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Fraternidade e Saúde Pública

Desde 1964, a Igreja Católica realizada a Campanha da Fraternidade. Opção pastoral que nasceu impulsionada pela força inovadora do Concílio Vaticano II e o anseio da Igreja sufocada pelo mofo tridentino preso às paredes da uma Igreja de hábitos medievais que se abre para mundo:Gaudium et Spes, com a promoção humana integral e a pastoral social.

A partir de então amplia seus horizontes de fé e encarna na vida dos crentes o convite quaresmal à necessária e urgente conversão, apontando e colocando o dedo nas feridas sociais e responsáveis pelos estertores e sinais de morte que mundo pós-moderno enfrenta nos dias atuais. Mais que isso, em sua pedagogia do “ver, julgar e agir”, arrisca a lançar propostas concretas de ações transformadoras em favor da vida, transformando-se em sinal de lucidez e coerência em meio a tantos devaneios e corrupção no trato da coisa pública.

O tema deste ano é a Saúde Pública “aspiração de todos e desafio da sociedade”. Nada mais apropriado. Isso porque a pergunta que todos ouvimos, pelo menos uma vez ao dia é: “– Como vai? — Como está de saúde?”. E todos desejam “—Saúde”. Isso porque esse é o desejo mais frequente de todos. Não raro acrescentamos em nossos diálogos: “– o importante é ter saúde. O resto se dá um jeito”.

Aproprio-me da reflexão do Pe. Antônio Valentini Neto, Pároco da Catedral São José, de Erexim, num texto que me foi enviado pelo Pe. Alex José Kloppenburg, lá do Rio Grande do Sul. Nada mais oportuno, devido a riqueza de informação que tento aqui, modestamente, resumir neste artigo dirigido não à teólogos e párocos, mas ao grande público que sente na carne o rigor das filas em busca de saúde que parte, nem sempre, das mãos dos médicos.

A doença sempre perturba e cria ansiedade. A doença também compromete o patrimônio da pessoa e da família. Mesmo com os grandes avanços nos recursos clínicos e a melhoria dos serviços sociais é grande o número de pessoas que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com as necessidades e dignidade. Por isso, a Campanha da Fraternidade, em sua 49ª edição, em 2012, trata da Saúde Pública, com o lema: “Que a Saúde se difunda sobre a Terra”, inspirado no versículo extraído do livro sapiencial Eclesiástico 38,8b (toda medicina provém de Deus).

No encontro das famílias, nos círculos bíblicos, reuniões, celebrações e catequese, o tema será refletido suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas para que tenham maior atenção aos enfermos, suscitando mobilização por melhorias no sistema público de saúde. Tem, portanto, aspecto transformador, como não poderia ser diferente, por se tratar de missão evangelizadora.

A Campanha também quer propagar o conceito de bem viver, motivando para hábitos de vida saudável; estimular a todos para o serviço aos enfermos com integração comunitária; ressaltar a importância da Pastoral da Saúde em todas as comunidades; divulgar dados sobre a real situação da saúde pública no Brasil, promovendo a defesa do SUS e a reivindicação de seu justo financiamento; habilitar as comunidades a acompanhar as ações da gestão pública, exigindo transparência na aplicação dos recursos, especialmente na saúde.

Alguém mais cético e menos atento aos avanços da fé engajada de algumas religiões nos tempos atuais poderá se perguntar o que Deus tem a ver com isso — a saúde pública –, uma vez que o Estado é laico e fé e política devem viver separadas.

Falaríamos um dia sobre o tema. Mas aqui importa registrar que, inicialmente, todos querem viver e com saúde. Independente de credo, conta bancária ou etnia. As enfermidades e a morte contrariam esta aspiração universal e levantam interrogações existenciais nem sempre respondidas. Aspirações que o senso comum canaliza sempre para o ente chamado Deus. A ciência, com seus avanços permanentes, não obstante, amarga sua limitação diante de certas doenças e do fim do ciclo da vida neste mundo.

Ademais, a saúde nem sempre é compreendida em sua abrangência total. Muitos excluem a dimensão espiritual ao definir dicotomicamente saúde e doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1946, definiu a saúde sem este aspecto fundamental: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Em 2003, a própria OMS acrescentou este elemento a esta sua definição de saúde. Já o Guia para a Pastoral da Saúde (GPS), elaborado pelo Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) define a saúde como: processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual, e não apenas a ausência de doença, processo que capacita o ser humano a cumprir uma missão que Deus lhe destinou, de acordo com a etapa e a condição de vida em que se encontre”.

Observe que a visão de homem (humanidade), cada vez mais torna-se complexa e paradoxalmente simples. Somo integralidade. Este conceito revela a compreensão do ser humano como uma unidade pneumossomática, termo originado da união das palavras gregas que significam espírito e corpo. Nesta compreensão, vida saudável requer harmonia entre corpo e espírito, pessoa e meio ambiente, personalidade e responsabilidade. Por isso “deus” e “Deus” intrometem-se na vida dos homens motivando-os a falar e refletir sobre “saúde”.

O assunto, não é de hoje que a Doutrina Social da Igreja vem tornando-o presente entre seus fiéis. Em 1981, o tema da Campanha da Fraternidade foi “Saúde e Fraternidade”, com o lema: “Saúde para todos”. Em 1984, tratou da vida, com o lema: “Para que todos tenham vida”.

Registre-se no campo prático, que a Igreja marcou e marca presença altamente significativa no campo da saúde, com creches, hospitais e similares. Diversas pastorais atuam diretamente para que as pessoas tenham mais vida saudável: Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, das Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids (DST/AIDS), da Pessoa Idosa, do Menor, dos Moradores de Rua e outras do grupo das Pastorais Sociais. Diversas outras Campanhas contemplaram temas específicos ligados a praticamente todas elas.

A Campanha da Fraternidade de 2012, que em outros anos teve o mérito de ostentar o caráter ecumênico é uma excelente oportunidade para os cristãos abrir as portas de suas casas e do coração para refletir e mobilizar-se em favor de um rol de questões (informações e reivindicações) que envolvem a “saúde” e o bem estar do homem na face da terra. E isso, porque diz respeito a todos, pode ensinar que Saúde é um direito de todos e não mero objeto de lucrativo negócio, da indústria farmacêutica e da máfia médico-hospitalar.

 Carlos Alberto dos Santos Dutra, advogado e diácono Permanente na Diocese de Três Lagoas-MS

Fonte: Adital

[Mais informações sobre a CF 2012 acesse: http://www.portalkairos.net/campanhadafraternidade/default2012.asp]

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