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Entrevista com Pe. Francisco Ivan (II parte)

Hoje publicamos a segundo parte da entrevista com Pe. Francisco Ivan pela ocasião da Festa da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e do Mês de Maio.

Uma conversa sobre maternidade

Dentro das inúmeras posturas de Maria, qual delas seria urgente colocarmos em prática em nossa sociedade?
Padre Ivan – A passagem que me deixa muito feliz é quando Maria está no alto da cruz com o Filho e João está também ao lado dela. E Jesus diz para Ela “Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí tua mãe”. A partir daí a gente vai compreender como Maria é importante na história da salvação. Naquele momento ela se torna mãe de toda a humanidade, queiramos ou não. E agora João é também colocado como filho. Maria é esta que gera muitos filhos. Maria é esta que tem muitos filhos. E isso acontece quando Jesus faz esta grande apresentação e a coloca como mãe da humanidade. Ao mesmo tempo que coloca os discípulos como responsáveis por aquela mulher. E é João quem vai acolher Maria e vai levá-la para casa. Por que Maria está desolada, está sozinha. Então, como discípulo nós temos que levar Nossa Senhora para casa todos os dias. No sentido de que Ela é mãe, é protetora. Fazendo-nos acreditar que é possível passar por tudo que Jesus passou, sem fugir da cruz.

Além da imagem de Maria diante da cruz, indique outra imagem que devemos vivenciar no dia-a-dia?
Padre Ivan – Uma outra passagem seria a Bodas de Caná. Onde na hora que falta vinho e vão falar com Maria, e ela só diz uma palavrinha: “façam o que Ele disser. Façam o que Ele mandar”. Então, Jesus Caminho, Verdade e Vida é quem dá a orientação, é quem dá a luz e que abre os horizontes. E porquê numa festa de casamento? Por que o casamento é um sinal de vida, é um sinal de benção da criação, é um sinal de Deus, é um sinal de vida nova. E a gente vai compreendendo que essas passagens cada uma tem uma mensagem, um foco diferente, que nos ajuda a compreender. A Bodas de Caná e passagem da Cruz, elas têm algo muito forte na minha vida. Eu não posso desistir da minha cruz. E a cruz vista não como algo de sofrimento, de dor. Mas, como transformação de vida, de aprendizado.

E senhor poderia exemplificar esse processo de transformação?
Padre Ivan – Vou usar o exemplo do casamento. Na relação um vai aprendendo com o outro. Não é que o homem vai transformar a mulher, ou a mulher vai transformar o homem. Os dois vão aprendendo e crescendo juntos. Onde não existe alguém que manda ou que determina tudo. Mas é na caminhada que a gente vai aprendendo um com o outro. É essa a missão dos bons relacionamentos, de aprendizado. Em que nós somos eternos aprendizes, neste caminho de Nossa Senhora e do Evangelho.

Nós temos hoje mulheres sendo mães cada vez mais jovens. E a mídia tem veiculado vários casos de abandono de crianças e de aborto. Isto é sinal de que a maternidade está fragilizada? Estamos nos distanciando desta postura da mãe materna?
Padre Ivan – Hoje, todos nos sabemos que existe por parte do Governo, espaços destinados a receber crianças que os pais não podem criar ou que são rejeitadas. Acho que se o casal tem um filho ou a mulher tem um filho, e não podem criá-lo, o primeiro passo é procurar um desses espaço. E pergunta onde pode deixar esta criança com segurança, com zelo, com cuidado. Por que deixar uma criança no lixo, ou no canal, ou num espaço de risco é crime. E a gente não quer isto para ninguém, imagine para uma criança. Até por que, mesmo Jesus nascendo numa estrebaria, ele teve o cuidado da mãe, teve o cuidado da família. Então toda criança merece ser amada e respeitada. Com a criança e o idoso devemos ter um carinho especial. Mas, por outro lado, olhando para a questão ética, a gente sabe que a maternidade deveria ser mais preparada. Se alguém me perguntar, quanto tempo devo me preparar para ser pai e ser mãe. Para mãe pelo menos 50 anos e para pai pelo menos 60. Por que se você olhar hoje, na maioria das vezes é a mãe que assume a criança (refere-se a mãe solteira). Na igreja eu penso que (um dado sem muita pesquisa, sem muita estatística), mais de 60% são as mães que assumem a família. São chefes de família. Por outro lado, agente nota, que a mãe sobretudo jovem, que não foi preparada para a maternidade é propicia a acontecer essas coisas.

E exitem outros fatores, além da idade, que podem influenciar?
Padre Ivan – Outro fator seria a depressão pós-parto. Onde tanto a mãe sofre, como a criança. Mas, eu penso que a maternidade deve ser melhor trabalhada. Porque é tão sublime o útero da mãe, é a matriz, é o que gera. Então a criança é uma obra de Deus, é dom. Hoje eu estava conversando com uma mulher de 42 anos, que esta grávida. E ela me dizia, que vai largar tudo para ir para Belém do Pará ficar ao lado da família e cuidar do filho. Ela vai fazer isso, porque a pessoa que ela trabalha a orientou para abortar a criança. E ela disse não, “eu vou criar o meu filho”. E essa foi uma lição, não só para a patroa dela, mas para todos nós. Este caso, nos faz perceber que existem casos chocantes, mas há pessoas que tem uma responsabilidade com a maternidade. Pois só entende quem é mãe. Quem não é mãe não entende.

E para quem sonha em ser mãe, que postura deve assumir?
Padre Ivan – Para mim, colocar filho no mundo não é só uma questão cristã, é também uma questão ética. E quando digo uma questão ética é o “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. É que o amor seja maior do que o dom da vida. É que o amor seja maior do que a realidade em que estamos vivendo. Essa criança que vem (irá nascer) precisa ser bem cuidada, precisa ser bem tratada. E se você não tem casa, não tem emprego, não tem família, não tem dinheiro, não tem condição, como você vai cuidar de uma criança?

E qual deve ser a nossa postura (como Igreja) para essas mulheres, que vivem uma maternidade conflituosa?
Padre Ivan – A primeira postura é entender que só compreendemos o outro quando entramos nele. E como Igreja nós não podemos apontar o dedo para o outros. Outra postura seria a de Jesus “Eu vim para que todos tenham vida”. E que condição a gente poderia dar para essa pessoa resgatar o dom da vida. Para que ela perceba que é possível transformar essa realidade. Por isso, esse tema de nossa festa é: “Com a Virgem de Fátima cuidamos da vida”.

Leia também a primeira parte da entrevista

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2 Comentários »

2 Comentários »

  • Ana Paula disse:

    Pe.Ivan é de fato um homem de fé e contagia quando fala de Nossa Senhora de Fátima!

    Doce coração de Maria,Intercedei por nós!!

  • Genoveva disse:

    Genoveva
    Pe.Ivan concordo plenamente da maneira que o senhor explicou a respeito de casamento, filho e família. Na realidade se não existir a palavrinha mágica AMOR toda aquela dedicação, ternura, compreensão, responsabilidade, e até, o carinho podem ser afetados na primeira CRUZ que surgir em relação ao matrimônio.
    Sobre filho(a): a educação e o bem querer são importantes e o mais gratificante é assistir o resultado de um trabalho realizado.


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