 2020: “E neste tempo extraordinário de Pandemia será possível realizar uma Caminhada com Maria?”

O Povo: Dom José Antonio inicia Caminhada Com Maria 2014 – Ancoradouro

Pela décima oitava vez estaremos realizando a CAMINHADA COM MARIA por ocasião da Solenidade de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Cidade de Fortaleza, no dia 15 de agosto. Nosso caminhar será diferente: mais recolhido, em isolamento social, mas não menos verdadeiro e profundo, pois somos chamados a ultrapassar os sinais externos do caminhar para percebê-lo e vivê-lo no seu espírito, no seu significado mais verdadeiro: – o caminhar da vida no Amor de Deus!

Usando os meios de comunicação, realizaremos uma “live” coletiva, a partir de cada casa, de cada comunidade, a comunhão de toda a Família de Deus presente na cidade e em toda a arquidiocese e aberta ao mundo em seu testemunho de fé. Assim rezaremos o rosário em coligação pelas mídias sociais. Seremos orientados como realizar esta grande comunhão, não pela presença física na caminhada, mas pelo caminho comum da fé.

A cada ano, um aspecto da vida de Maria, Mãe de Jesus, é por nós recordado, para ser a motivação espiritual, para a construção da cidade, que, terrena, é o caminho para a Cidade Definitiva. A construção da cidade terrena é o campo de cultivo do que será o futuro de toda a humanidade. O Reino de Deus. Jesus, o Senhor da História, veio para a missão da redenção humana.

Assim, neste ano tomamos como tema: “Maria caminha conosco no cuidado pela vida.” – e da própria meditação do caminho de Maria, o rosário, aprendemos com ela o amor e qualquer circunstância ou impedimento que aconteça na vida. Nada impede a realização dos planos de Deus: (lema) “Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”. (Lc 1, 45.)

Jesus veio reunir os filhos de Deus dispersos (cf. Jo 11, 52) e encaminhá-los para novo céu e nova terra (cf. Ap 21, 1). O projeto divino é de comunhão das pessoas humanas com Deus e entre si. Para isto Jesus reúne um povo que dê seus frutos (cf. Mt 21, 43).

De São Paulo, o apóstolo das gentes, anunciador do Evangelho de Jesus ao mundo de seu tempo, muitas vezes adverso – ele que enfrentou dificuldades sem conta para testemunhar Jesus Ressuscitado, vencedor do mal e da morte, redentor da humanidade pecadora, é que temos palavras de confiança fundamental: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” Rom 8, 26-28.

Esta confiança acompanha todo aquele que crê no Deus que é Amor e do qual nada nos poderá separar: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou ansiedade, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: “Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias; fomos considerados como ovelhas para o matadouro”. (Rom 8, 35 ss)

Alguma coisa, pessoa ou acontecimento deste mundo poderá estar fora do controle do Amor de Deus? Nada, absolutamente nada, pois até do mal Ele tem poder de tirar o bem; assim testemunha a morte e ressurreição de Jesus, vitória definitiva de Deus no Deus feito Homem para todos os homens.

Vivemos um tempo difícil de pandemia. O mundo inteiro está tomado por este mal que se alastra e leva ao sofrimento e à morte milhares de pessoas em toda a face da Terra. Será tempo de desesperança?! Será tempo para o medo que congela e paralisa? A resposta de Deus foi e é: Não! O Amor tudo venceu, tudo vence e vencerá. Por este caminho Maria, Mãe de Jesus e nossa, nos leva com ela: o caminho que se inicia com um SIM dado aos planos de Deus e que culmina – e culminará – na glória do Reino de Deus definitivo.

Estamos limitados, isolados, de muitos modos fragilizados. Mas, do testemunho do mesmo Apóstolo Paulo e de milhares e milhares de pessoas que doam com confiança suas vidas por amor de seus semelhantes, como neste mesmo momento em que vivemos podemos constatar, o testemunho é luminoso: “Tudo posso nAquele que me fortalece”. Flp 4, 13. E é justamente nesta situação em que a escuridão mais parece envolver a vida humana na terra, que podemos contemplar quantas e quantas estrelas brilham no céu da humanidade. Assim, constatava São João da Cruz quando afirmava: “que é nas noites mais escuras que o céu se mostra mais estrelado”.

Vivemos a hora da graça. Nesta hora também se torna mais luminoso o Amor de Deus, aquele Amor que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Rom 5,5). Esta é a hora em que, mesmo com todas as restrições que temos que enfrentar: em nossos relacionamentos mais queridos, em nossas atividades mais significativas e até na reunião comunitária de nossa vida religiosa, nas celebrações litúrgicas em comum, no alimento espiritual dos sacramentos do Amor do Senhor; não nos faltará a presença do Deus Amor a nos envolver e fortalecer em Sua Caridade – o Espírito que nos une a Ele e entre nós, humanidade redimida.

Está sendo nesta mesma hora que a criatividade do amor dá aos pastores e fiéis a descoberta de diversas possibilidades de continuar a alimentar a própria vida cristã e a comunhão eclesial na vivência da Palavra de Deus, das obras de Caridade, da renúncia e sacrifícios da própria vida, unidos à Paixão do Senhor, na força de Sua Ressurreição e no dom do Seu Espírito.

A Igreja, Mãe dos filhos de Deus, Corpo Místico de Cristo, nossa Cabeça, quer cuidar com desvelo materno de seus filhos e filhas e por isso deseja o pleno bem de toda pessoa humana. Assim, Maria, mãe de Jesus e Mãe da Igreja, Seu Corpo, nos ensina a cuidar da vida com amor e, sensíveis às necessidades, a fazer tudo o que Jesus disser. (cf. Jo 2, 5.)

Ouvimos ainda nestes dias, e se referindo a esta situação pandêmica que vivemos, as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, falando aos fiéis, em especial aos brasileiros, referindo-se à Amazônia (o que serve para todos nós!): “Cuidar das pessoas que são mais importantes que a economia. Nós, pessoas, somos templo do Espírito Santo, a economia não.” A economia é para a vida das pessoas e não as pessoas para a economia.

Esperamos assim, que seja a comunhão fraterna em Cristo a nos iluminar e fortalecer no enfrentamento da situação pandêmica que vivemos. E será esta mesma a nos dar lições para o futuro de um mundo mais de acordo com o projeto amoroso de Deus, projeto de plena realização do ser humano.

Maria elevada à glória do Céu, Mãe nossa, Rainha da Paz, Mãe do Autor da Vida, nos acompanha com seu amor materno no seguimento de Jesus e na realização do Evangelho para, atentos às coisas do alto, acenda-se em nossos corações o desejo de, construindo a cidade terrena nos desígnios de Deus, chegar à glória da ressurreição, à cidade definitiva. (cf Liturgia de 15 de agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora)

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano

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