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Itinerário Catequético (II)

Abordo o “2º tempo do Itinerário Catequético de Iniciação à Vida Cristã” (IVC), cujo objetivo é vivenciar a dimensão bíblico-catequética, própria do catecumenato. Importa oferecer aos fiéis participantes uma visão conjunta das Sagradas Escrituras que convergem e culminam em Jesus Cristo, Palavra encarnada, fonte da divina Revelação. A leitura orante da Palavra de Deus, a “lectio divina”, leva os cristãos ao encontro pessoal com Jesus Cristo, com sua mensagem e obra de salvação. O catecumenato corresponde ao acompanhamento na fé na dimensão bíblico-catequética, celebrada na Liturgia. O conjunto da Palavra de Deus converge à pessoa, à mensagem e à obra redentora de Jesus Cristo. Na Celebração Eucarística, a Igreja revive a história da salvação como memorial da cruz e ressurreição. O processo catequético, próprio do catecumenato, integra a Palavra e a Eucaristia, porquanto os membros do Corpo de Cristo delas vivem e se alimentam. A integração indissociável da Palavra e da Eucaristia corresponde à “mistagogia cristã”, levando-nos a participação no memorial da redenção de Cristo, celebrado na Liturgia.

Entende-se o catecumenato como processo de formação permanente para a vida cristã. O bom senso pedagógico requer a adequação do processo em relação aos conteúdos, dinâmicas e tempos. Cabe ao pároco e às respectivas equipes evangelizadoras e pastorais, adaptar o conteúdo e o tempo às diferentes realidades, circunstancias e desafios. A celebração da primeira fase do catecumenato introduz a Sagrada Escritura, entregue aos participantes. A celebração pode retomar as leituras da Vigília Pascal, focalizando a criação, o pecado e a redenção em Cristo.

A segunda fase do catecumenato enfatiza a vida da graça de Deus participada à natureza humana, conferindo-lhe inalienável dignidade. Deus, o Pai Criador infinitamente perfeito, por sua graça, participa ao ser humano, imperfeito e pecador, a graça de colaborar na sua obra. A graça conta com a natureza. A natureza conta com a graça. A antropologia cristã nos leva à compreensão da vida da graça de Deus socorrendo a fragilidade da natureza humana, ferida pelo pecado.

Nas duas primeiras fases do catecumenato abordam-se os princípios e fundamentos da Revelação judaico-cristã, a saber: a criação, o pecado, a Redenção, bem como, eixos temáticos da antropologia cristã. Os três primeiros capítulos de Genesis [Gn, 1, 26-31] e a profissão da fé cristã apresentada pelo apóstolo Paulo em Colossenses [1, 1-23] e Efésios [1, 3-23; 2, 1-22] sintetizam os princípios da divina Revelação e da Redenção operada em Cristo. Os princípios da fé cristã se encarnam nas dimensões relacionais dos filhos e filhas de Deus, consigo, com a família, com os outros, com a sociedade, com Deus. A pessoa humana, salva pela redenção de Cristo, é chamada a colaborar efetivamente na obra redentora do Senhor.

Cristo revela o homem ao homem, cujas necessidades básicas requerem a reciprocidade dos relacionamentos humanos, tais como o afeto, a segurança, os direitos, os deveres, (etc.). Ora, os Mandamentos da Lei de Deus fundamentam a dignidade inalienável dos seres humanos em seus relacionamentos. A antropologia cristã trata dos elementos essenciais da ética e da moral cristã. O itinerário catequético requer fundamentos sólidos, encontrados no Catecismo da Igreja Católica (CIC). O CIC trata dos valores fundamentais dos Mandamentos da Lei de Deus, referenciais da razão iluminada pela fé, da educação para a liberdade e para a responsabilidade. Os números de 1691 a 2051 do CIC tratam do amor de Deus que fundamenta o amor aos semelhantes, presente nos vários relacionamentos humanos.

O comportamento moral do cristão indica a necessidade da graça de Deus que purifique nossas paixões desordenadas e nos auxilie a viver os valores dos Mandamentos (vide CIC, NN. 2052 -2557). O recurso às diretrizes do Catecismo da Igreja Católica evita dúvidas e confusões que, não raro se manifestam em nós, reorientando a razão e a vontade, iluminadas pela fé. A celebração da vida, correspondente à segunda fase, pode inspirar-se na parábola do semeador, (capítulo 4º de Marcos), ilustrando os terrenos do nosso coração e de nossa vida.

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