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[NOTÍCIAS/Brasil] Igrejas e instituições propõem turismo religioso justo e responsável na Terra Santa

turismo500Por Jaime C. Patias  , POM

A Terra Santa, lugar onde nasceu e viveu Jesus, recebe anualmente 3, 5 milhões de turistas estrangeiros. Destes, 60 mil são brasileiros, sendo que 50% viajam por motivo religioso. Cada visitante permanece entre 7 e 12 dias na região e injeta em média 1.300 dólares no mercado. O Estado de Israel controla quase todos os roteiros e lugares turísticos, mesmo os que estão em território palestino e lucra cerca de 30 milhões de dólares por ano. Enquanto isso, o Estado da Palestina ganha aproximadamente 1 milhão de dólares.

O discurso para atrair turistas é marcado pela ideologia israelense que conta a história a partir de uma visão unilateral e de controle, o que impede ao visitante conhecer a real situação do povo palestino. Diante dessa situação, membros do “Kairós Palestina Brasil”, representantes de diversas instituições e simpatizantes realizaram, nos dias 9 e 10 de outubro, em Brasília (DF), uma consulta sobre Turismo Religioso justo e responsável. A proposta não é combater o Turismo Religioso, mas elaborar um código de conduta para uma prática de turismo alternativo e a partir do povo palestino. Após intensa troca de informações e reflexões o grupo traçou princípios e diretrizes para a redação de uma carta sobre o tema.

O advogado palestino Dafer Kassis, secretário de incidência pública do Grupo de Turismo Alternativo, uma organização sediada em Belém, participou da reunião e explicou que o Grupo vem trabalhando de forma diversificada, em duas áreas: o turismo propriamente dito e um Centro de Estudos que realiza pesquisas sobre temas específicos como, meio ambiente e direitos humanos. “Acreditamos que o turismo na Palestina é diferente daquele feito em outras partes do mundo. Lá os visitantes devem falar com as pessoas. Se isso não acontecer, o turista não foi para a Palestina”, ponderou Dafer ao apresentar o documento “Venham e Vejam” que detalha a proposta. Segundo ele, o turista pode ver as igrejas, monumentos e sítios bíblicos, mas esses lugares são “pedras mortas”. O turista deveria ir à Palestina para se encontrar com as pessoas que representam as “pedras vivas”. Esse é o diferencial.

Estima-se que 90% dos visitantes não sabem que estão no território palestino, pois os pacotes organizados pelas agências brasileiras e israelenses orientam a não falar com ninguém. Tudo é controlado pelo Estado de Israel que já tomou, pelo menos, 30 lugares de turismo palestino. Dados oficiais revelam que 71 agências brasileiras são credenciadas por Israel e seguem o protocolo. A proposta alternativa prevê hospedagem em famílias como forma de conhecer a real situação do povo em especial quanto ao acesso à água, terra, infraestruturas e locomoção em seu próprio chão recortado pelo muro de 8 metros de altura e assentamentos de colonos israelenses.

Dafer destacou ainda, a oliveira como símbolo da resistência palestina. “Para matar uma oliveira, não basta cortar o tronco, pois ela sempre brota. É preciso arrancar a cepa e isso Israel faz para quebrar a nossa fonte de renda derivada do óleo, madeira e azeitona”, denunciou o advogado. Ele explicou que muitas árvores fazem parte da tradição de famílias com várias gerações, mas por causa do muro, estas não têm acesso às plantas.

Para incentivar formas alternativas de turismo, Dafer propõe começar com um grupo de lideranças que depois se tornariam multiplicadores da experiência. Ele credita que bastariam 200 pessoas para a alternativa prosperar e se multiplicar.

Ao final, houve consenso entre os participantes de promover junto às organizações religiosas a “Peregrinação Palestina e Israel: alternativa de Turismo justo e responsável à Terra Santa”. Para tanto, foram traçadas algumas estratégias de ação.

Na reunião, reveladoras foram informações trazidas pelos jovens Alexandre Quintino e Rafael Diógenes, membros da coordenação, no Brasil, do Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e Israel (EAPPI). Eles viveram na Cisjordânia por três meses. O tempo de permanência e o trabalho de acompanhamento de situações de conflitos lhes permitiu uma percepção mais profunda da realidade de ocupação feita com violência e abusos de direitos humanos onde nem as crianças são poupadas. Felizmente, nem todos os israelenses concordam com a política adotada pelo governo de Tel Aviv. Há ONGs israelenses que trabalham em prol dos palestinos e alguns ativistas inclusive, são presos por isso.

O EAPPI foi criado pelo Conselho Mundial de Igrejas e, em 12 anos, já teve a participação de 1.500 pessoas. Uma das constatações é de que os turistas cristãos nunca se esquecem da Terra Santa, mas ao mesmo tempo, não tomam conhecimento das comunidades que lá vivem e sofrem com a repressão de Israel, Estado que financia suas ações com os milhões de dólares deixados pelos visitantes. Existe também a preocupação de recuperar o sentido teológico e espiritual da peregrinação bíblica contrapondo a visão puramente econômica embutida no termo turismo.

Kairós Palestina: Momento da Verdade

O Documento chamado “Kairós Palestina: Momento da Verdade” foi elaborado em 2009 por um grupo de teólogas e teólogos palestinos, membros de diversas igrejas que vivem o cotidiano do conflito Israel-Palestina. O documento expõe os sofrimentos das pessoas que vivem na Palestina, sob o regime de invasão territorial.

Por ocasião do Fórum Social Mundial (FSM) Palestina Livre, realizado em Porto Alegre, em outubro de 2012, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), com apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), realizou uma oficina para refletir sobre uma resposta brasileira ao Kairós Palestina. A reflexão resultou no documento intitulado “Kairós Palestina: Uma resposta brasileira”. A consulta sobre Turismos Religioso na Palestina e Israel realizada em Brasília é mais uma iniciativa de solidariedade no âmbito desse documento. A iniciativa contou com o apoio da FLD e do CONIC. Participaram da atividade ainda, o Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pontifícias Obras Missionárias (POM), Rede Ecumênica da Juventude (REJU), Koinonia, Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Visão Mundial e, em momentos específicos, o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada da Palestina.

 

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