Publicado em 30/12/2018 por João Augusto

Mensagem de Ano Novo de dom José Antonio.

Publicado em 30/12/2018 por João Augusto

Destaques 2018: A alegria de ser Igreja marcou o Ano Nacional do Laicato no Brasil

O Ano Nacional do Laicato marcou 2018. De ponta a ponta desse país leigos e leigas estiveram protagonistas em momentos importantes na evangelização da Igreja no Brasil. Todo o conteúdo estudado veio do Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), intitulado “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade: Sal da Terra e Luz do Mundo”.

Dom Severino Clasen. Foto: Daniel Flores/CNBB

“Esse documento, ele despertou dentro dos cristãos uma grande alegria de ser igreja e também cidadãos. E por isso também caracterizou um ano específico de estudos, de seminários, de programações, momentos de confraternização, para que o ser cristão seja assumido, assimilado em todos os batizados”, explica o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen, ao documentário “Igreja em Saída”, produzido pela assessoria de imprensa da CNBB para o fim de ano.

O documentário está sendo exibido nas principais emissoras de inspiração católica do país até o Ano Novo – as datas e horários de exibição estão no Facebook: CNBB – Conferência dos Bispos. O protagonismo dos leigos e leigas pôde ser visto na semana missionária quando os grupos se mobilizaram para evangelizar fora das suas igrejas particulares, seus ambientes eclesiais e foram para as ruas, em seus ambientes de trabalhos, universidades, presídios e tantos outros lugares levando a mensagem de Cristo.

Dom Severino diz que a palavra de Deus foi muito bem acolhida nos diversos ambientes. “O ano nacional do laicato não trouxe apenas benefícios para nós aqui no Brasil. Mas desde as pequenas comunidades, lá na família, este ano também chegou até os ouvidos do Papa Francisco que ele também ouviu relatório sobre a beleza deste ano em nossa igreja, ” diz.

Mesmo tendo tido sua culminância dia 25 de novembro, na Solenidade de Cristo Rei, o Ano Nacional dos Laicato foi uma experiência rica para quem dedicou parte do tempo a este estudo, mas sobretudo, a aqueles que evangelizaram fora do mundo Igreja.

Mas o que será que os leigos e leigas querem daqui para a frente? Para dom Severino é unir mais os cristãos, ter mais consciência na vida da sociedade e maior pertença eclesial.

“É preciso ter maior comprometimento com o evangelho para que assim a justiça seja instaurada e que possamos ter um Brasil cristão verdadeiramente. Por isso, o ano nacional do laicato nos deixou essa grande herança, o compromisso com o evangelho, uma nação de paz, de alegria, de esperança”, ressaltou o prelado.

Fonte: CNBB

Publicado em 29/12/2018 por João Augusto

Destaques 2018: A preocupação da Igreja com os jovens do mundo é o grande legado do Sínodo

Em 2018, o papa Francisco recebeu no Vaticano bispos e jovens do mundo inteiro para refletir sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Um encontro com jovens de todo o mundo, em março, precedeu a 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro, com a presença de representantes da juventude e de prelados de todos os continentes.

Este não foi um sínodo só para os jovens que estão dentro da Igreja, participando da vida eclesial, “foi um sínodo que também pediu a preocupação com todos os jovens do mundo”, ressaltou o bispo coadjutor de Nova Iguaçu (RJ), dom Gilson Andrade da Silva, um dos 11 brasileiros presentes na assembleia sinodal. “Todos os jovens nos interessam”, sublinha o bispo.

Entrevistado no documentário “Igreja em saída”, produzido pela CNBB para destacar as principais atividades do ano, dom Gilson destacou a alegria da convivência no período de pouco mais de três semanas, em Roma, com bispos, jovens, representantes de várias nações.

“Durante o Sínodo nós estivemos muito próximos do Santo Padre e pudemos assim experimentar a preocupação do papa pela juventude e o desejo que a Igreja tem de caminhar junto com os jovens”, afirmou.

A preocupação do papa também é em relação à geração de mais idade, duas gerações “necessitadas” de atenção na visão do papa. “E foi bonito também, durante o sínodo, ver esse encontro de gerações, uma procurando escutar a outra. E tivemos, por isso, a graça também de um documento final que vale a pena ser lido, estudado para que, nas Igrejas particulares, possa se dar continuidade ao processo sinodal”, comenta dom Gilson.

E é justamente o documento final que ressalta já na introdução este encontro de gerações com uma citação bíblica: «Derramarei o meu Espírito sobre toda a criatura; os vossos filhos e as vossas filhas hão de profetizar; os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos» (At 2, 17; cf. Jl 3, 1).

De acordo com os padres sinodais, o trecho bíblico reflete o que foi a experiência que fizeram no Sínodo, “caminhando juntos e colocando-nos à escuta da voz do Espírito”. Para os participantes, o Espírito Santo “surpreendeu-nos com a riqueza dos seus dons, cumulou-nos da sua coragem e da sua força para levar a esperança ao mundo. Caminhamos juntos, com o sucessor de Pedro, que nos confirmou na fé e nos fortaleceu no entusiasmo da missão”.

“Trabalhamos juntos, compartilhando aquilo que era mais importante para nós, dando a conhecer as nossas preocupações, sem esconder as nossas dificuldades. Muitas intervenções geraram em nós emoção e compaixão evangélica: sentimo-nos um único corpo que sofre e rejubila. Queremos partilhar com todos a experiência de graça que vivemos e transmitir a alegria do Evangelho às nossas Igrejas e ao mundo inteiro”, escreveram.


ispos brasileiros com o papa e o secretário geral do Sínodo, cardeal Baldisseri (à esquerda)

BA participação brasileira no sínodo também foi expressiva. Foram 11 participantes do Brasil: quatro bispos delegados, dois cardeais, três padres, um colaborador do secretário geral e um auditor. Os delegados foram dom Vilsom Basso, dom Eduardo Pinheiro da Silva, dom Jaime Spengler e dom Gilson.

Os cardeais presentes eram o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, que desempenhou função de relator geral do Sínodo; e o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cardeal João Braz de Aviz.

Os padres brasileiros: padre Valdir José de Castro, superior geral da Sociedade de São Paulo; padre Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; e o padre Alberto Montealegre Vieira Neves, um dos assistentes da Secretaria Geral do Sínodo.

Ainda o colaborador do Secretário Geral do Sínodo Filipe Alves Domingues, doutorando em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, especialista em Ética e Mídia. E o jovem que atuou como auditor do Sínodo Lucas Barboza Galhardo, representante do Movimento de Schoenstatt internacional, membro do Comitê de Coordenação nacional para a Pastoral Juvenil da CNBB.

Fonte: CNBB

Publicado em 28/12/2018 por João Augusto

O Ano Novo

Estamos iniciando o ano 2019. Como será este ano novo? Deixamos de lado a futurologia e a astrologia. Deixamos de lado também o fatalismo do simples “como Deus quiser”. Nós cristãos procuremos, à luz dos mandamentos e dos planos do criador, que, sem em nada diminuir a fé em Deus e o abandono em sua santa vontade e imperscrutáveis desígnios, o futuro deve ser por nós construídos.  Não há dúvida que o futuro não se adivinhe, mas se edifica. O amanhã depende do acerto das nossas opções de hoje. O ano 2018 será aquilo que nós faremos. Acreditamos em Deus e na sua soberania, mas não nos deixamos ficar num passivo providencialismo ou num fatalismo acomodado. Se tudo depende de Deus, tudo depende também de nós.

O primeiro de janeiro é a Festa da Solenidade da Santa Mãe de Deus,  Maria.   O primeiro dia de janeiro também é o Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal. No início de cada ano a Igreja Católica procura trazer à consciência de cada pessoa cristã a importância da paz e da misericórdia e o dever de preservá-las. A melhor maneira de assegurar a paz é trabalhar pela justiça. Sem ela perdem substância todas as conquistas do homem em seus mais variáveis setores. Hoje há uma enorme falta de paz no mundo e em nosso Brasil. Basta ver o crescimento vertiginoso de violência em nosso país: assassinatos, estupros, sequestros, prostituição infantil, drogas, abortos, pedofilia e efebofilia, furtos e divórcios etc. Ligados à paz estão os direitos humanos. Manter a paz à custa dos direitos humanos é uma contradição em termos. Onde hoje há a insana repressão dos direitos humanos, amanhã haverá toda forma de violência e, finalmente, a convulsão social. Obviamente não podemos contar com todos para preservar a paz, mas com as pessoas de boa vontade que realmente formam a maior parte das comunidades. Pessoas firmemente dispostas a preservá-la, constituem uma grande defesa e estímulo para a paz.

A tranquilidade no lar, a harmonia entre as gerações e a concórdia dos povos entre si, serão alcançadas pelos esforços dos homens, mas necessitam do Espírito vivificador de Deus. No Sermão da Montanha Cristo disse: “Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt, 5, 9). A existência de milhões de empobrecidos em nosso país nos envergonha no início de mais um ano. A Igreja Católica no Brasil olha o conjunto do país a partir das massas sobrantes da modernização, e aponta a solidariedade, a união e a organização do povo como o caminho para uma sociedade mais democrática e não excludente em 2019. Que este ano novo então seja um ano para lutar diariamente pela paz, ser solidário, incentivar o respeito à vida, às pessoas e ao planeta (cf. “Laudato Si sobre o cuidado da casa comum” do Papa Francisco).

Que as realizações alcançadas no ano 2018 sejam apenas sementes plantadas, que serão colhidas com maior sucesso em 2019. Que o nosso ano novo começa sendo abençoado por Deus e que os nossos passos e decisões sejam guiados e protegidos por Ele. Que Deus distribua muitas bênçãos por todos neste ano novo que está começando. Digo isso dedicando lhes as palavras de uma antiga benção irlandesa, minha terra natal: “Que o caminho seja brando a teus pés; que o vento sopre leve em teus ombros; que o sol brilhe cálido sobre tua face; que as chuvas caiam serenas nos campos; e até que, de novo, eu te veja, que Deus te guarde na palma de sua mão”. Que o Ano Novo de 2019 seja para todos os leitores do site da Arquidiocese de Fortaleza, um ano cheio de sucesso, de compreensão, de justiça, de unidade e, sobretudo, de amor e paz.

Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redenorista

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Publicado em 28/12/2018 por Leonardo Sousa

Celebração Diaconal em Fortaleza – dezembro de 2018

Publicado em 28/12/2018 por Leonardo Sousa

Fotos das Ordenações Diaconais e Urna de Dom Aloísio Lorscheider

No dia dia 21 de dezembro de 2018,
18h30min., na Catedral Metropolitana de Fortaleza, aconteceu a Ordenação dos Diáconos e o sepultamento de uma parte dos restos mortais, de d. Aloísio Lorscheider, 4º arcebispo de Fortaleza.

Na mesma data sexta, 21, a Arquidiocese também comemorou o quadragésimo aniversário de Dedicação da Sé Catedral, inaugurada em 22 de dezembro de 1978, pelo então arcebispo, Cardeal Lorscheider.

Veja as fotos do dia da celebração

Publicado em 27/12/2018 por João Augusto

27 de dezembro: 1 ano que dom Hélder Câmara foi declarado patrono dos Direitos Humanos

Um dos fundadores da CNBB, dom Hélder Câmara, ícone da resistência contra a ditadura militar, foi declarado Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. O órgão técnico aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei 7230/14, no dia 27 de dezembro de 2017. O texto foi publicado no Diário Oficial da União.

Patrono
O título de patrono de determinada categoria é muito relevante, pois reconhece a atuação de figuras importantes para o País e serve de inspiração para todos. Dom Helder é uma dessas figuras, enquanto arcebispo de Olinda e Recife foi um dos expoentes católicos que sempre lutou em benefício de melhores condições de vida para os mais pobres, especialmente na época da ditadura militar. Falecido em 1999, o religioso é reconhecido como exímio defensor dos Direitos Humanos.

O título de patrono de determinada categoria é muito relevante, pois reconhece a atuação de figuras importantes para o País e serve de inspiração para todos.

Na década de 1950, Dom Helder fundou obras sociais como a Cruzada São Sebastião, cujo objetivo era atender os moradores das favelas, e o Banco da Providência, que organizava doações e microcrédito para as famílias de baixa renda.

Dom Helder exerceu ainda funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação. Foi também um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por sua trajetória, reconhecida internacionalmente, foi o único brasileiro cotado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

Em seus mais de 20 livros publicados – boa parte traduzida para outros idiomas –, Dom Helder defendeu ainda o seu ideal de “não-violência” e a necessidade de profundas reformas por um Brasil menos desigual.

Atuação
O combate às violações de direitos humanos custou ao arcebispo uma perda pessoal: em 1969, o assessor de Dom Hélder, Padre Henrique, foi preso e torturado até a morte pelos militares.

O local onde Dom Helder passou os últimos anos de vida, nos fundos da Igreja de Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras, no Recife (PE), foi transformado em museu. No Memorial Dom Helder Câmara, estão expostos objetos como livros, quadros, roupas e móveis de uso pessoal do arcebispo.

O processo de beatificação de Dom Helder começou em maio de 2015 e se encontra na fase diocesana, na qual uma série de documentos, escritos de sua autoria e apanhados históricos são analisados. Em seguida, tramita para o Vaticano, onde será nomeado um relator.

(Fonte: Vatican News/ operamundi.uol.com.br) 

CNBB

Publicado em 26/12/2018 por João Augusto

Mensagem «Urbi et Orbi» do Papa Francisco – Natal 2018

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

A vós, fiéis de Roma, a vós, peregrinos, e a todos vós que, das mais variadas partes do mundo, estais sintonizados connosco, renovo o jubiloso anúncio de Belém: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Como os pastores, os primeiros que acorreram à gruta, ficamos maravilhados com o sinal que Deus nos deu: «Um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Em silêncio, ajoelhamo-nos e adoramos.

E que nos diz aquele Menino, nascido, para nós, da Virgem Maria? Qual é a mensagem universal do Natal? Diz-nos que Deus é um Pai bom, e nós somos todos irmãos.

Esta verdade está na base da visão cristã da humanidade. Sem a fraternidade que Jesus Cristo nos concedeu, os nossos esforços por um mundo mais justo ficam sem fôlego, e mesmo os melhores projetos correm o risco de se tornar estruturas sem alma.

Por isso, as minhas boas-festas natalícias são votos de fraternidade.

Fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas.

Fraternidade entre pessoas de ideias diferentes, mas capazes de se respeitar e ouvir umas às outras.

Fraternidade entre pessoas de distintas religiões. Jesus veio revelar o rosto de Deus a todos aqueles que o procuram.

E o rosto de Deus manifestou-se num rosto humano concreto. Apareceu, não sob a forma dum anjo, mas dum homem, nascido num tempo e lugar concretos. E assim, com a sua encarnação, o Filho de Deus indica-nos que a salvação passa através do amor, da hospitalidade, do respeito por esta nossa pobre humanidade que todos compartilhamos numa grande variedade de etnias, línguas, culturas… mas todos irmãos em humanidade!

Então, as nossas diferenças não constituem um dano nem um perigo; são uma riqueza. Como no caso dum artista que queira fazer um mosaico: é melhor ter à sua disposição ladrilhos de muitas cores, que de poucas.

A experiência da família no-lo ensina: irmãos e irmãs são diferentes um do outro e nem sempre estão de acordo, mas há um laço indissolúvel que os une, e o amor dos pais ajuda-os a quererem-se bem. O mesmo se passa com a família humana, mas, nesta, é Deus o «pai», o fundamento e a força da nossa fraternidade.

Que este Natal nos faça redescobrir os laços de fraternidade que nos unem como seres humanos, interligando todos os povos. Permita a Israelitas e Palestinenses retomar o diálogo e embocar um caminho de paz que ponha fim a um conflito que, há mais de setenta anos, dilacera a Terra escolhida pelo Senhor para nos mostrar o seu rosto de amor.

O Menino Jesus permita, à amada e atormentada Síria, reencontrar a fraternidade depois destes longos anos de guerra. Que a Comunidade Internacional trabalhe com decisão para uma solução política que anule as divisões e os interesses de parte, de modo que o povo sírio, especialmente aqueles que tiveram de deixar as suas terras e buscar refúgio noutro lugar, possa voltar a viver em paz na sua pátria.

Penso no Iémen com a esperança de que a trégua mediada pela Comunidade Internacional possa, finalmente, levar alívio a tantas crianças e às populações exaustas pela guerra e a carestia.

Penso depois na África, onde há milhões de pessoas refugiadas ou deslocadas e precisam de assistência humanitária e segurança alimentar. O Deus Menino, Rei da paz, faça calar as armas e surgir uma nova aurora de fraternidade em todo o Continente, abençoando os esforços de quantos trabalham para favorecer percursos de reconciliação a nível político e social.

O Natal robusteça os vínculos fraternos que unem a península coreana e consinta de prosseguir no caminho de aproximação empreendido para se chegar a soluções compartilhadas que a todos assegurem progresso e bem-estar.

Este tempo de bênção permita à Venezuela reencontrar a concórdia e, a todos os componentes da sociedade, trabalhar fraternalmente para o desenvolvimento do país e prestar assistência aos setores mais vulneráveis da população.

O Senhor recém-nascido leve alívio à amada Ucrânia, ansiosa por reaver uma paz duradoura, que tarda a chegar. Só com a paz, respeitadora dos direitos de cada nação, é que o país poderá recuperar das tribulações sofridas e restabelecer condições de vida dignas para os seus cidadãos. Solidário com as comunidades cristãs daquela Região, rezo para que possam tecer relações de fraternidade e amizade.

Que, diante do Menino Jesus, se redescubram irmãos os habitantes da querida Nicarágua, para que não prevaleçam as divisões e discórdias, mas todos trabalhem para favorecer a reconciliação e, juntos, construir o futuro do país.

Desejo lembrar os povos que sofrem colonizações ideológicas, culturais e económicas, vendo dilaceradas a sua liberdade e identidade, e que sofrem por causa da fome e da carência de serviços educativos e sanitários.

Penso de modo particular nos nossos irmãos e irmãs que celebram a Natividade do Senhor em contextos difíceis, para não dizer hostis, especialmente onde a comunidade cristã é uma minoria, por vezes frágil ou desconsiderada. Que o Senhor lhes conceda, a eles e a todas as minorias, viver em paz e ver reconhecidos os seus direitos, sobretudo a liberdade religiosa.

O Menino pequenino e com frio, que hoje contemplamos na manjedoura, proteja todas as crianças da terra e todas as pessoas frágeis, indefesas e descartadas. Possamos todos nós receber paz e conforto do nascimento do Salvador e, sentindo-nos amados pelo único Pai celeste, reencontrarmo-nos e vivermos como irmãos!

Publicado em 26/12/2018 por João Augusto

Natal: longe da periferia

Padre Geovane Saraiva*

Celebrar o Natal de Jesus Cristo em meio a bloqueios, muros e cercas, com toda a acentuação que se dá a lógica consumista e materialista, nos mostra a face de um mundo visivelmente enganoso, deixando clara a instrumentalização do personagem principal da festa, a qual estamos envolvidos. Embora nosso esforço seja enorme, ao pensar o contrário, vemos cristalizado seu paganismo, distanciando-nos sempre mais de seu verdadeiro significado, que é o da fragilidade de uma criança, que exulte feliz nas contradições da humanidade, no clima alegre e esperançoso do Natal do Senhor, favorecendo todas as pessoas, sem distinção, num bom e grande mergulho no projeto indulgente de Deus.

No cumprimento das promessas, dons de Deus para a humanidade, na celebração do Natal, seria maravilhosa uma consciência sempre maior, de que a verdadeira festa do amor só mesmo pela segura convicção de que a glória de Deus quer se manifestar e brilhar entre nós, no Emanuel, o Deus conosco, na certeza de que chegou a salvação, no linguajar de São Paulo, na terna e amorosa bondade de Deus para com a criatura humana, no mistério de seu próprio Filho, salvando-nos por sua livre e benevolente  vontade (cf. Tt 3, 4-7).

A vinda de Jesus à terra foi e é indispensável, porque é a salvação, é Deus visível tornando-se gente no Menino Jesus, de Maria e José, como os vemos na manjedoura, figuras centrais, sendo que a verdadeira luz que ilumina todo homem é Cristo. A celebração solene e comovedora do nascimento do Filho de Deus quer ser a afirmação da nossa fé no mistério de Jesus, que desceu do céu e se encarnou na história da humanidade. Convençamo-nos do nascimento do Filho de Deus como esperança de dias melhores na utópica, porém necessária, crença, afinal não podemos perder de vista a expectativa de um mundo melhor, fraterno e justo.

Quando José e Maria encontram as portas fechadas na hospedaria de Belém, cidade periférica, eles têm que se deslocar daquele lugar, indo a outro ainda mais periférico. Lá, Jesus nasceu na estribaria, ajudando-nos mesmo a perceber o paradoxo do mundo de então e de nosso mundo. Jesus não nasceu em belas casas verticalizadas, nas ceias compostas de melhores iguarias, regadas de caras bebidas, que nos parece longe do terno, afável e sóbrio espírito do Natal.

Que a bondade de Deus na criança de Belém nos ajude em nossa caminhada de fé, não distraídos e despercebidos, diante da insensatez do mundo. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Blogueiro, Escritor e Colunista, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – geovanesaraiva@gmail.com

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Publicado em 26/12/2018 por João Augusto

S. Estêvão, o Primeiro Mártir: mais de 3 mil cristãos mortos em 2018

Neste ano mais uma vez se repete a tragédia de cristãos mortos por razão da sua fé. Eles são recordados neste dia em que a Igreja comemora São Estêvão, o Primeiro Mártir. Entrevista com Marta Petrosillo, porta voz da Fundação de Direito Pontifício “Ajuda à Igreja que Sofre”-Itália

Cidade do Vaticano

Ao ler nos Atos dos Apóstolos a história do martírio de Santo Estêvão festejado hoje, 26 de dezembro, como o Primeiro Mártir, o que impressiona não é apenas a brutalidade da lapidação, mas o contraste com a sua mansidão. As suas últimas palavras são um pedido de perdão para seus assassinos: “Senhor, não os considere culpados deste pecado”. Palavras que ressoam nos séculos, marcando o coração de muitos cristãos mártires mortos pela fé. Hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos, disse Papa Francisco várias vezes ao recordar também recentemente, em uma Missa na Casa Santa Marta, os coptas degolados na praia da Líbia, que morreram dizendo “Jesus, Jesus!”, com o consolo no coração.

“Ajuda à Igreja que Sofre”: as mulheres são mais perseguidas

Cerca de um mês atrás, a Fundação de Direito Pontifício “Ajuda à Igreja que Sofre” publicou seu Relatório anual. No mundo, há 300 milhões de cristãos perseguidos e 38 países nos quais são discriminados. Muitos destes cristãos perdem a vida por razão da sua fé. A porta-voz da Fundação Marta Petrosillo comenta o relatório ao Vatican News.

R. – O ano de 2018 confirma esta dramática tendência. É muito difícil fazer estimativas exatas, mas podemos citar muitos episódios e também muitas perdas. Recordo por exemplo dos cinco sacerdotes mortos na República Centro-Africana em quatro ataques diversos, ou nos sete sacerdotes mortos no México. Na Nigéria houve um atentado dentro de uma igreja no mês de abril, na ocasião morreram outros dois sacerdotes. Só na Nigéria, nos primeiros cinco meses de 2018 quase 500 cristãos foram mortos em ataques por parte dos islamitas Fulani. Podemos recordar também o recente atentado no Egito de 2 de novembro no qual morreram 11 cristãos que estavam indo ao santuário próximo de Minya. Portanto, todas estas mortes confirmam que o drama da perseguição contra os cristãos continua.

Geralmente onde são perseguidas as minorias cristãs e não só estas, as mulheres e as meninas são as que mais sofrem. Como foi este ano?

R.- Infelizmente este ano confirma os anteriores. Podemos dizer que a situação é a mesma. As mulheres cristãs em muitos contextos são duplamente agredidas. Temos sequestros, estupros e casamentos forçados em vários países. Um caso emblemático é o do Paquistão, onde todos os anos muitas jovens – são sequestradas, violentadas e obrigadas a se casarem com seus estupradores. Um dos últimos casos ocorreu alguns meses atrás a uma criança de apenas doze anos. Uma situação semelhante foi registrada também no Egito, onde há casos de mulheres sequestradas, convertidas e obrigadas a se casarem com os agressores. Enfim ser mulher e ser cristã em muitos países do mundo significa vulnerabilidade dupla. Isso vale também, obviamente, para as crianças.

Vocês recebem testemunhos de cristãos de todo o mundo. Durante este ano houve situações em que os agressores ficaram impressionados pelo testemunho dos cristãos ou histórias emblemáticas de perdão?

R. Certamente em muitos países, onde há situações dramáticas, a ação da Igreja foi fundamental para promover uma aproximação dos que não confiavam nas comunidades cristãs. Uma irmã que trabalha na Líbia com refugiados cristãos provenientes da Síria nos contou que um senhor muçulmano, que era muito hostil para com as comunidades cristãs, começou até mesmo a ajudá-la. Os que são perseguidos contam muitas histórias de perdão. Em fevereiro deste ano, durante um evento da nossa Fundação no Coliseu recebemos Rebecca Bitrus, que foi sequestrada e violentada por homens do grupo Boko Haram na Nigéria. Ela teve um filho de um dos seus agressores e nos disse várias vezes que no seu coração não há ódio e que perdoou os homens que a tinham agredido.


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