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Espiritualidade de São Geraldo Magela

No dia 15 de outubro celebramos a festa de São Geraldo Magela que foi irmão coadjutor redentorista. Geraldo nasceu em 1726 em Muro Lucano (Nápoles) na Itália. Filho de um humilde sapateiro, em sua adolescência foi pajem do bispo local para assim poder superar as dificuldades financeiras de sua família. Como adolescente ainda tornou-se aprendiz na alfaiataria de sua cidade, e com 19 anos abriu sua própria alfaiataria para ajudar sua mãe e suas irmãs. Desde criança Geraldo desejou seguir a carreira religiosa, tentando entrar para as ordens dos Capuchinhos e Franciscanos, mas rejeitado por causa de sua frágil saúde.  Sua mãe também não estava de acordo em Geraldo ser religioso. Finalmente conseguiu entrar como irmão na Congregação dos Padres Redentoristas recentemente fundada por Santo Afonso Maria de Ligório. Na Congregação serviu como sacristão, jardineiro,  alfaiate, porteiro e enfermeiro. A documentação histórica sobre ele não é ampla, e os biógrafos não se preocuparam com a reconstrução crítica de sua vida e espiritualidade. Falta rigor  científica nos documentos que investigaram sua vida. Porém, sabemos que Geraldo sentiu-se absolutamente satisfeito com o modo de vida que Santo Afonso traçou para seus religiosos. Ficava radiante ao constatar que o amor de Jesus sacramentado e o amor de Maria, Mãe de Jesus, eram centrais na vida redentorista.

Podemos citar seis “pilares” de sua espiritualidade. São: a) Sua íntima comunhão com Deus e obediência a vontade de Deus. Seu maior desejo foi sempre ficar unido à vontade de Deus. Ele escreveu sobre este aspecto de sua espiritualidade assim: “Meu querido Deus, único amor meu, hoje e para sempre me entrego à vossa divina vontade. Aceitarei tudo no íntimo do meu coração e, levantando os olhos até os céus, adorarei vossas mãos divinas que deixam cair sobre mim pérolas preciosas do vosso divino querer”. Apesar da linguagem da época, podemos perceber facilmente a espontaneidade e a profundidade de sua comunhão com Deus; b) O amor ao próximo. Geraldo viu a imagem e semelhança de Deus nos rostos dos pobres.  Ele fez “uma opção pelos pobres” mais de duzentos e cinquenta  anos antes que a Conferência Geral de Medellín apresentou esta proposta.  Sua caridade foi sempre atenta às necessidades dos mais pobres, além de oferecer uma mensagem espiritual para os confortarem e estimularem a fidelidade ao Evangelho; c) A presença real de Jesus na eucaristia. Passava horas na Igreja em adoração perante o Santíssimo. Gostava de assistir todas as missas possíveis. Diariamente Geraldo fez frequentes visitas ao Santíssimo na capela de sua comunidade. Deus para ele não era uma ideia ou princípio abstrato, mas uma presença real de amor; d) Obediência à vontade de Deus. As Constituições e a voz do seu superior para Geraldo eram consideradas como a voz de Deus. Sua obediência foi sempre alegre dada com boa vontade e com amor. Não consta um único ato de desobediência aos seus superiores em sua vida religiosa. e) Geraldo sempre teve uma profunda devoção à Virgem Maria, Mãe de Jesus e Mãe de Deus. Frequentemente falava que Maria foi escolhida por Deus desde toda a eternidade, para ser a mãe de seu Filho feito homem. Os redentoristas têm o rosário nos cintos de seus hábitos, e Geraldo rezava o terço várias vezes por dia, até andando pelas ruas da cidade. f) Humildade. A seguinte história vai exemplificar sua humildade. Durante sua trajetória como religioso, em 1754, foi acusado falsamente de ser o pai do filho de uma mulher grávida, Néria Caggaano. Geraldo foi chamado por Santo Alfonso para responder a acusação. Mas em vez de se defender, permaneceu em silencio. Santo Afonso nada pôde fazer senão impor ao jovem religioso uma severa penitência: foi negado a Geraldo o privilégio de receber a santa comunhão e foi-lhe proibido todo contato com pessoas fora do convento. Algum tempo depois, Néria ficou gravemente enferma e escreveu a Santo Afonso confessando que as suas acusações contra Geraldo não passavam de invenção e calúnia.  Santo Afonso ficou alegre ao saber da inocência de seu filho, e cancelou a penitência imposta imediatamente. Foi dito que Geraldo nunca reclamou deste tratamento.  De poucos santos se recordam tantos fatos prodigiosos como os de São Geraldo. Alguns destes fatos obviamente são lendas, como sua fama de ser bilocate, isto é, a capacidade de estar presente em dois lugares diferentes no mesmo tempo, ou de ser vidente etc. Seus processos de beatificação e de canonização revelam que seus milagres eram os mais variados e numerosos imagináveis. De saúde frágil, era evidente que Geraldo não iria viver muito. Pouco antes de meia noite do dia 15 de outubro de 1755, com somente 29 anos de idade, a sua alma voltou para Deus.

Faleceu vítima de tuberculose e foi beatificado em 29 de janeiro de 1893 pelo Papa Leão Xlll, e canonizado em 11 de dezembro de 1904 pelo Papa Pio X. O seu dia é comemorado em 16 de outubro e é padroeiro das pessoas falsamente acusadas, das boas confissões, das crianças, das gestantes, e do movimento pró-vida. Quando morreu em 1755  na Itália  seu túmulo logo se tornou um local de peregrinação e vários milagres são creditados a sua intercessão.

Pe. Brendan Coleman Mc Donald,  Redentorista e Assessor da CNBB NE1

 

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