Atualidades

Cruz, sinal de Salvação!

Padre Rafhael Silva Maciel, Reitor do Seminário Propedêutico, coordenador  da Pastoral Vocacional e secretário do Arcebispo

Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo,

A cruz de Jesus é o sinal da nossa salvação! Diz o evangelista João que Jesus “tendo amado os seus que estavam no mundo amou-os até o fim” (Jo 13,1) e ainda mais: “nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e nos enviou-nos o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4,10). Assim a cruz, lugar do sacrifício de Jesus pelos seres humanos, é o lugar da manifestação extremada do amor de Deus pela humanidade pecadora, “um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano” (Pio XII, “Haurietes Aquas”, n.20).

Por isso podemos, sim, afirmar que “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Todo o ser de Jesus Cristo, toda a sua existência era movida pelo Amor – e foi o Amor, proveniente de Deus mesmo, que fez com que Jesus entregasse sua vida. Assim, “quando o divino Redentor pendia da cruz, sentiu o seu Coração arder dos mais variados e veementes afetos, isto é, de afetos de amor ardente, de consternação, de misericórdia, de desejo inflamado, de paz serena; afetos claramente manifestados naquelas palavras: ‘Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem’(Lc 23,34); ‘Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?’(Mt 27,46); ‘Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso’(Lc 23,43); ‘Tenho sede’(Jo 19,28); ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’(Lc 23,46)” (Pio XII, “Haurietes Aquas”, n.20).

O amor de Jesus, portanto, era um amor de entrega total, entrega ao projeto de vida, de conversão e de salvação do seu Pai. Essa entrega de amor, que Jesus fez da sua própria vida, é conseqüência da sua total submissão à missão de fazer acontecer o Reino de Deus, em outras palavras de realizar a vontade do Pai.

A vontade do Pai, segundo diz o próprio Jesus, é a salvação do seu povo (Jo 6,39), que estava mergulhado no pecado, que estava preso ao simples querer humano. A Aliança anterior fora quebrada e Deus quis reatar esta Aliança para que o povo pudesse retornar à sua paz. Por isso ouvimos as palavras tão atuais de São Leão Magno: “É ainda mais admirável a misericórdia de Deus para conosco porque Cristo não morreu pelos justos, nem pelos santos, mas pelos pecadores e pelos ímpios. E como a natureza divina não estava sujeita ao suplício da morte, ele assumiu, nascendo de nós, o que poderia oferecer por nós” (Ofício das Leituras, Terça-feira, V Semana da Quaresma).

Em Jesus Cristo a Aliança de Deus se renova e se realiza de uma vez por todas – “De fato se esta primeira aliança não fosse digna de reparo, não se trataria de substituí-la por uma segunda” (Hb 8,7). Desta forma “abolida a multiplicidade dos sacrifícios antigos, toda a variedade das vítimas carnais é consumada na oferenda única do vosso corpo e do vosso sangue (…) e assim todas são substituídas por um só sacrifício” (S. Leão Magno, in Ofício das Leituras, Terça-feira, V Semana da Quaresma).

A definição total, o selo da Nova Aliança, em Jesus Cristo se deu na CRUZ. Foi na Cruz que Jesus realizou a redenção do gênero humano e o resgatou para a eternidade. Foi na Cruz que Jesus colocou a humanidade novamente em sintonia com o Pai.

Aquela que era sinal de maldição torna-se com Jesus e em Jesus, sinal da salvação – árvore da vida –, pois em Jesus tudo adquire novo significado, tudo o que é velho passa; esse sinal de salvação dado por Jesus é a realização plena dos sinais prefigurativos do Antigo Testamento (Nm 21,4b-9// Jo 3,13-15).

O sacrifício de Cristo é único, não há outro maior, ou melhor. Uma vez por todas o amor de Deus triunfou na Cruz, pois Deus nos salvou por meio de sua Paixão, Morte e Ressurreição, “nela (a Cruz) se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado!” (S. Leão magno, in Ofício das Leituras, Terça-feira, V Semana da Quaresma). Por isso é que o Apóstolo Paulo pode afirmar que acima do Nome de Jesus não há outro maior (Fl 2,6-11), afinal, Deus, no sacrifício vicário de Cristo na Cruz, exaltou o seu eleito, lhe conferiu toda a honra e toda a glória.

Se por amor Jesus enfrentou a Cruz e deu sua vida pela nossa salvação, por isso mesmo não podemos nós recusar a nossa Cruz. Não podemos e nem devemos fugir do caminho do Calvário, mas enfrentá-lo como Jesus (Lc 22,42). A Cruz de Cristo é sinal de salvação quando, olhando para a vitória do Filho de Deus, sabemos que Deus nos ama e que sua salvação nos alcança.

A Cruz de Cristo, refletida nas cruzes que carregamos em nossas vidas, é caminho para o céu, assim entendiam os santos: “Fora da Cruz não existe outra escada por onde subir ao céu” (Sta. Rosa de Lima). O Servo de Deus, Pe. Henri Caffarel escreve que “aquele que não mortifica constantemente um egoísmo sempre renascente, que não acolhe os sofrimentos, pequenos ou grandes, como sendo meios de purificação, não oferecerá jamais o espetáculo de um amor radiante, de uma religião sedutora” (ENS, Textos escolhidos do Pe. Caffarel, p.40).

Nestes dias a Cruz da Jornada Mundial da Juventude e o Ícone de Nossa Senhora, que o Beato João Paulo II, entregou aos jovens do mundo inteiro, peregrinam por nossa Arquidiocese de Fortaleza. A movimentação e a adesão do nosso povo, especialmente dos nossos queridos e amados jovens, tem impressionado por onde passam esses Símbolos. Que bom saber que nossa juventude adere à mensagem de sacrifício e de vitória de Nosso Senhor e que também deseja abraçar a Cruz como caminho de santificação deste mundo, tendo em conta as palavras do próprio João Paulo II: “A Cruz se transforma também em símbolo de esperança. De instrumento de castigo, passa a ser imagem de vida nova, de um mundo novo”. Nossos jovens estão aí para dar resposta de querer criar um mundo novo, onde reine o amor de Deus.

Ao mesmo tempo aproximam-se os dias em que celebraremos de modo solene os mistérios de nossa redenção – no Tríduo Pascal – meditemos e coloquemos nossa vida, nossas dores, nossas preocupações, nossos projetos, nos braços abertos de Jesus na Cruz, pois ele nos dá uma certeza de “que só algo de infinito” nos “pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que alguma vez se possa alcançar” (Bento XVI, Spe Salvi, n.30) por forças humanas apenas: a vitória da Ressurreição.

Para todos uma boa Peregrinação, uma frutuosa Quaresma e uma Semana Santa abençoada na força da Cruz do Ressuscitado.

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