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[Artigo] Exemplos não edificantes na Cúria Romana

A Igreja é sinal e instrumento do Reino de Deus à medida que ela se esforça para viver e praticar o que Jesus de Nazaré ensinougeovane160, de acordo o Concílio Vaticano II, ofertando ao mundo um despojado e vivo testemunho do amor de Deus ao mundo, nas palavras daquele que ardentemente a desejou santa e imaculada, dando uma visão antecipada, quando tudo se consumará em um novo céu e uma nova terra, onde os justos viverão em Deus e com Deus, na esperança de que vivemos do anúncio do Servo bom e fiel. “Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1, 14-15). A Igreja como hierarquia e povo de Deus deve se conscientizar sempre mais da sua natureza missionária, a partir dos valores do Evangelho, na busca de vivenciá-lo; jamais pode prescindir da sua precípua missão: a de colocar-se a serviço da instauração e dilatação do Reino de Deus. Na oração do Pai-Nosso, ensinada pelo Filho de Deus aos discípulos, nas sete súplicas, que sempre fique diante dos nossos olhos, mente e coração a maior: “Venha a nós o vosso Reino”.

De acordo com a coerência franciscana do Cardeal Lorscheider, quão assaz deve ser a ideia de passar de uma Igreja-Instituição, de uma Igreja Sociedade Perfeita, para uma Igreja Comunidade, inserida no mundo e a serviço do Reino de Deus; de uma Igreja poder para uma Igreja pobre, despojada, peregrina; de uma Igreja autoridade para uma Igreja serva, servidora e toda ministerial; de uma Igreja piramidal para uma Igreja povo; de uma Igreja pura e sem mancha para uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão e de reforma; de uma Igreja cristandade para uma Igreja comunhão e missão, uma Igreja toda missionária. Mesmo que a oração de Jesus, “Venha a nós o vosso reino”, ainda esteja longe de entrar na mente e no coração de muitos cristãos, começando com a comunidade central da Igreja Católica, o Vaticano, não pode jamais deixar de perseguir e sonhar, esperançosos, com o que nos é reservado nas palavras de Francisco: “No fim, nos encontraremos face a face com a beleza infinita de Deus (cf.1 Cor 13, 12) e poderemos ler, com jubilosa admiração, o mistério do Universo, o qual terá parte conosco na plenitude sem fim” (Laudato Si’, 243).

A reação do Papa Francisco, na Praça de São Pedro, após a recitação do Ângelus (08/11/2015), diante da divulgação de informação confidencial, assegurou que a reforma vai prosseguir, com oração, confiança e esperança: “Quero assegurar-vos que este triste fato não me desvia, certamente, do trabalho de reforma que estamos a levar por diante, com os meus colaboradores e com o apoio de todos vós”. Lamentou e disse com veemência que o roubo dos documentos, que deveria ser secreto, constitui um crime, um ato deplorável que não contribui em nada.

Notícias fartas do dia 2 de novembro de 2015 oriundas do Vaticano sobre a prisão do monsenhor Lucio Angel Vallejo Balda e de Francesca Chaouqui, respectivamente secretário e membro da Comissão relativa ao estudo e orientação sobre a organização das estruturas econômico-administrativas da Santa Sé (COSEA), instituída pelo Papa Francisco em julho de 2013 e posteriormente dissolvida após cumprir o seu mandato. Claro ficou que dados revelados nos livros “Via Crucis”, de Gianluigi Nuzzi, e “Avarizia”, de Emiliano Fittipaldi, publicados na Itália, têm a sua origem na COSEA.

O Papa explicou que foi ele próprio que pediu que se fizesse esse estudo sobre a situação financeira e patrimonial das instituições da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. “Eu e os meus colaboradores conhecíamos bem esses documentos e foram tomadas medidas que começaram a dar frutos, alguns dos quais visíveis”. Daí o insistente pedido de oração e apoio do Santo Padre a todos os católicos pelo êxito das mudanças que estão a ser implementadas, que implicaram, entre outras medidas, em auditorias externas às contas do Vaticano e na criação de uma Secretaria para a Economia na Santa Sé, para além da implementação de medidas de transparência financeira no Instituto para as Obras de Religião (IOR, conhecido popularmente como Banco do Vaticano).

Ao contrário dos exemplos não edificantes lá de dentro da Cúria Romana, como é maravilhoso quando nos deparamos com bons sacerdotes, anunciadores de tempos novos, tais como Dom Aloísio Cardeal Lorscheider, doçura em pessoa, alegria constante, sem esquecer suas posições corajosas e determinadas, ao mesmo tempo em que pregava e anunciava o Evangelho com sabedoria, carregando sempre no seu grande coração as alegrias, as esperanças, as tristezas, as angústias e os sofrimentos de sua querida gente (cf. GS, 200); também pelo coração dadivoso de Dom Sinésio Bohn, bispo emérito de Santa Cruz do Sul que, por ter um coração enorme, chegava a irritar alguns, principalmente os mais agarrados aos bens materiais, acrescentando: “Tenho um grupo de pobres, aos quais dou regularmente uma pequena ajuda”. O irmão de Dom Luciano Mendes de Almeida, Dr. Cândido Mendes, contou que, antes de morrer, o mano pediu: “Cuidem dos meus pobres”.

Com os exemplos supramencionados e, igualmente, a força corajosa e profética do Santo Padre, ao deixar claro que “a Igreja deve servir aos outros, e não servir-se dos outros”, e também  ao asseverar:  “É preciso vigiar atentamente para que os bens eclesiásticos sejam administrados com transparência e atenção aos pobres” (08/03/2014), Deus, infinitamente bom, transforme de tal modo todo o nosso ser, para que possamos “acumular tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam, pois onde estiver o teu tesouro aí estará também o teu coração” (Lc 11, 22-21). Que o milagre da fé e da esperança de um Deus que, segundo o Papa Francisco, “sonha comigo, pensa em mim! Eu estou na mente e coração dele, que o Senhor é capaz de mudar a minha vida e comigo faz relevantes planos”, na busca sincera do “Venha a nós o vosso reino” no seu sentido mais amplo. Assim seja!

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