Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Fortaleza realiza festa de sua padroeira

A Caminhada com Maria chega no dia 15 de agosto de 2018 a sua 16ª edição, celebrando a padroeira de Fortaleza, Nossa Senhora da Assunção. Todos os anos reúne multidão de católicos que saem em procissão do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, no bairro Vila Velha, em direção a Catedral Metropolitana de Fortaleza, onde a imagem da padroeira é coroada.

O tema deste ano: Caminhamos com Maria, “Mãe da Igreja”, e o lema: “Mulher eis aí o teu Filho. Filho, eis aí a tua Mãe” (cf. Jo 19,27), em sintonia com a instituição da memória de Maria Mãe da Igreja, decretada pelo Papa Francisco, a ser celebrada na segunda-feira após o domingo de pentecostes. O percurso percorrido do Santuário de Nossa Senhora da Assunção à Catedral Metropolitana de Fortaleza, são aproximadamente 12,5 quilômetros. No trajeto podemos ver diversas manifestações de fé, expressas pelos devotos em suas casas ornamentadas, nas vestes e portando múltiplos símbolos religiosos.

A coletiva de imprensa da XVI edição da Caminhada com Maria acontecerá no dia 3 de agosto, às 15h, no auditório da Cúria Arquiepiscopal, localizado na Avenida Dom Manoel, 3, Centro – Fortaleza (CE).

Em outras edições da caminhada também apresentaram temáticas para serem meditadas durante o momento:

  • 1ª edição: Caminhamos com Maria, em seu Caminho que é Jesus (2003);
  • 2ª edição: Caminhamos com Maria, modelo insuperável da contemplação de Cristo (2004);
  • 3ª edição: Com Maria seguimos Jesus Eucaristia (2005);
  • 4ª edição: Com Maria somos discípulos e missionários de Jesus Cristo (2006);
  • 5ªedição: Com Maria, discípula e missionária de Jesus, a serviço da vida (2007);
  • 6ª edição: Caminhamos com Maria, Mãe dos discípulos de Jesus Cristo (2008);
  • 7ª edição: Caminhamos com Maria na fidelidade de Cristo (2009);
  • 8ª edição: Caminhamos com Maria: Fica conosco, Senhor! (2010);
  • 9ª edição: Caminhamos com Maria, acolhendo Jesus a Palavra de Deus (2011);
  • 10ª e 11ª edições: Com Maria no Caminho da Fé (2012/2013);
  • 12ª edição: Com Maria no caminho da Esperança (2014);
  • 13ª edição: Caminhamos com Maria, na Caridade de Cristo (2015);
  • 14ª edição: Caminhamos com Maria, a Mãe da Misericórdia (2016);
  • 15ª edição: Maria caminha conosco no caminho que é Jesus (2017).

Nesses dezesseis anos de caminhada a estimativa de público, em cada edição, é aproximadamente 2 milhões de pessoas realizando o percurso, o intuito da Caminhada com Maria é reunir os filhos de Deus para louvar e agradecer as bênçãos realizadas em suas vidas e homenagear a Mãe de Jesus, padroeira de nossa cidade. Desde o seu primeiro ano é organizada pela Arquidiocese de Fortaleza e foi decretada em 5 de junho de 2015 como patrimônio cultural imaterial do Brasil, sob a Lei Nº 13.330.

Serviço:
Evento: XVI Caminhada com Maria.
Quando: 15 de agosto de 2018.
Horário: 14 horas – Saída
Local: Santuário Nossa Senhora da Assunção
Endereço: Av. Dom Aloísio Lorscheider, 960 – Conjunto Nova Assunção – Vila Velha, Fortaleza – CE
Concentração: Ponte da Barra do Ceará
Chegada: Catedral Metropolitana de Fortaleza

Contato: Setor de Comunicação da Arquidiocese de Fortaleza.
Telefone: (85) 3388 -8703

Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Fascinante cena do Evangelho

Padre Geovane Saraiva*

Ver e ouvir o que está acontecendo na instauração do reino de Deus, pelo anúncio ou pregação do Evangelho, voltado para uma infinidade de pessoas ao longo dos séculos, torna-se realidade inequívoca na multiplicação dos pães. Vemos revelado o aspecto mais belo e maravilhoso dos sinais de Jesus, na sua preocupação com a criatura humana, num passado longínquo, sim, mas também nos nossos dias, igualmente. Jesus, na sua obediência à vontade do Pai, quer matar, verdadeiramente, a nossa fome, quer que nos comprometamos com a história da humanidade, num novo convívio, onde todos possam se sentar à mesma mesa, antecipando, assim, o reino dos céus.

Jesus, ao salvar, libertar e restaurar vidas, deixa claro que o reino de Deus está entre nós, respondendo ao que a humanidade ansiosamente estava a esperar. Deus mesmo é quem cumpre sua promessa: a de fazer novas todas as coisas. Quando nos deparamos com Jesus de Nazaré preocupado com a criatura humana, vemos que o mistério da encarnação se torna consequente. Ele nos ensina que nascemos para a felicidade quando partilhamos nossos dons e talentos, uns aos outros, não importando quão difícil seja a situação em que nos encontramos, como no exemplo da natureza, que não vive para si mesma, ou do sol, que também não produz claridade para si mesmo.

No jovem que carregava consigo cinco pães e dois peixes, Jesus se manifestou prodigamente, dizendo que o impossível pode se tornar possível. Essa fascinante cena do Evangelho indica-nos que, se há fome na face da terra, é evidente que não é por insuficiência de alimentos; o que falta é o dom da partilha, da generosidade e da solidariedade. A iniciativa de Jesus, ao perceber que o povo estava com fome, na sua radical compaixão, quis apontar para nós uma solução. O Evangelho nos mostra também, querendo nos sensibilizar e tirar da indiferença, que Jesus não só alimentava as pessoas na fome do espírito, mas, igualmente, na fome do corpo.

O menosprezo de uma bela igreja românica, na Sardenha, Itália, abandonada e com estrume em volta, me fez refletir na beleza e na arte abandonadas, revelando não ser mais sinal da bondade, do divino e da excelsa presença de Deus aquele templo. É o deserto do interior humano, pouco fertilizado, que faz pensar em nós, cristãos, criados para Deus e voltados aos sinais de Jesus e ao mistério. Assim sendo, como fica hoje nossa fé?

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza geovanesaraiva@gmail.com

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Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Monjas Clarissas realizam festa a sua fundadora Santa Clara de Assis

As Irmãs Clarissas do Mosteiro do Santíssimo Sacramento, em Canindé (CE), a luz do tema: “Santa Clara na fidelidade ao Evangelho”, celebram no período de 1 a 11 de agosto de 2018, a festa da patrona dos estudantes. A programação diária inicia-se a partir das 19h, com novena e celebração eucarística. No dia 10 é celebrado o trânsito de Santa Clara com apresentação teatral encenado pelos jovens da Paróquia São Francisco das Chagas.

As Irmãs Clarissas em Canindé

Em 11 de Agosto de 1994, chegaram às terras cearenses, mais precisamente na cidade de Canindé, as primeiras Irmãs Clarissas vindas do Mosteiro de Santa Clara, em Campina Grande (PB). Elas vieram completar a presença da Família Franciscana que já era expressivamente marcante com a primeira Ordem representada pelos Frades Menores e Terceira Ordem, pelos leigos.

As Clarissas, seguindo a inspiração de Santa Clara e São Francisco, seguem a Cristo pobre e crucificado, testemunhando na vida em fraternidade sua consagração total a Deus. Vivendo em clausura, dedicadas de modo especial à oração e contemplação, estão unidas à Igreja e à humanidade em suas dores, anseios e sofrimentos mais profundos.

As Irmãs entendem sua vocação como um doar-se completamente a Deus no anonimato e silêncio do Mosteiro, para o crescimento do reino no mundo, na alegria e simplicidade do dia-a-dia testemunhando que vale a pena deixar tudo para seguir a Cristo Esposo de modo mais radical.

O local fica localizado a Rua Paulino Barroso, 1506, Santa Clara, Canindé (CE). Maiores informações: (85) 3343.0126 (Mosteiro).

 

Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Editorial – julho 2018: “Caminhamos com Maria, Mãe da Igreja.”

“Caminhamos com Maria, Mãe da Igreja.”

Tema: “Caminhamos com Maria, Mãe da Igreja”
Lema: “Mulher, eis o teu filho. Filho, eis a tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a levou para sua casa. (Jo 19, 26-27.)

Pela décima sexta vez estaremos realizando a CAMINHADA COM MARIA por ocasião da Solenidade de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Cidade de Fortaleza no dia 15 de agosto, que neste ano será uma Quarta-feira e há anos é Feriado Municipal em Fortaleza.

A própria história da evangelização no Ceará está marcada por esta presença de Nossa Senhora: desde o primeiro povoado na Barra do Rio Ceará, passando pela Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e finalmente marcando sua presença como Padroeira da Cidade de Fortaleza, na Catedral Metropolitana. Esta celebração marca o reconhecimento das origens cristãs – católica e mariana – de nossa cidade, onde a Mãe reúne seus filhos.

A cada ano, um aspecto da vida de Maria, Mãe de Jesus, é por nós recordado, para ser a motivação espiritual para a construção da cidade, que, terrena, é o caminho para a Cidade Definitiva. A construção da cidade terrena é o campo de cultivo do que será o futuro de toda a humanidade, o Reino de Deus. Jesus, o Senhor da História, veio para a missão de redenção humana. Tendo se desviado do projeto divino, o homem se fechou ao imediato e material e se propôs construir uma cidade e uma torre que alcançassem o céu. E a Babel confundiu as linguas, os entendimentos, os projetos humanos, levando a teimosia do projeto humano de alcançar o céu com suas próprias forças a ser cada vez mais desagregador e excludente – cultura de morte.

Jesus veio reunir os filhos de Deus dispersos (cf. Jo 11, 52) e encaminhá-los para novo céu e nova terra (cf. Apc 21, 1). O projeto divino é de comunhão das pessoas humanas com Deus e entre si, e para isto reúne um povo que dê seus frutos (cf. Mt 21, 43).

Neste plano divino, a presença da Igreja – congregação dos filhos de Deus em Jesus – realiza uma missão de levar o Evangelho ao mundo inteiro. Ela reune os filhos e filhas de Deus, que são aqueles que fazem a vontade do Pai do Céu (cf. Mc 3, 15) em Família de Cristo. Esta Família recebeu de Jesus como Mãe Maria na suprema hora da Redenção (cf. Jo 19, 26). Ela foi a cooperadora do mistério da encarnação do Verbo de Deus na humanidade e a Ele deu à luz por obra do Espírito Santo. Ela é aquela que, com Jesus, dá à luz a nova humanidade redimida e dela cuida, como perfeita discípula de Cristo, Mãe da Igreja em caminho de encarnação do Reino de Deus no mundo até sua plena realização. Como discípula a mais perfeita é também mestra do discipulado de seu Filho. Como Mãe continua gerando Cristo na humanidade chamada a ser una nEle. O sentir do povo cristão, em dois mil anos de história, acolheu de vários modos, o elo filial que une estreitamente os discípulos de Cristo à sua Santíssima Mãe. De tal união dá um testemunho explícito o Evangelista João, mencionando o testamento de Jesus morrendo na cruz (cf. Jo 19,26-27). Depois de ter entregue a própria Mãe aos discípulos e estes à Mãe, “sabendo que tudo se consumara”, morrendo, Jesus “entregou o espírito” tendo como fim a vida da Igreja, seu corpo místico: de fato, “do lado de Cristo adormecido na cruz nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja” (Sacrosanctum Concilium, n. 5).

E neste mundo, quem são os cristãos? “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo.” (Mt 5, 13)

Logo nos inícios do caminhar da Igreja na história, a consciência evangélica levou à afirmação da missão cristã, como “… Igreja, enriquecida pelos dons do seu fundador e observando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, anunciar e instaurar em todas as gentes o reino de Cristo e de Deus, e constitui ela própria na terra o germe e o início deste reino. Entretanto, no seu lento crescer, aspira ao reino perfeito, e com todas as suas forças espera e deseja unir-se ao seu Rei na glória.” (cf LG 5)

E cidadãos do mundo, sem ser do mundo (cf. Jo 17, 6 ss), os cristãos são, com Jesus, portadores do Amor de Deus: “Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e a especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em casa gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros.Toda pátria estrangeira é pátria deles, a cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põe a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem as leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, deste modo, lhes é dada a vida; são pobres e enriquecem a muitos; carecem de tudo e tem abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. … são combatidos como estrangeiros, … são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio. Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim estão os cristãos no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo, e os cristãos estão em todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são vistos no mundo, mas sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, embora não tenha recebido nenhuma ofensa dela, porque esta a impede de gozar dos prazeres; embora não tenha recebido injustiça dos cristãos, o mundo os odeia, porque estes se opõem aos prazeres. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; também os cristãos amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; também os cristãos estão no mundo como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo.A alma imortal habita em uma tenda mortal; também os cristãos habitam como estrangeiros em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada em comidas e bebidas, a alma torna-se melhor; também os cristãos, maltratados, a cada dia mais se multiplicam. Tal é o posto que Deus lhes determinou, e não lhes é lícito dele desertar. (da Carta a Diogneto – séc. II)

Temos uma graça e uma missão: ser cooperadores na construção cidadã da cidade terrena na caminhada para a cidade celeste. Maria elevada à glória do Céu, Mãe da Igreja, nos acompanha com seu amor materno no seguimento de Jesus e na realização do Evangelho para, atentos às coisas do alto, acenda-se em nossos corações o desejo de chegar à glória da ressurreição. (cf Liturgia de 15 de agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora)

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano

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Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Agenda do Arcebispo – Agosto 2018

Dia Sem. Hora Evento Local
3 Sexta-feira 9h00min Coletiva de Imprensa sobre a Caminhada com Maria Cúria Metropolitana de Fortaleza
4 Sábado   DIA DO PADRE  –  São João Maria Vianney  
    17h30min Crisma na Paróquia São José Canindé
5 Domingo      
6 Segunda-feira 9h00min Encontro com os seminaristas estagiários Residência arquiepiscopal
7 a 10 Terça – Sexta   Encontro dos Bispos – CNBB Regionais NE (1, 2, 3, 4, 5) CEU – Dias Macedo, Fortaleza
11 Sábado 17h00min Missa Jubileu de Ouro Sacerdotal de Dom Fernando Panico Crato
12 Domingo 8h00min Missa na TVC Dionísio Torres, Fortaleza
13 Segunda-feira 5h00min Missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima Fátima, Fortaleza
14 Terça-feira 9h00min Conselho de Formadores Residência arquiepiscopal
    12h00min Missa no aniversário de falecimento de Dom Antonio de Almeida Lustosa – Arcebispo Emérito de Fortaleza – em processo de beatificação Catedral Metropolitana
    17h30min Conselho Econômico Arquidiocesano Cúria Metropolitana
15 Quarta-feira 8h00min Missa no Santuário de Nossa Senhora da Assunção Nova Assunção, Fortaleza
    14h00min CAMINHADA COM MARIA (16ª.) do Santuário de N S. da Assunção à Catedral Metropolitana
16 Quinta-feira 9h00min Conselho Episcopal Residência arquiepiscopal
17 Sexta-feira 19h00min Crisma na Área Pastoral Santa Paula Frassinetti Granja Lisboa, Fortaleza
18 Sábado 7h30min Missa – abertura do Congresso da Saúde – Camilianos a definir
19 Domingo 17h00min Crisma na Paróquia São Francisco de Assis Conj. Palmeira, Fortaleza
20 Segunda-feira      
21 Terça-feira 8h00min Missa no Encontro das Superioras Gerais USB CRB Porciúncula – Messejana, Fortaleza
    18h30min Missa no Seminário de Filosofia

e encontro com seminaristas do 3º.

Antônio Bezerra, Fortaleza
22 Quarta-feira 9h00min Presidência da CNBB REGIONAL NE1 Fátima, Fortaleza
23 a 26 Quinta – Domingo   Visita Pastoral na Paróquia Santa Luzia Meireles, Fortaleza
27 Segunda-feira 8h0min Confraternização do Clero Sítio São Francisco – Catolé, Horizonte
27 a 30 Segunda – Quinta   Encontro dos padres de 6 a 10 anos de Ordenação a definir

 

Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Nomeações e provisões – Junho 2018

Provisão de Pároco de Nossa Senhora da Conceição – Pajuçara, Maracanaú – Pe. Edmilson José da Silva, SDN 06 06 18

Provisão de Pároco de Carlito Pamplona – Pe. José Daniel Lima Alves, SCJ 12 06 18

Provisão de Vigário Paroquial de São Pedro e São Paulo – Pe. José Carlos Galeno de Olivindo, CM 04 06 18

Provisão de Vigário Episcopal Região Serra Nossa Senhora da Palma – Pe. Marcílio Jerônimo Pereira 14 06 18

Provisão dos membros do Conselho Econômico – Paróquia Menino Jesus – Conj. Industrial 14 06 18

Uso de Ordem na Arquidiocese de Fortaleza para Pe. Fr. Carlos André do Rosário Pereira, OFMCap – 14 06 18

CELEBRET – Pe. Francisco José Costa de Souza, INJ 18 06 18

Provisão dos membros do Conselho Econômico – Paróquia Santa Cecília – Bom Jardim 18 06 18

Provisão dos membros do Conselho Econômico – Paróquia Santíssima Trindade – José Walter 18 06 18

Provisão de Pároco de São João Batista em Acarape – Pe. José Almir Martins Jucá Júnior 24 06 18

CELEBRET para Pe. Alex de Brito Sátiro – 29 06 18 – em português

Provisão dos membros do Conselho Econômico – Paróquia Santo Antônio – Itaitinga 29 06 18

Provisão dos membros do Conselho Econômico – Paróquia N S da Assunção – Nova Assunção 09 05 18

 

Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

A espiritualidade de Santo Afonso

Escrever sobre a espiritualidade de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Congregação do Santíssimo Redentor mais conhecida como  a Congregação dos Padres Redentoristas não é fácil num breve artigo. Ele nasceu em Marianella, perto de Nápoles na Itália, de família nobre em 1696. Recebeu uma excelente educação humanística que terminou com ele se formando advogado. Durante oito anos exerceu com grande sucesso essa profissão. Depois de um fracasso num importante caso nos tribunais, converteu-se inteiramente a Deus.

Depois disso fez seus estudos eclesiásticos, e foi ordenado sacerdote em 1727. Os historiadores da Igreja o consideram homem extraordinário pela sua capacidade multiforme: era advogado, músico, teólogo, pintor, poeta, escritor, moralista e apologista. Ele escreveu mais de 110 obras sobre tópicos como espiritualidade, teologia moral, meditações, acética, retiros e sermões que foram traduzidas em 86 línguas. A pregação, a direção de almas, o trato com os sacerdotes da capital suscitaram nele uma vocação decisiva pela evangelização dos pobres do interior.

Em 1732 fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como a Congregação Redentorista, composto de padres e irmãos, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e mais abandonados. Atualmente a Congregação Redentorista conta com cerca de 5.000 membros trabalhando em 82 países. Embora seja impossível resumir num breve artigo como este a chamada “espiritualidade afonsiana” podemos citar aqui alguns aspectos desta espiritualidade:
a) o nosso chamado à santidade;
b) o amor de Deus por nós;
c) a meditação da paixão e morte de Jesus;
d) a importância de amar Jesus Cristo, nosso Deus e  Redentor;
e) a obediência à vontade divina manifestada na Sagrada Escritura;
f) a condenação do egocentrismo;
g) a importância da mortificação (interna e externa);
h) a necessidade da oração;
i) a devoção à Nossa Senhora;
j) a frequente meditação;
k) a importância da Santa Missa e visitas ao Santíssimo diariamente;
l) a importância do Sacramento de Penitência (Confissão) etc.

Durante mais de quarenta anos dedicou-se a percorrer com seus companheiros redentoristas praticamente todo o sul da Itália evangelizando através das Santas Missões e pregações. Em 1762 foi nomeado bispo de Santa Águeda dos Godos. Ficou famoso na sua diocese para as visitas pastorais nas paróquias e com a pregação dos seus missionários redentoristas. No ano 1775 renunciou a seu cargo por motivos de enfermidade, e voltou a morar na comunidade redentorista em Pagani.  Durante os últimos doze anos de sua vida sofreu com graves problemas internos da comunidade, até o ponto de ver-se excluído de sua própria congregação! Morreu em 1º. de agosto de 1787 com 91 anos de idade. Foi canonizado em 26 de maio de 1839 e declarado Doutor da Igreja em 23 de março de 1871.

Finalmente o Papa Pio Xll o proclamou patrono dos confessores e moralistas em 26 de abril de 1950. Suas obras como escritor compreendem três gêneros: obras de teologia moral, nas quais se destaca a Theologia Moralis (1748), obras acéticas e devocionais e obras teológicas. Santo Afonso escreveu vários livros em honra de Nossa Senhora, como a “Devoção Mariana”, “Orações à Mãe Divina”, “A Verdadeira Esposa de Cristo”, e o mais famoso de todos; “As Glórias de Maria”. Sua festa é celebrada no 1º. dia de agosto cada ano.

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

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Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

Santo Inácio de Loyola: o jesuíta apaixonado por Deus

Na celebração da memória do fundador da Companhia de Jesus, recordaremos a figura de Santo Inácio, o seu carisma e a grande atualidade dos Exercícios Espirituais.

Cidade do Vaticano

“Como Santo Inácio de Loyola, coloquemo-nos ao serviço do próximo”, esta é a essência da mensagem que Papa Francisco, o primeiro Pontífice jesuíta, escreveu no seu twitter, um ano atrás. O fundador da Companhia de Jesus era um homem que, antes do encontro com Jesus, amava o poder e a mundanidade, mas depois, com dedicação, estudo e ouvindo a Palavra de Deus entregou-se à sua vontade.

Obediência, liberdade do coração

Em Roma, na Igreja de Jesus, onde se encontra o túmulo de Santo Inácio, o padre Jean Paul Hernandez o descreve como “um homem que dá preferência ao processo e a dinâmica”, “em saída” como Papa Francisco gosta de afirmar. “O centro do carisma do jesuíta – afirma – é a obediência que é a liberdade do coração. O jesuíta é um homem entregue a Deus que aplica um estilo: analisa a realidade na qual se encontra, aprofunda-a, reza e faz o discernimento”. Neste processo são fundamentais os Exercícios Espirituais, codificados na metade do século XVI, ainda hoje de grande atualidade. “Praticado não só pelos religiosos – explica padre Hernandez – mas também pelos leigos que se inspiram na espiritualidade inaciana e pelos irmãos ortodoxos”.

Estilo jesuíta

“O estilo do jesuíta faz com que cada um se especialize no âmbito ao qual é chamado – acrescenta o religioso – por isso nos dedicamos à nova evangelização, aos desafios do saber atual, mas também aos migrantes que representam a emergência dos nossos tempos”.

O Centro Astalli (Serviço dos Jesuítas para os Refugiados) que se encontra próximo da Igreja de Jesus em Roma, é uma das muitas respostas colocadas em campo pelos jesuítas, cerca de 17 mil presenças em 100 nações do mundo.

Santo Inácio

Nasceu em Azpeitia, região basca ao norte da Espanha, em 1491 e faleceu em Roma em 1556. Caçula de 13 irmãos, era destinado à vida sacerdotal, mas o seu desejo era a carreira militar. Foi a Castilha onde recebeu esmerada formação tornando-se exímio cavaleiro na corte do ministro do rei Fernando II de Aragão, o Católico. Ferido em batalha em 1520, foi obrigado a uma longa convalescência no Castelo de Loyola, como não havia livros de Cavalarias – seus preferidos – Inácio começou a ler, com relutância, textos religiosos que o fizeram encontrar Deus.

Um momento que mudou a sua vida, levando-o mais tarde a fundar a Companhia de Jesus aprovada pelo Papa Paulo III em 1538. Por obediência ao Pontífice, Inácio permaneceu em Roma para coordenar as atividades da Companhia e para se dedicar aos pobres, aos órfãos e os doentes, a ponto de ser chamado de “apóstolo de Roma”. Seus restos mortais estão conservados na Igreja de Jesus.

Publicado em 31/07/2018 por João Augusto

“Vocações existem, elas precisam ser despertadas”, afirma bispo referencial da pastoral Vocacional da CNBB, dom José Roberto Palau

Todos os anos durante o mês de agosto, a Igreja no Brasil celebra o ‘Mês Vocacional’ e cada domingo é dedicado à celebração de uma determinada vocação. Este ano, a temática é “Seguir Jesus a luz da fé” e o lema “Eu sei em quem depositei a minha fé”.

Dom José Roberto Fortes Palau. Foto: Warley Leite/Meon

O portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conversou com o bispo auxiliar de São Paulo (SP) e referencial da Pastoral Vocacional, dom José Roberto Fortes Palau, sobre os principais aspectos do mês dedicado as vocações.

Por que celebrar o mês Vocacional?

O mês de agosto é um mês temático, então, no primeiro domingo celebramos o dia do padre, a vocação ao ministério sacerdotal. No segundo domingo, nós celebramos o dia dos pais, a vocação a paternidade, a família. No terceiro domingo, celebramos a vocação a vida consagrada, os religiosos e religiosas e no quarto domingos celebramos o dia do catequista, o serviço prestado a igreja por todos os batizados nos mais variados ministérios. Por isso, no mês de agosto focamos as diversas vocações que existem na igreja.

O que as vocações representam na vida dos cristãos, e de que forma eles devem vivenciar esse tema?

Todos nós cristãos, todos nós batizados somos chamados a servir a Igreja na evangelização. O papa Francisco tem insistindo muito numa ‘Igreja em saída’, uma Igreja evangelizadora, que dá testemunho do Evangelho de Cristo. Por isso, que todas as vocações são importantes, de tal forma, que nós também nos santificamos na nossa vocação. Então, quem é chamado a vocação a vida familiar se santifica vivendo o evangelho numa vida de família, no seu ambiente de trabalho, se sanificando. E aquele que é chamado a uma vocação mais específica, por exemplo, a vida consagrada, busca a santidade servindo como consagrado. De tal forma que todos nós colaboramos para o crescimento e a santidade da Igreja.

Como a temática das vocações deve ser trabalhado nas comunidades? 

Todo mês de agosto nós fazemos um trabalho vocacional nas comunidades. Nós temos um subsídio preparado pelo Setor de Vocações e Ministérios da CNBB, que as comunidades têm a oportunidade de ter esse material em mãos, e durante todo mês de agosto fazer reflexões sobre as mais diversas vocações que existem na Igreja. Então, por ser um mês temático a gente procura trabalhar a questão vocacional de modo muito particular a vocação à vida consagrada. Vocações existem, elas precisam ser despertadas. Nós precisamos de padres, religiosos e religiosas para servir à Igreja e agosto é um mês especial para despertar essas vocações na Igreja.

Em 2019, vai acontecer de 5 a 8 de setembro, em Aparecida (SP), o 4º Congresso Vocacional do Brasil, cujo tema será: “Vocação e discernimento”. Qual a importância desse evento para Igreja no Brasil? 

Nós vamos discutir as mais variadas vocações e a Igreja precisa de que todos os batizados, aqueles que são cristãos participem de suas comunidades. De modo muito particular, precisamos fortalecer a cultura vocacional em nossas dioceses, paróquias e comunidades. O Congresso Vocacional do Brasil é um despertar, é uma sacudida para que a gente possa trabalhar esse tema em nossas comunidades e, assim, criar uma cultura vocacional. Então, acredito que o Congresso será de suma importância para a Igreja no Brasil no despertar para questão vocacional.

Durante o mês vocacional, também será lançado o texto base do 4º Congresso Vocacional do Brasil que vai acontecer de 5 a 8 de setembro de 2019, em Aparecida (SP), cujo tema será: “Vocação e discernimento”.

O mês vocacional foi instituído em 1981, pela CNBB, em sua 19ª Assembleia Geral. O objetivo principal era o de conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional. O cartaz pode ser encontrado no site das Edições CNBB

Fonte: CNBB

Publicado em 30/07/2018 por João Augusto

Mistagogia: Catequese pascal

A urgência de uma renovada catequese é sempre algo a bater à porta da Igreja, sobretudo nesse tempo de rápidas mudanças, as comunidades cristãs são desafiadas a novos métodos de transmissão da fé, conservando o conteúdo que recebe da tradição apostólica, é convocada a ter métodos que atendam à demanda hodierna. Em nosso tempo, na Igreja do Brasil, iluminada pelo Vaticano II e pelo Documento de Aparecida, tem-se esforçado pela implantação do método catecumenal, como Iniciação à Vida Cristã.

O método catecumental (IVC) está organizado em diversas etapas sequentes, ligadas uma a outra, num contínuo de inserção do catecúmeno na vida cristã, na comunidade, por meio da instrução e dos ritos sacramentais. Como elemento da IVC se dá também a dimensão mistagogica da catequese, ligada com as celebrações litúrgicas. Aqui, nas breves linhas que se seguem nos ocuparemos com essa dimensão mistagógica da catequese.

  1. IVC em sua estrutura

O IVC se organiza em quatro tempos, comumente aceitos no meio catequético, a saber são eles: pré-catecumenato; catecumenato; purificação e mistagogia.

A etapa de pré-catecumenato é a fase da acolhida, como uma abertura da comunidade por meio de festas de inscrições, visitações de divulgação da catequese, atividades lúdicas e partilhas de vida com testemunhos que vão animando as famílias, as pessoas a buscarem a catequese; esta etapa está profundamente ligada à missionariedade da Igreja. A capacidade de se sair às ruas, a médio prazo, normalmente, apresenta uma resposta positiva na etapa pré-catecumenal.

O que se chama catecumenato é a fase da instrução e vivência na comunidade. Após a admissão, ao fim do pré-catecumenato, a pessoa é inserida mais propriamente na comunidade, seja pela participação nas missas, seja pelos encontros catequéticos, seja pela visita e adesão às pastorais. São meios pelos quais a instrução está ligada à vida da comunidade. Deste modo, o ensino da fé não se comporta como uma transmissão dissociada da vida da comunitária, mas está profundamente inserida nela, como uma verdadeira imersão. Essa fase é acompanhada por ritos litúrgicos, que vão introduzindo o catecúmeno na vida da fé.

O terceiro tempo é o que pode chamar de exorcismo ou purificação, preferencialmente pode ocorrer na Quaresma, quando a Igreja vive um profundo tempo penitencial. A este tempo está associado um rito de exorcismo, como renúncia do mal e suas obras; e, ao mesmo tempo, está acompanhado pelos símbolos da fé: Sinal da Cruz, Pai-Nosso, Bíblia e outros, que vão amadurecer a identidade cristã, com o constante convite à oração. A instrução nessa fase se liga às práticas quaresmais: jejum, esmola e oração.

O quarto tempo é o da mistagogia, estaria vinculado ao Tempo Pascal, como tempo de celebração dos sacramentos, como conclusão do catecumenato, para seguir a formação contínua na comunidade, estendendo-se por toda a vida. É uma proposta que faz de toda comunidade uma experiência de mistagogia. Mas o que é mistagogia?

  1. Mistagogia

A palavra mistagogia remete a conduzir para o mistério, iniciar no mistério. É uma palavra de origem grega, que se referia a experiências diversas, inclusive à experiência mística.

A mistagogia possui dois elementos claros que a dispõe como condução. Primeiro essa palavra traz a noção de ser conduzido, isto é, o sujeito, a pessoa não vai por si mesma, ela é, por um mestre, por um guia, levada à experiência do mistério. De sorte que haja um introdutor, uma pessoa já iniciada, que acompanhará o candidato. Esse introdutor, o já iniciado era uma instituição comum nas religiões mistéricas do Primeiro e do Segundo séculos. Eram pessoas que não somente difundiam as práticas religiosas pela palavra, mas também ensinavam o caminho prático de ingresso nesses grupos. Outro elemento de mistagogia no mundo pagão, é que não é uma escolha, adesão da pessoa, pois, o mistério convoca as pessoas, elas são “eleitas” para fazerem parte do grupo, para serem iniciadas, assim, a liberdade do sujeito é deixar-se chamar, responder, e deixar-se conduzir até o mistério, até a experiência mística.

A figura do mistagogo, o introdutor é o responsável pela acolhida no grupo, o que seria sua primeira ação, acolher o que será iniciado. Nas religiões mistéricas havia um conjunto de ritos e ensinamentos ditos secretos, o que exigia do candidato a segurança da pertença, daí que as pessoas em processo de iniciação não tinham acesso a todos os ritos e doutrinas, por isso, o mistagogo deveria processualmente conduzir o candidato, numa pedagogia regida por uma didática em etapas, com a finalidade de paulatinamente acontecer a pertença do indivíduo ao grupo e, ao mesmo tempo, o grupo acolher o indivíduo. O mistagogo é aquele que faz a ponte entre o candidato e o grupo e na direção inversa: o grupo e o indivíduo.

Ainda nos Primeiro e Segundo séculos da era cristã, as primeiras comunidades conviveram paralelamente com essas religiões mistéricas. Tanto nelas quanto no cristianismo nascente estão presentes a ideia de mistério, a ideia de mistagogia. No entanto, para o mundo cristão, os rituais não portavam um segredo sem revelação, pelo contrário, o batismo, rito de iniciação cristão era oferecido aos que buscavam, sempre mediante uma preparação que introduzia os candidatos nos mistérios de Cristo, aqueles mistérios que deveriam ser colocados no cume de uma montanha, onde todos poderiam ver. O mistério de Cristo não era um segredo, mas um dom a ser anunciado como Evangelho, Boa Notícia.

A comunidade de São João, sobretudo dá testemunho de ruptura com o gnosticiosmo, que era a prática mistérica mais próxima do cristianismo e do judaísmo. Mas, ao mesmo tempo, conserva a dimensão de mistério, haja vista o termo utilizado para se referir aos milagres de Jesus nesse evangelho: semeion, que quer dizer: sinal. O evangelho de João assume a mistagogia com sinais que apontam para o mistério de Cristo.

No geral, no ambiente cristão, a mistagogia ingressou como caminho rumo ao mistério pascal de Cristo, sempre mais associada à liturgia, ao rito sacramental. Nos primeiros anos do cristianismo, com a catequese catecumenal, que também era processual, a mistagogia entrava nessa configuração de diversas ações que se encaminhavam para a liturgia. A liturgia, como espaço mistagógico, levou os primeiros cristãos a sondarem as realidades invisíveis, a sondarem o mistério de Deus. Isso aconteceu porque a mistagogia se dá por meio de sinais que remetem ao mistério. Desde cedo os primeiros cristãos valorizaram tal mediação para a liturgia e para a catequese.

  1. Catequese e Mistagogia

Catequese vem da palavra katechein que pode ser traduzida por instruir pela palavra. Essa palavra é assumida pelo cristianismo, mas possuindo um propósito muito maior que o seu significado, tendo, então, diversas tarefas, isto é, a catequese cristã se propõe a uma instrução integral da pessoa, agindo em toda a sua existência: no campo da intelecção, da moral, da oração, da liturgia, da comunidade e do compromisso missionário.

A catequese faz parte da iniciação cristã, e, assim, há outros elementos para essa iniciação. Em nossos dias, com a retomada da catequese catecumenal de iniciação cristã, vê-se a ampliação da necessidade de serviços que não somente transmitam doutrinas, mas conservando a transmissão da doutrina, preocupem-se também com a inserção comunitária. Esse caminho conserva o desafio de conduzir ao mistério pascal de Cristo, o que exigirá, cada vez mais, a dimensão de mistagogia na ação catequética.

É esse desafio de levar ao mistério que faz a catequese se associar com a mistagogia. Isso parece algo óbvio, no entanto, a própria literatura sobre o tema atesta que a mistagogia, na contemporaneidade da Igreja, esteve mais próxima da liturgia, o que de fato o é em virtude da natureza da liturgia, que por meio de sinais visíveis, fala-nos das realidades invisíveis. Mas a catequese, aproximando de sinais litúrgicos, é convidada a assumir essa dimensão mistagógica, de sorte que a catequese se enriqueça de sinais sempre remissíveis ao mistério pascal de Cristo.

Normalmente, nas explicações sobre as etapas da IVC, a mistagogia se refere ao tempo pós-sacramento, como vivência na comunidade. Seria a etapa de viver a eucaristia dominical e o envolvimento na vida da comunidade. Mas há que se ter em conta que toda a catequese, como iniciação à vida cristã precisa já, desde o primeiro momento, colocar o catecúmeno no seio da comunidade, sobretudo na vida litúrgica. Assim, mais que uma etapa da iniciação, a mistagogia precisa ser um elemento constante em todo o processo de iniciação.

Alguém pode já considerar que ao transmitir a doutrina, os ensinamentos da Igreja e a Palavra de Deus já se esteja numa mistagogia, o que de certo modo está correto, contudo, a mistagogia exige ritos, sinais que envolvam os sentidos: tato, paladar, olfato, visão e audição. É uma dimensão que quer abarcar não apenas a intelecção do catecúmeno, mas toda sua estrutura física e psicológica. Daí a importância de momentos que ultrapassem a estrutura bancária de ensino.

Aqui me arrisco a algumas sugestões na direção de uma catequese prenha de mistagogia.

Algo elementar está já presente em muitos materiais didáticos de catequese, que é dispor o ambiente de acordo com o tempo litúrgico, utilizando as cores litúrgicas e símbolos que façam menção a tal. Outro recurso é ampliar a catequese para espaços que ultrapassem a sala, a paróquia onde o encontro é realizado, por meio de visitas a catedrais, museus sacros, igrejas históricas e mosteiro, dando aos catequizandos uma visão maior de Igreja e, por conseguinte apresentando a história da evangelização, como memória da salvação em Cristo.

Além dos espaços eclesiásticos também se pode valorizar os espaços naturais, parques, rios, lagos, praias, para experiências de oração, seja o santo terço, seja um louvor, seja um lual, seja um momento de meditação da Palavra de Deus. O ambiente da natureza insere o catecúmeno no mistério do Deus Criador, o Deus Provedor e contribui para educar em vista da convivência saudável com toda a criação.

Portanto, a catequese vive em nossos dias um positivo recuo às primeiras comunidades cristãs, no entanto, sem perder os desafios que nos são próprios. Por isso, nos desafios atuais, a dimensão da mistagogia pode perpassar toda a iniciação cristão, não se reduzindo a uma etapa, mas como um elemento essencial, para a adesão ao Cristo morto e ressuscitado, ao Cristo nossa Páscoa.

Pe. Abimael F. do Nascimento, msc
Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração-Aerolândia
Mestre em Teologia Sistemática
Mestre em Filosofia
Especialista em Psicopedagogia
Abimael.nascimento@yahoo.com.br

 


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