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[Editorial – julho 2015] “Com Maria no Caminho da Caridade.”

“Com Maria no Caminho da Caridade.”

 Neste ano estamos vivendo o ANO DA CARIDADE NO JUBILEU CENTENÁRIO DA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA (1915 – 2015). Nada mais oportuno para reavivar a caridade de nosso povo que volta às suas fontes cristãs: católica e mariana. “Levados pela Caridade de Cristo.” (2Cor. 5,14)

Teremos como tema: CAMINHAMOS COM MARIA NA CARIDADE DE CRISTO.

Mais que refazer um trajeto histórico de percurso da imagem venerada de Nossa Senhora da Assunção, da Barra do Ceará à Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, vamos ao conteúdo da fé, contemplado e meditado com a oração do Rosário da Virgem Maria: 20 mistérios etapas da vida de Cristo e de Maria. Este caminho do rosário é síntese do caminho de fé de todo cristão. Parte de um encontro com Deus que é encontro com Seu Filho feito homem no seio da Virgem Maria. Depois esta entrada de Deus na vida humana marca um trajeto e estilo de vida no Amor a Deus e ao próximo que se consumará no Sacrifício da Cruz e na Ressurreição de Jesus com o dom do Espírito Santo e o nascimento da Igreja em seus caminhos pelo mundo rumo à glória do Reino de Deus definitivo, contemplado em Maria, Rainha do Céu e da Terra.

Este itinerário é ícone para toda a humanidade, que nele contempla o significado da história humana e sua meta.

Portanto, a oração do rosário mariano não é apenas a repetição mecânica de certa quantidade de Pai-nosso e Ave-Maria, mas profunda contemplação do Evangelho de Cristo, da Palavra de Deus, do viver em Cristo. Com Maria, Sua e nossa Mãe (cf. Jo 19, 26-27) aprendemos do vivo testemunho o como viver em Cristo. Por isso a levamos para a casa como o apóstolo João – e a nossa casa comum é a Igreja inserida neste mundo rumo ao Pai Celeste.

Refazer esta caminhada física e espiritualmente renova as convicções da Fé e o sentido de viver na cidade terrena como semeadura e cultivo do viver definitivo na Cidade Celeste.

Esta CAMINHADA COM MARIA, não nos afasta absolutamente de Cristo, mas a Ele nos faz tudo referir como princípio, caminho e meta de nossa Fé. Esta mesma caminhada não nos aliena do compromisso com este mundo no qual vivemos, mas a ele nos integra de modo ainda mais responsável, como chão onde se caminha para a Vida definitiva. Nele vivemos o Amor que se tornará pleno e eterno.

Comemorando o centenária da existência da Igreja Arquidiocesana de Fortaleza, a celebramos como Igreja Mãe no Ceará. E o Concílio Vaticano II, do qual também comemoramos os 50 anos de realização, ao falar de Maria nos diz:

“A Igreja, contemplando a santidade misteriosa de Maria, imitando a sua caridade, e cumprindo fielmente a vontade do Pai, pela palavra de Deus fielmente recebida, torna-se também ela mãe, pois pela pregação e pelo batismo gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é também a virgem, que guarda íntegra e pura a fé jurada ao Esposo, e, à imitação da Mãe do seu Senhor, pela graça do Espírito Santo, conserva virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança, sincera a caridade. (LG 64)

“Enquanto a Igreja já alcançou na bem-aventurada Virgem essa perfeição que faz que ela se apresente sem mancha nem ruga (cf. Ef 5,27), os fiéis, porém, continuam ainda a esforçar-se por crescer na santidade, vencendo o pecado; por isso levantam os olhos para Maria que refulge diante de toda a comunidade dos eleitos como modelo de virtudes.

A Igreja, refletindo piedosamente sobre Maria e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra cheia de respeito, mais e mais no íntimo do altíssimo mistério da encarnação, e vai tomando cada vez mais a semelhança do seu Esposo.

Com efeito, Maria, que entrou intimamente na história da salvação, de certo modo reúne em si e reflete as maiores exigências da fé; quando é exaltada e honrada, ela atrai os crentes para seu Filho, para o sacrifício dele e para o amor do Pai.

E a Igreja, por sua vez, empenhada como está na glória de Cristo, torna-se mais semelhante ao seu modelo tão excelso, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade, buscando e cumprindo em tudo a vontade de Deus.

Com razão, a Igreja, também na sua atividade apostólica, olha para aquela que gerou a Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem precisamente para poder nascer e crescer, por meio da Igreja, também no coração dos fiéis.

A Virgem, durante a vida, foi modelo daquele amor materno de que devem estar animados todos aqueles que colaboram na missão apostólica da Igreja para a redenção dos homens.” (LG 65)

Esperamos assim, mais ainda, com esta nossa manifestação pública e comum, fazer o Caminho com Maria e testemunhá-lo presente em nós, Sua Igreja, para levá-lo a todo o mundo em nova evangelização, expressão do renovado Amor de Deus. Assim fazemos com Maria, Mãe de Jesus dada a nós (cf. Jo 19, 25-27), o Caminho da Caridade que é Cristo.

+ José Antonio Ap. Tosi Marques

Arcebispo Metropolitano

 

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