Atualidades

“Depois, subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele”. (Mc 3,13)

Dentro do espírito quaresmal, que nos convida à meditação e revisão de vida, mas que também pode nos fazer pensar em nossa resposta ao chamado de Deus, gostaria de voltar nossa atenção para o tema da VOCAÇÃO, do chamado que Deus faz a cada um de nós. Espero que esta meditação, feita pessoalmente, que poderá ser feita também em grupo, possa ir ser um instrumento oportuno da graça de Deus paras nossa reflexão vocacional.

A Palavra de Deus está repleta de cenas de convites, de chamados de Deus a homens e mulheres de seu povo para o seu seguimento e, para que o seguindo exerçam no meio deste mesmo povo uma missão especial. Foi o que aconteceu com Abraão (Gn 12,1-9), com Moisés (Ex 3,1-15), com os profetas (Is 6,1-12; Jr 1,4-19). Todos estes chamados possuem características semelhantes quanto ao modo como Deus chama, senão vejamos :

+ Deus faz o chamado, o convite;
+ Aquele que foi convidado resiste ao convite do Senhor;
+ Deus confirma o chamado;
+ Aquele que foi chamado responde positivamente diante da interpelação de Deus;
+ Deus revela a missão que quer confiar àquela pessoa.

Percebamos, também, que Deus não escolhe tão somente pessoas ilustres, de grande fama, ou mesmo que venham de dentro das cortes e palácios reais. Livremente Deus poderia também se servir destas pessoas e classes, mas ele vai em primeiro lugar à procura dos simples e humildes, daqueles que se deixam encontrar por Ele.

Isso nos faz pensar que, na verdade, o convite para seguir a Deus é feito por ele mesmo. É ele quem chama pelo nome, é dele a decisão e a escolha, como está dito pela boca do Profeta Isaías:

“Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado” (Is 40,26).

“Eu o fiz surgir do norte e ele vem, do oriente, chamei-o pelo nome; ele calca aos pés os príncipes como lama, qual o oleiro quando amassa o barro” (Is 41,25).

“E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1).

Mais tarde o próprio Jesus dirá isso com todas letras no Evangelho : “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).

Assim, o Senhor Jesus, no percurso de sua missão, no anúncio do Reino de Deus também quis chamar, como seu Pai, na Antiga Aliança. Para mostrar aos homens no que comportava de fato a Boa Nova do Reino, Ele passava convidando alguns para o seu seguimento, pessoas que se deixassem fazer discípulos – por que para ser discípulo uma coisa é necessária: a disposição em deixar-se modelar pelo Mestre.

Dessa forma aquele que escuta o chamado de Jesus e responde com generosidade segue o caminho do Mestre (Lc 5,1-11; 5,27-32; 6,12-16). O convite feito é radical e requer que seja respondido com radicalidade: “Eles arrastaram os barcos para a praia, deixaram tudo e seguiram Jesus” (Lc 5,11).

Na ótica do seguimento do Cristo (“sequella Christi”) o conteúdo da resposta daquele que foi chamado é muito importante. No modo e no conteúdo da resposta quem foi chamado diz da predisposição e da generosidade nas respostas posteriores quando da aceitação dos ensinamentos do Divino Mestre. Afinal, diz-nos S. João: “O critério para saber se estamos com Jesus é este: quem diz que permanece com nele, deve também proceder como ele procedeu” (1 Jo 2,6).

Quem se propõe a ser discípulo de Jesus não pode estar ficar sujeito aos apegos e ao poder, mas deve ir abandonando tudo aquilo que possa impedir uma resposta amorosa e generosa de doação e de desprendimento (Mt 8,18-22; Mc 10,45).

A essas alturas já poderíamos nos perguntar sobre nossas respostas ao chamado que Jesus nos fez. Como temos respondido aos seus apelos de pobreza, obediência, castidade, vida de oração, …? Uma coisa é certa: de algum modo já estamos dando um passo importante quando paramos para ouvi-lo e saímos de nossa acomodação para segui-lo. Mas, é necessário mais, é necessário sabermos se estamos seguindo de coração sincero e aberto, ou se estamos ainda colocando condições para o seguimento.

Tendo em conta tudo o que estamos refletindo é interessante indicarmos uma primeira condição para o discípulo de Jesus:

“A escuta atenta do Mestre” (Lc 10,38-42) – para ser verdadeiro e autêntico discípulo de Jesus faz-se necessário colocar-se aos pés dele e parar para escutá-lo, uma vez que podemos estar submetidos ao estilo de ser deste mundo ou submetidos à vontade de Deus. Por que o discípulo senta-se aos pés do Mestre?

– Para receber formação e mais conhecimentos – para beber da fonte da água viva!
– Para aprender a obedecer – pois só na escuta atenta do Mestre poder-se-á saber o que de verdade devemos fazer segundo sua vontade.
– Para fazer comunhão íntima com o Mestre, pois aquela que se coloca em escuta atenta ao obedece – ama – contempla – crê;

A escuta atenta, que se dá pela Leitura Orante da Palavra, na oração pessoal e comunitária. Esta é uma primeira condição sem a qual o discípulo enfraquece.

Ficamos por aqui, e espero que a reflexão seja boa. Outras condições para o seguimento do Senhor virão posteriormente.

Proponho agora que você reze, não somente os textos da Palavra de Deus que foram citados, mas a oração que segue abaixo, fazendo com ela a nossa entrega pessoal ao Senhor:

“Recebei, Senhor, minha liberdade inteira.
Recebei minha memória, minha inteligência e toda a minha vontade.
Tudo o que tenho ou possuo de vós me veio;
Tudo vos devolvo e entrego sem reserva
Para que a vossa vontade tudo governe.
Dai-me somente vosso amor e vossa graça e nada mais vos peço,
Pois serei bastante rico.” (Sto. Inácio de Loyola)

Deus nos abençoe.

Pe. Rafhael Silva Maciel
Reitor Seminário Propedêutico e Coordenador da Pastoral Vocacional da Arquidiocese

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