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“Devoção Mariana em tempo de Nova Evangelização”

O mês de maio, na vivência cristã católica, é marcado, de modo intenso e muito evidente, pela devoção mariana, principalmente em nosso meio. São festas, santuários e romarias, rezas e novenas, diversas manifestações tradicionais dirigidas a Maria, Mãe de Jesus e da Igreja. Finalmente as apoteóticas coroações de Nossa Senhora, presentes nas grandes igrejas ou pequenas capelas, tradição popular firmemente estabelecida.

E nos perguntamos se, nestes tempos em que a Igreja volta a repropor a urgência de Nova Evangelização em um mundo cada vez mais secularizado e distante dos valores do evangelho na trama da vida diária mesmo de muitos que se dizem fervorosamente católicos, será oportuno voltar a práticas devocionais antigas?

Esta pergunta tem seu sentido e oportunidade.

O que está faltando na vida cristã ? O que exige de nós a mudança de época em que vivemos ? O simples retorno ao devocional, às práticas de fórmulas e gestos religiosos, será suficiente para responder aos desafios que hoje se impõem à Fé?

Ao falar em Evangelização o Papa Paulo VI em Evangelii Nuntiandi chamava a atenção para a Evangelização como formação de mente e coração, critérios, opções e atitudes a partir da pessoa e dos ensinamentos de Jesus Cristo. Assim a Evangelização não será mero verniz a se colocar superficialmente na vida de uma pessoa que não é transformada pelo conteúdo do próprio Evangelho.

A necessidade da Evangelização é hoje ainda mais evidente, quando percebemos a grande lacuna na formação dos cristãos. A identidade e pertença a Cristo não são testemunhadas na vida, nas atitudes e nas estruturas da sociedade humana, que quer ser cada vez mais autônoma, livre de qualquer vínculo com Deus e com sua vontade expressa na própria criação.

Haverá lugar para a Devoção Mariana em tempo de Nova Evangelização?

Será que a pessoa de Maria, Mãe de Jesus dada por ele aos homens, é significativa para esta transformação cristã tão necessária e esperada?

A Igreja no Brasil, em suas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, seguindo as mesmas orientações do Magistério Eclesial hoje, percebe exigências que não podem ser esquecidas. A Igreja é o lugar da iniciação à vida cristã. A Igreja surge do acolhimento fundamental da Palavra de Deus em sua vida e ação. A Igreja, comunidade dos cristãos, é comunhão de muitos e diversos fiéis e grupos humanos. A Igreja é toda ela permanentemente participadora da mesma missão de Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em plenitude.

Evangelizar é partir do encontro pessoal com Cristo. E este encontro se desenvolve em seguimento, discipulado para formar em si o modo de viver de Cristo. Este discipulado funda-se na vontade de Deus expressa em Sua Palavra que se fez carne e habitou no meio de nós. Por Ele, com Ele e nEle, no Seu Dom –Espírito Santo de Amor – realiza a comunhão universal. Torna-se missão de um Amor difusivo, que deverá chegar como plena vida a todos na sinalização e construção do Reino de Deus.

Teremos que dar uma resposta à questão inicial: Haverá lugar para a Devoção Mariana em tempo de Nova Evangelização?

Teremos que levar em consideração a pessoa, a vida, o testemunho e a obra realizada por Deus em Maria, Mãe de Jesus e Nossa Senhora em sua realidade mais profunda, além de devoções apenas doces e sentimentais.

Ela é a mulher do projeto de Deus. Ela é a filha prediletamente preparada para a maternidade do Filho de Deus nela feito Homem. Ela é a discípula da vontade divina. É a seguidora de Jesus a partir do encontro fundamental da graça de Deus nela e do seu SIM. Ela é caridosa advogada da humanidade. Ela, Mãe do Verbo de Deus humanado, é Mãe de toda a humanidade nEle recriada pela graça da redenção. Ela é modelo para o cristão e para a Igreja e toda a humanidade. Presente na realização da salvação humana de modo ímpar, não por menos é chamada “Estrela da Evangelização”.

Muito significativa a expressão “Estrela”, pois sinaliza no céu da vida a Direção, o Caminho, a Verdade, a Vida – Cristo Jesus.

As devoções necessitam ser refundadas cada vez mais na vida concreta de Maria, modelo para todos os cristãos, para não terminarem sendo o que já São Paulo lembrava aos nossos irmãos, cristãos de Corinto: “13, 1 Se eu falasse as línguas dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2 Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, eu nada seria. 3 Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me entregasse como escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria.”

 

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

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