Objetivos
EVANGELIZAR
O POVO DE DEUS DA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA,
PARA CONSTRUIR COMUNIDADES
QUE REAFIRMEM SUA ADESÃO
À PESSOA E À MISSÃO DE JESUS CRISTO LIBERTADOR,
NA SUA PAIXÃO PELO PAI E PELOS POBRES,
EDIFICANDO, A SERVIÇO DO RESGATE DA DIGNIDADE HUMANA, UMA IGREJA SAMARITANA,
EM QUE TODOS SEJAM SUJEITOS DE UMA NOVA HISTÓRIA
A CAMINHO DO REINO DEFINITIVO.
EVANGELIZAR
Evangelizar é fazer chegar a Boa Nova a todos. E a Boa Nova, que Jesus anuncia, é o Reino de Deus e a salvação para toda a humanidade. Cristo realiza, em sua pessoa e em sua vida, o que os profetas preanunciaram: Cumpriu-se o tempo. "O Reino de Deus está no meio de vós".
"Evangelho" não é apenas anúncio da salvação: é toda a existência de Jesus, desde seu nascimento até sua morte e ressurreição gloriosa. Viver como Jesus há de ser também o projeto de todo cristão evangelizador.
Só evangeliza quem aceita e segue o caminho de Jesus: "Vem e segue-me" é o convite fundamental que o Senhor continua fazendo a todos os que querem participar da aventura do Reino. Para ser verdadeiro evangelizador, é necessário, antes de tudo, deixar-se evangelizar, sendo ouvinte atento ao que Deus fala, a exemplo da Virgem Maria. É necessário acolher a Palavra "com a alegria do Espírito Santo" e aceitá-la "não como palavra humana, mas como "verdadeiramente é: Palavra de Deus que está produzindo efeito entre vós".
Só uma Igreja missionária e evangelizadora experimenta a fecundidade e a alegria de quem realmente realiza sua vocação. Assumir permanentemente a missão evangelizadora é, para todas as comunidades e para cada cristão, a condição fundamental para preservar e reviver o clima pascal de "alegria no Espírito" que animou a Igreja em seu nascimento e a sustentou em todos os grandes momentos de sua história. Por isso, o Apóstolo Paulo podia afirmar com todo o vigor: "Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim. É, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim se não evangelizar!”
Somos movidos pelo mandato do próprio Jesus que, desde o início, enviou seus apóstolos: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura." (Mc 16, 17).
O que é Evangelizar?
Evangelizar é a primeira e contínua missão da Igreja. Evangelizar, como já dizia o Papa Paulo VI, "é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade... A Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da Mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios. ... a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação." (EN 18-19).
Assim o Papa João Paulo II propôs no início do Novo Milênio uma ação evangelizadora nova que seja eficaz em levar o Evangelho ao mundo e a humanidade ao Evangelho. A uma nova evangelização é que somos convocados em toda a Igreja.
O que é a Nova Evangelização?
Em diversas oportunidades de seus ensinamentos pastorais, o Santo Padre João Paulo II falou sobre dez características da Nova Evangelização.
1o. "A Evangelização deve ser nova no seu ardor". E será assim se, enquanto for se estendendo, fizer crescer, também em quem a promove, a união com Deus, o ardor nos corações como aos discípulos no encontro com Jesus ressuscitado na estrada de Emaús.
2o."Nova nos seus métodos". Nova nos métodos significa que, desta vez, será atuada não só por pessoas especiais, como seriam aquelas da hierarquia da Igreja ou os religiosos, mas por todos os fiéis. É a hora do protagonismo de todo o Povo de Deus em comunidade evangelizadora.
3o. "Nova nas suas expressões". Hoje tem de se enfrentar uma situação que vai se tornando cada vez mais difícil com a progressiva mistura de povos e culturas que caracteriza o novo contexto de globalização. Por isso, são necessárias novas expressões de evangelização. E não há dúvida de que, entre as formas modernas, emergem os diálogos. Esses são os quatro diálogos já anunciados por Paulo VI na sua Carta Ecclesiam Suam, previstos hoje por João Paulo II na Carta Novo Millennio Ineunte para a Igreja inteira: a) o diálogo dentro da própria Igreja; b) o diálogo entre as Igrejas e Comunidades Cristãs; c) o diálogo com todas as Religiões; d) o diálogo com todas as pessoas de boa vontade.
4o. "O primeiro anúncio" que se deve fazer é: "O homem é amado por Deus". "A evangelização é o esforço da Igreja em proclamar a todos que Deus os ama, que ofereceu a própria vida por eles em Cristo Jesus e os convida a uma vida eterna feliz".
5o. "Esta nova evangelização, dirigida não apenas aos indivíduos, mas também a inteiras faixas de população, tem por finalidade formar comunidades eclesiais maduras.".
6o. "Não se pode evangelizar, se não somos, pessoalmente, objeto de evangelização", porque "somente um homem transformado pela lei do amor de Cristo pode operar uma verdadeira conversão dos corações e da mente de outros homens, do ambiente, da nação e do mundo".
7o. "A transformação se resume no amor ao próximo, nas obras de misericórdia". "É certo que ninguém pode ser excluído do nosso amor, uma vez que, «pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem»; mas, segundo as palavras inequivocáveis do Evangelho, há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles”.
8o. "Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa”. "Espiritualidade da comunhão significa em primeiro lugar ter o olhar do coração voltado para o mistério da Trindade, que habita em nós e cuja luz há de ser percebida também no rosto dos irmãos que estão ao nosso redor. Espiritualidade da comunhão significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como «um que faz parte de mim», para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade. Espiritualidade da comunhão é ainda a capacidade de ver antes de mais nada o que há de positivo no outro, para acolhê-lo e valorizá-lo como dom de Deus: um «dom para mim», como o é para o irmão que diretamente o recebeu. Por fim, espiritualidade da comunhão é saber «criar espaço» para o irmão, levando «os fardos uns dos outros» (Gal 6,2) e rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes".
9o. "Em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade". "É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta «medida alta» da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção".
10o. "A nova evangelização será eficaz se souber proclamar de cima dos telhados o que viveu primeiro na intimidade com Deus". "Começa um novo século e um novo milênio sob a luz de Cristo. Nem todos, porém, vêem esta luz. A nós cabe a tarefa maravilhosa e exigente de ser o seu «reflexo».” Com o uso de todos os modernos meios de comunicação social (citações de NMI).
O POVO DE DEUS DA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA
O conceito de Povo de Deus é, ao mesmo tempo, de sujeito e objeto da ação evangelizadora: de sujeito, enquanto responsável por toda a missão evangelizadora da comunidade eclesial; de objeto, na medida em que é o destinatário da Boa Nova pela qual deverá ser atingido.
O conceito de Povo de Deus no Concílio Vaticano II, colocado onde está na Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM, no II Capítulo, logo após o Capítulo da Igreja como Mistério, revela bem que essa categoria é de fundamental importância para a eclesiologia, uma vez que o leigo encontra aí uma fundamentação para a sua cidadania eclesial, superando os dois gêneros de cristãos que existiam na igreja: o gênero dos clérigos e o dos leigos.
O Povo de Deus, presente em nossa Arquidiocese, é um povo em movimento, dinâmico, alimentado pela utopia do Reino de Deus. Não nasce povo, se torna, não nasce pronto e acabado, ao contrário, vai se tornando povo à medida que acolhe o sopro do Espírito Santo. Portanto deve incorporar uma atitude de peregrino.
PARA CONSTRUIR COMUNIDADES
A identidade da Igreja (SINM Parte II) é traçada no livro dos Atos dos Apóstolos no cap. 2, 42-47 e completada com os traços de At. 4, 32-35. 5, 12-16. A fé foi por demais privatizada e não poucos acreditam que religião é assunto meramente individual, particular. O referido projeto é uma aposta no valor da vida comunitária para o cultivo e a transmissão da fé e, mais, acredita que a comunidade seja o espaço de verificação da autenticidade da fé. Nos anos que seguiram o Concílio Vaticano II, a Igreja no Brasil desenvolveu uma prática de reflexão em pequenos grupos, comunidades (CEB´s), que sustentou a fé de inúmeros irmãos e irmãs, bem como tornou a Igreja muito mais próxima da realidade vivida pelo povo. Com o mesmo projeto queremos investir profundamente nas comunidades e grupos de reflexão como meios mais eficazes da sustentação da mística necessária para o cristão dos dias de hoje, sobretudo o que vive no meio urbano.
QUE REAFIRMEM SUA ADESÃO À PESSOA E À MISSÃO DE JESUS CRISTO LIBERTADOR
O objetivo aqui coloca em destaque a importância da adesão à pessoa e à missão de Jesus Cristo Libertador. Não basta só a comunidade em si, apesar de ser um valor o espírito comunitário como espaço de superação do individualismo crescente de nossa sociedade. É imperativo que essa comunidade vá crescendo na adesão a Jesus Cristo, aprofundando o conhecimento da sua pessoa e ao mesmo tempo da sua missão e da proposta de realização humana que ele vivenciou e deixou para nós como oferta gratuita presente nos evangelhos. O acréscimo do adjetivo libertador quer enfatizar a situação sócio-econômico-política e cultural de nosso povo, marcada sobretudo pela injustiça, exclusão social e falta de ética, e quer sinalizar qual o significado da presença da Igreja na sua relação com o mundo. Basta-nos olhar as páginas dos evangelhos e observar como Jesus realizou a sua missão e, de forma encarnada, fazer a sua memória, atualizando-a no prosseguimento e no seguimento de Jesus Cristo, em tudo que disse e em tudo que fez. A libertação é integral, ou seja, de todos os homens e de toda a forma de escravização que neles existam.
NA SUA PAIXÃO PELO PAI E PELOS POBRES
Fazendo uma leitura da Vida de Jesus nos Evangelhos descobrimos quais as suas duas grandes paixões: a intimidade que tem com o Pai e, neste particular, são inúmeros os textos que confirmam a idéia; Jesus se colocou freqüentemente, na realização de sua missão diante do Pai, especialmente porque, sendo a revelação definitiva do que o Pai queria para a humanidade, colocou esta missão acima da sua pessoa; sua outra grande Paixão foram os POBRES.
“A ação salvífica de Deus se dirige prioritariamente aos pobres e excluídos; o amor preferencial de Deus pelos seres humanos tem preferências que devem ser respeitadas. O que quer Deus revelar com tal atitude? O que nos pobres poderia justificar esse gesto divino? Cabe-lhes um papel especial na economia salvífica querida por Deus? Na Bíblia encontramos na libertação do povo escravo no Egito o tema central da fé veterotestamentária (Dt. 26, 5-10). Esta fé distingue-se da que se encontrava nos povos vizinhos, pois este gesto de Deus se volta não para indivíduos em situações concretas, mas para um grande grupo social. Além disso, como esse povo se encontrava excluído do sistema social escravizante, Deus o leva a se constituir outra sociedade e, sobretudo, demonstra seu fundamento último no próprio Deus. .
Dando continuidade à missão de Jesus na sua paixão pelos pobres ele se torna medida e modelo estrutural da nossa experiência de Deus. Ele se faz pobre. Convive com os pobres. Privilegia os pobres. Come com os pobres. Fá-los destinatários primeiros e principais da Boa Notícia (Lc. 4, 16-21.7,22; Mt. 11,15). Ele nos revela, portanto, onde e como experimentar a Deus, seu Pai, na concretude da experiência com os pobres. O Deus do Reino só se atinge na experiência do Reino de Deus. E este Reino é dos pobres.
Experimentar Deus no pobre é imitar a Jesus na sua experiência de Deus.
EDIFICANDO, A SERVIÇO DO RESGATE DA DIGNIDADE HUMANA, UMA IGREJA SAMARITANA
Aparecem aqui duas características eclesiológicas: uma Igreja Servidora e Samaritana. O Serviço é a primeira exigência da evangelização, como muito bem explicitam As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. “Por ele se reconhece a dignidade fundamental do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. Pelo serviço ao mundo, a Igreja se solidariza com as aspirações e esperanças da humanidade, levada, pela fome e sede de justiça, a colocar-se a serviço da causa dos direitos e da promoção da pessoa humana, especialmente, dos mais pobres em vista de uma sociedade justa e solidária”.
Na Carta Apostólica de João Paulo II, no início do Novo Milênio, traduzindo o programa para o terceiro milênio em orientações pastorais às condições de cada comunidade, afirma o Papa: “É de se esperar que o século e o milênio que estão começando hão de ver a dedicação a que pode levar a caridade para com os mais pobres. Se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo devemos saber vê-lo, sobretudo no rosto daqueles com quem ele mesmo se quis identificar (Mt. 25, 35-36)”. Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nela, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede (o grifo é nosso) a sua fidelidade de Esposa de Cristo.
Segundo as palavras inequívocas do Evangelho que acabamos de referir, há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a igreja a uma opção preferencial pelos pobres. É hora de uma nova “fantasia da caridade”, que se manifeste não só, nem sobretudo, na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna. Entretanto este texto deve ser complementado e relido à luz de um outro documento do magistério universal: A Igreja na América (J. Paulo II). “O serviço aos pobres, para que seja evangélico e evangelizador, deve ser um reflexo fiel da atitude de Jesus, que veio 'para anunciar aos pobres a Boa Nova'” (Lc. 4,18). Essa constante dedicação pelos pobres e excluídos da sociedade se reflete no Magistério social da Igreja, que não se cansa de convidar a comunidade cristã a comprometer-se, a superar toda forma de exploração e opressão. Trata-se, de fato, não só de aliviar as necessidades mais graves e urgentes através de ações individuais ou esporádicas, mas de pôr em evidência as raízes do mal, sugerindo iniciativas que dêem às estruturas sociais, políticas e econômicas uma configuração mais justa e solidária.
Dessa forma, a paixão pelos pobres acontece na comunidade eclesial para resgatar a dignidade humana, imagem e semelhança de Deus, tendo como horizonte eclesial o simbolismo de uma Igreja Samaritana, que se preocupa com os que estão à margem e deles prioritariamente se ocupa; são percebidos por ela, que toma atitudes de acolhimento, de cuidados.
EM QUE TODOS SEJAM SUJEITOS DE UMA NOVA HISTÓRIA
Aqui o destaque se dá na pedagogia, na metodologia de trabalho. Se os destinatários privilegiados, não os únicos, da nossa ação evangelizadora são os pobres, eles não podem ser vistos como objetos, mas valorizados como pessoas que têm uma história, que têm valores, que têm carismas e que, portanto, merecem ser respeitados, valorizados. Nosso testemunho deve ir na contramão da história em que estes não são valorizados, não contam e, o pior, são manipulados. Nossa presença é de quem está do lado deles, com eles; eles devem ser os construtores da história, não de uma história qualquer, mas de uma nova história, que tem como horizonte a realização antecipada do Reino de Deus.
A CAMINHO DO REINO DEFINITIVO
Sem dúvida, a nova história já está se gestando e são inúmeros os seus sinais. Não devemos ser pessimistas, já que o nosso alimento é a esperança de que a situação dada não se constitui o fim da história. Pode ser diferente. O alimento do cristão é a fé na ressurreição, que é motor de vida nova.
“A caminho do reino definitivo, os cristãos são reconfortados pela certeza da esperança na difícil luta pela libertação integral da pessoa humana e pela construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna. O cristão tem consciência de seu compromisso na edificação da cidade terrena, mas sempre com os olhos voltados para a Jerusalém celeste, para o triunfo final de Deus, quando todas as coisas lhe serão submetidas e quando Deus será "tudo em todos". É o desfecho glorioso da História da salvação, com a vitória absoluta e definitiva de Deus”.
Afinal de contas, o mundo novo irrompeu com Jesus de Nazaré e o seu Evangelho é carregado de sentido vital, pois é o anúncio da vitória de Deus sobre tudo o que esmaga o ser humano. Na experiência da cruz estoura a proclamação da ressurreição, antecipação da Vida Plena.
Prioridades
Formação
Justificativa
A escolha desta prioridade fundamenta-se na confrontação entre o Marco Referencial, em que foram colocados os nossos sonhos e desejos, e o Diagnóstico, em que foi vista a nu nossa realidade. Senão vejamos:
Os leigos têm sede de formação, precisam e procuram, entretanto é deficiente a formação de agentes para a ação evangelizadora e pastoral. Falta principalmente fundamentação bíblica. São poucas as lideranças, os agentes preparados para uma melhor ação, perseverança e engajamento nas pastorais. Coordenadores despreparados dificultam a participação e a consecução dos objetivos. Muitos agentes de pastoral não sabem ler e há lideranças estacionadas, que não se abrem ao novo.
Alguns grupos ou algumas pessoas, às vezes, têm iniciativa própria. As pessoas se juntam aos grupos existentes e, a partir daí, as coisas vão acontecendo de acordo com a percepção de cada um.
Alguns leigos e padres fazem as coisas a partir do que pensam. Não têm como base a Igreja e o Evangelho. Daí o individualismo e as divisões.
Em algumas Regiões Episcopais, a formação acontece em nível paroquial, através de encontros, onde se reúnem as comunidades e são repassados subsídios para estudo, apostilas, com troca de experiência entre elas. Entretanto há paróquias que fazem tudo, menos investir na formação.
Em algumas paróquias existem cursos periódicos e sistemáticos, e até mesmo Escola de Formação, cujos conteúdos são programados de acordo com a necessidade da comunidade. Entretanto em muitas outras, a formação é feita de forma esporádica, momentânea, com pouco interesse de seus párocos e sem apoio financeiro das paróquias.
Muitos movimentos procuram dar uma formação intensa aos seus membros, seguindo, porém, orientação própria para atingir os seus objetivos. Outros movimentos e diversas pastorais estão naquela de conservação e pouco caminham na linha da formação.
Algumas pastorais sociais, organismos, comunidades eclesiais de base realizam cursos e encontros de formação, entretanto o fazem, muitas vezes, de forma isolada. Muitos dos que participam de encontros de formação, quando voltam para a comunidade, não fazem o repasse, nem mesmo comunicam o que receberam.
Com relação à juventude, faltam agentes preparados e disponíveis.
Na liturgia, nas celebrações, há um despreparo dos leitores, fazendo com que a Palavra de Deus não seja bem comunicada. Há um desconhecimento dos símbolos litúrgicos. Muitos não sabem o significado, não sabem responder nem compreender o simbolismo e o ritual. Há também homilias pouco envolventes e muito compridas, repetitivas, sem um objetivo claro, dando a impressão de que não são preparadas e não têm uma mensagem central. Alguns párocos necessitam de maior apoio para adquirir melhor capacitação diante dos problemas pastorais de hoje.
Os institutos de Formação da Arquidiocese dão boa formação, têm bons formadores e os conteúdos são atualizados. Entretanto são seletivos, muito voltados para si mesmos. Muitos na Arquidiocese desconhecem como é feito o trabalho de formação nesses institutos. Talvez, por isso, nem sempre os cursos oferecidos são aproveitados pelas paróquias. Além disso, é difícil o acesso dos leigos, porque o preço das mensalidades é muito alto. Falta um projeto financeiro para a formação sistemática dos agentes de pastoral, leigos e leigas.
Uma grande dificuldade para a formação dos leigos é que muitos não dispõem de recursos para a sua formação. Muitos gostariam de fazer teologia ou outro curso no ICRE, ITEP ou ESPAC, mas não têm dinheiro para pagar.
Pastoral Social
Justificativa
A escolha desta prioridade fundamenta-se na confrontação entre o Marco Referencial, em que foram colocados os nossos sonhos e desejos, e o Diagnóstico, em que foi vista a nu nossa realidade.
A ação pastoral da Arquidiocese está aquém da realidade social. O compromisso com as causas sociais deixa a desejar. Não se conhece profundamente nem a realidade, nem as necessidades das pessoas. Há muitos cristão e grupos que não escutam nem sentem os anseios das comunidades, não ouvem o grito do povo, nem se sensibilizam com seu sofrimento. Não conhecem a Doutrina Social da Igreja e não têm clareza sobre a ação pastoral. Em alguns segmentos da Igreja, há preconceitos (racismo) e espírito de segregação, de exclusão, que dificultam o relacionamento e a unidade.
Crescem na sociedade as desigualdades, a corrupção e a impunidade. Aumentam a violência e a influência da televisão. Surgem desafios novos que não encontram respostas. Os políticos são corruptos e a sociedade é consumista e individualista. Falta esperança diante da classe política.
Quando se chega à militância, à formação dos grupos de defesa da vida, quando falta pão, quando falta água, quando os pobres são machucados... é grande a indiferença, o medo, a distância. Falta maior consciência em nossos agentes e amor nos corações dos que se dizem cristãos. Há também um sentimento de impotência nas pessoas. Sentem-se fracas, despreparadas.
Para realizar um trabalho transformador, faltam agentes capacitados, que tenham na Palavra de Deus a motivação. “A messe é grande, mas os operários são poucos”. O progresso na ação transformadora está acontecendo, mas apenas em algumas comunidades e de forma lenta. Algumas paróquias e áreas pastorais não realizam nem apóiam as Pastorais Sociais. Não participam dos eventos e celebrações de momentos fortes da vida do povo ou da ação sócio-transformadora da Igreja, como o Grito dos Excluídos, o 1º de maio, a Romaria da Terra, as celebrações ou mobilizações de partilha, de solidariedade nos momentos difíceis das comunidades. Alguns entendem ação transformadora da Igreja como ação assistencialista.
Alguns grupos se limitam somente a cantar e a fazer reuniões, deixando de lado a ação pastoral. Muitas vezes, a ação social e transformadora resume-se a reuniões com poucos frutos ou a obras puramente assistenciais. Existem muitas iniciativas de assistencialismo, como trabalhos com mães gestantes, idosos, sopão, cestas básicas, auxílio aos desabrigados, etc. Outras vezes, as ações na comunidade nem se concretizam, ou seja, ficam apenas no papel, faltando responsabilidade, engajamento e compromisso, com acomodação de pastorais, movimentos, grupos e paróquias. A própria comunidade dificulta essa ação pastoral.
Há pessoas e grupos na Igreja que ainda não se sensibilizaram pelo social. Deixam-se influenciar pelos trabalhos de assistencialismo realizados por determinados políticos ou “associações” ligadas a políticos... Falta conversão das pessoas para entender que a ação transformadora é uma exigência do ser cristão.
Em nível de Regiões Episcopais, existentes na Arquidiocese muitos desconhecem a existência de uma ação transformadora. Esta ação acontece, mas sem uma coordenação por parte da Região e da Arquidiocese. É o caso das Pastorais Sociais. Não está boa a articulação das Pastorais Sociais e Organismos da Arquidiocese. O ativismo gera cansaço em algumas lideranças. A questão financeira também dificulta a formação dos agentes das Pastorais Sociais.
Economia Solidária
Justificativa
A escolha desta prioridade fundamenta-se na necessidade de a Arquidiocese enfrentar o desafio da desigualdade de renda, tanto na sociedade cearense como dentro da própria Igreja, conforme indicaram as sínteses do Marco Referencial e do Diagnóstico, feitas durante o Planejamento Participativo, e buscar solução pastoral para sua superação dentro da Igreja e para apoio a iniciativas de economia solidária, de associativismo e cooperativismo. Apresentamos, a seguir, os itens mais fortes das sínteses, neste tocante.
Reproduzimos na Igreja a sociedade individualista, omissa e excludente. Entre Paróquias parece haver competição para ver qual delas está mais bem organizada. Não há ajuda mútua entre as paróquias. As mais ricas, também em valores humanos, não sabem partilhar.
Quanto ao sistema de manutenção por meio de taxas e espórtulas, verifica-se uma grande diversificação no preço. Não se segue a tabela determinada pela Arquidiocese e não se dá a razão da cobrança a mais. Algumas paróquias chegam a cobrar R$ 100,00, ou mais, por uma missa particular. O atual sistema de taxas não transmite ao mundo a imagem de igreja-comunidade, em que todos são igualmente responsáveis e irmãos. Por outro lado, há fiéis que reclamam das taxas cobradas pela Igreja, entretanto chegam a pagar muito mais aos cerimonialistas, cantores, decoradores, fotógrafos e cinegrafistas.
Os padres não recebem um salário que lhes garanta a sustentação pessoal; por isso, muitos buscam, na celebração dos sacramentos, a fonte de sua manutenção. Alguns acham que é um mal necessário, pois o dízimo não cobre as despesas da Paróquia. Infelizmente, há padres que dão mau exemplo, pois, preocupando-se exageradamente em adquirir bens materiais, vendem sacramentos e exploram o povo com missas caríssimas, sobretudo de falecidos. Dão a impressão de querer viver como ricos, no meio dos ricos e das altas rodas.
Também é pouco o interesse pelos padres idosos e doentes. Falta, na Arquidiocese, um projeto concreto de acompanhamento.
Às vezes, os paroquianos desconhecem o trabalho do Conselho de Assuntos Econômicos. Alguns Conselhos de Assuntos Econômicos existem, mas são inoperantes, pois não lhes são atribuídas as responsabilidades a eles inerentes. Suas opiniões não são solicitadas pelo Pároco. Quanto ao Conselho de Assuntos Econômicos da Arquidiocese, alguns acham que falta transparência. Para alguns, é péssima a organização econômica.
É necessário que se tenha mais atenção às questões trabalhistas e à documentação de capelas e imóveis da Igreja.
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