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[Notícia] Na Bolívia, Francisco volta a falar sobre descarte e exclusão social

Francisco chegou ao aeroporto de El Alto, cidade vizinha de La Paz, e foi recebido pelo presidente Evo Morales. No aeroporto, o papa dirigiu-se aos milhares de presentes e falou novamente sobre a cultura do descarte e da exclusão social, dois temas que têm usado constantemente nesta viagem à América do Sul.

Ao recordar que a Constituição bolivariana reconhece os direitos dos indivíduos, das minorias e do meio ambiente, o pontífice afirmou que a Bolívia tem dado passos importantes na inclusão de amplos setores na vida econômica, social e política do país. “Tudo isto requer um espírito de cooperação dos cidadãos, de diálogo e participação dos indivíduos e dos atores sociais nas questões de interesse comum. O progresso integral de um povo inclui o crescimento em valores das pessoas e a convergência em ideais comuns que consigam unir vontades, sem excluir nem rejeitar ninguém”, declarou.

Francisco advertiu que o crescimento deve levar em consideração o ser humano em sua condição integral, pois “se o crescimento for apenas material, corre-se sempre o risco de voltar a criar novas diferenças, de a abundância de uns ser construída sobre a escassez de outros. Por isso, além da transparência institucional, a coesão social requer um esforço na educação dos cidadãos”.

O papa usou a expressão “cultura da memória” para falar sobre o cuidado “com os que são descartados por tantos interesses colocados na vida econômica e no deus dinheiro”. “São descartadas as crianças e jovens que são o futuro do país, e os idosos que são a memória. Por isso, devemos cuidar e protegê-los, porque são nosso futuro”, pediu.

Segundo Francisco, “a Igreja opta por gerar este cuidado com uma ‘cultura da memória’ que garanta aos idosos não só a qualidade de vida em seus últimos anos, mas calor e carinho, como bem expressa a Constituição deste país”.

Padre Espinal

Após a cerimônia de boas-vindas, o papa parou brevemente junto ao lugar do assassinato do padre Luís Espinal, sacerdote jesuíta que participou de lutas sociais na época da ditadura e fez greve de fome em 1977 junto às famílias dos mineiros por 19 dias. Lá, Francisco o recordou “como um irmão, vítima dos interesses que não queriam vê-lo lutar pela liberdade”. Ele ainda lembrou que padre Espinal pregava “o Evangelho, que nos leva à liberdade e que nos faz livres. O Evangelho perturbava e por isso o assassinaram”.

Encontro com autoridades

Logo após, Francisco foi até o palácio presidencial para uma visita de cortesia ao presidente Evo Morales. Em seguida, encontrou-se com autoridades do país na Catedral de La Paz, e afirmou que os presentes compartilham a vocação de trabalhar pelo bem comum.

Ao exemplificar a beleza natural e arquitetônica da cidade, Francisco recordou a Encíclica Laudato Si’ e disse que “o ambiente natural e o ambiente social, político e econômico estão intimamente relacionados. Isto impõem-nos estabelecer as bases de uma ecologia integral”.

Segundo o pontífice, uma política dominada pela especulação financeira não pode compreender, muito menos resolver, os grandes problemas que afetam a humanidade atualmente. “É necessária uma educação ética e moral, que cultive atitudes de solidariedade e corresponsabilidade entre as pessoas”, salientou. Ele aproveitou a ocasião para advertir que “não se deve habituar ao ambiente da desigualdade, confundindo o bem comum com o bem-estar”.

De forma especial, o papa sublinhou o papel da família, ameaçado por problemas sociais e “pseudo-soluções”. Ele abordou ainda a diplomacia, referindo-se à questão das reclamações bolivarianas contra o Chile, para acesso ao mar. Francisco considerou ser necessário diálogo, para evitar conflitos entre povos irmãos. “Devemos construir pontes, em vez de erguer muros”, disse.

Antes de concluir seu discurso pedindo a oração dos presentes por ele, Francisco citou que a Bolívia vive um momento histórico. “A política, o mundo da cultura e as religiões fazem parte deste estupendo desafio da unidade. Nesta terra, onde a exploração, a ganância e variados egoísmos e perspectivas sectárias ensombraram a sua história, hoje pode ser o tempo da integração”, sugeriu.

 

 

Fonte: CNBB

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