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Daqui para frente é trazer o tema dos despejos e remoções para o centro do debate

O Grito dos Excluídos e Excluídas do Brasil está sendo conclamado a ter como centro dos debates as problemáticas causadas pelos megaprojetos — Copa e Olimpíadas. É a pauta do momento nas doze cidades-sede para o mundial em 2014. E o problema continuará no Rio de Janeiro por muito tempo, até as Olimpíadas 2016.

A experiência do Grito dos Excluídos e Excluídas nascida em 1995, como um gesto concreto da segunda Semana Social Brasileira, realizada pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não pode deixar de ouvir os gemidos, os gritos e os clamores das comunidades atingidas por esses megaeventos.

O nosso compromisso está na escuta e denúncia. Historicamente, o Grito, como também as Semanas Sociais Brasileiras e a Assembleia Popular têm sido consideráveis espaços de congregação das lutas sociais no Brasil. Manter a questão dos megaeventos em nossas pautas alimenta o sentido desses movimentos. Não que seja a única ou mais importante, mas sim porque milhares de famílias estão sendo expulsas pela força policial, com o aparato militar, de suas casas e comunidades. Estão migrando forçadamente para lugares desconhecidos.

O Grito quer clamar por vida e direitos. Quer denunciar a morte, em suas mais variadas faces: dizimação de crianças, jovens, adultos, idosos e a degradação do meio ambiente. Quer, também, denunciar os despejos e remoções geradas pelas intervenções estruturais que compõem o pacote de obras para a Copa do Mundo 2014, como a implementação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o alargamento de ruas, reformas de estádios. Tais obras ameaçam a vida de cerca de dez mil famílias, integrantes de comunidades dos mais diversos bairros, que poderão ser removidas. O Grito quer denunciar, ainda, a violação dos direitos da população que não tem nenhuma garantia da melhoria na qualidade de vida. Enquanto isso, R$ 9 bilhões do dinheiro público serão gastos com infraestrutura para esse megaevento.

A décima sétima edição do Grito dos Excluídos e Excluídas em Fortaleza acontecerá na comunidade do Lagamar, bairro São João do Tauape. A concentração inicial será, às oito horas, na Praça São Francisco. A caminhada percorrerá algumas ruas do Lagamar, encerrando em frente à Igreja Sagrada Família, Praça Padre Pasquale, bairro Pio XII. Este ano o Grito tem como tema, “Pela Vida grita a TERRA. Por direitos todos nós.” O tema quer dar continuidade às questões levantadas pela Campanha da Fraternidade 2011 cujo tema foi “Fraternidade e Vida no Planeta”.

Comecemos pelo Grito. Para isso, é preciso que as organizações, pastorais e movimentos que organizam o Grito (local e nacionalmente) juntem-se aos comitês populares. A última plenária nacional de articulação dos comitês populares da Copa e Olimpíadas, que aconteceu em Brasília nos dias 27 e 29 de agosto, apontou para essa necessidade, de envolver os diversos setores das organizações populares no Brasil para unir forças e energias, para com as comunidades, resistir a esse sistema gerador de morte, desespero e dor. Então, nós, participantes, articuladores, mobilizadores do Grito dos Excluídos temos o relevante papel de contribuir nessa indispensável articulação.

Francisco Vladimir Lima da Silva
Membro do Serviço Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Fortaleza, jornalista

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