Bispo: Servidor dos Servidores | Arquidiocese de Fortaleza
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Bispo: Servidor dos Servidores

Maria

Padre Geovane Saraiva*

Voltando-me para Santo Agostinho, numa reflexão sobre os bispos, pensei em Maria, na condição de Rainha dos Apóstolos, em união com aquele que gerou, hauriu da misteriosa força do seu múnus apostólico, na sua íntima e encantadora realidade salvífica, naquele amor, que podemos imaginar como sendo o mais inflamado, sublime e restaurador.

Daí a participação do doutor da graça e dos bispos, no sacerdócio de Cristo! Só lhe acrescenta responsabilidade e pena, ao afiançar: “O que tenho em comum convosco enche-me de entusiasmo; o que tenho diferente de vós atormenta-me, enche-me de tremor”. Que os bispos saibam sempre mais se voltarem para o Livro Sagrado, enxergando aí Nossa Senhora, e a partir dela a redenção, Jesus de Nazaré imolado, na sorte de associar-se aos seus sofrimentos.

A grandeza de Maria, na minha inconsistente imaginação, pode muito ajudar os bispos nos nossos difíceis tempos, ela que, ao nos presentear com o Messias-Redentor, também participa de sua suprema imolação entre tormentos, pela sua transcendente, inaudita e sublime entrega. O bispo, com efeito, é o Servidor dos Servidores. Antes de tudo, ele é o servo dos padres e dos religiosos. Sua tarefa de amor na Igreja deverá primar pela atenção dada aos que ocupam os postos imediatos e diretos de serviço aos fiéis. No supracitado apostolado da Mãe do Redentor, na mais segura confiança de que é o Espírito da Verdade que o acompanha, passo a passo, descobre-se a grandeza do trabalho específico, implacável quanto indulgente, dos sacerdotes com o bispo, unidos ao Papa.

Missão do bispo na saudação do Anjo Gabriel: “Não temas, Maria (…). O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1, 30-35). O bispo em particular tem que se considerar qual pálida imagem da Virgem. É pai, como ela foi mãe, por obra do Consolador, o Paráclito. Terá também que exercer seu governo com entranhas de bondade e clemência, semelhantes às da doce mãe da nova humanidade (cf. Dom José M. Delgado).

Que seja real e constante a presença da Mãe de Deus no pastoreio de nossos bispos. Que a Santíssima Virgem Maria nos proteja e nos revele aquela paz tão sonhada por Deus, a qual o Brasil tanto necessita! Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e Colunista, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.

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